Esse blog apoia John McCain

setembro 22 6 Comments Category: Politics

Diferenças nos discursos (clique para amplicar)/TH

Diferenças nos discursos (clique para ampliar)/Thomas Hawk

Quem ficou surpreso com meu apoio ao McCain? Quem, quem? Já era de se esperar, não é? Nesse momento, o blog, publicamente, dá seu apoio a John McCain. Sim, sim. E a razão disso é simples: é único candidato que aceita meu total e completo apoio restrito à sua presidência. Isso mesmo, restrito. Essa é a razão de eu gostar tanto dos republicanos, eles não pedem minha fidelidade cega para seus programas de governo. Não mesmo. Não, não.

Votar no Obama é assinar uma folha em branco, com firma reconhecida e registrada em cartório. Não sejam ingênuos. A Left Wing não pede nada menos. Depois alegam que a Direita é a radical. Falo sobre isso mais abaixo.

Eu também gosto de um pouco de decoro, de uma certa vergonha, da hipocrisia. A hipocrisia significa que alguns valores ainda existem e não podem ser "quebrados". Já a esquerda adora mudar o significado das coisas para seu proveito próprio. Lembro muito bem das estripulias orais do Sr. Bill Clinton. O que cada um faz no seu canto não me importa, mas não esqueço da Mônica L. falando sobre suas fornicações como Bill no salão oval. Óbvio que eu não coloco minha mão no fogo pelo W. Bush e nem por ninguém, mas ao menos, se ele tiver feito coisas feias naquela sala, eu não vou saber. Melhor ter estagiárias que saibam como ligar a máquina de lavar. Guardar vestidos sujos com fluídos corporais de um homem é anti-higiênico. E eu gosto de tudo limpinho.

E esses democratas gostam de um escândalo sexual, não é mesmo. JFK faturou a Mary Pinchot Meyer e também a Marilyn Monroe durante a presidência, e nem por isso deu o vexame do Bill Também. O cara era acostumado com mulheres bonitas.

Não me entendam mal. Eu não tenho aversão aos democratas americanos, não mesmo. Pra mim, tanto o Kennedy quanto o Roosevelt foram ótimos presidentes. Mas de lá pra cá, o partido perdeu a mão. Esses dois enfrentaram problemas concretos, de soluções nada fáceis. Compraram brigas homéricas, Obama pediria pra sair na menor delas. Faltam aos democratas grandes nomes. O partido ainda vive na nostalgia de precisar ser o partido da mudança, sem ter noção para onde querem mudar.  Isso é perigoso, muito perigoso. Como não conseguem ter um foco definido agora, sabe-se lá para onde voltarão a sua atenção na Casa Branca.

Atualmente, os Republicanos possuem esse foco. No que diz respeito à economia, à religião, à segurança interna e tudo mais. Claro, as visões não são unanimidade na Right Wing, mas ao menos dá pra conversar. Ao saber as intenções de McCain na presidência, fica bem mais fácil colocar freios e limites aos planos malucos que qualquer partido tem. E isso só pode ser feito quando o discurso é claro. Os democratas vivem na tangente, tal qual o nosso PT. Falam muito mas não dizem nada. Desconhecem demais a si próprios.

Claro que a direita comporta radicalismos também. Os beatos de porta de igreja, o pessoal mais doido da Associação Nacional do Rifle e mais um monte de loucos. Tudo bem, democracia é assim mesmo. Mas a esquerda também tem sua cota, e acho que ela é bem mais perigosa. Transvestidos de bom-mocismo, com um descurso politicamente correto e sentimentalóide, os radicais da esquerda podem causar estragos reais, retirar várias liberdades individuais e todo tipo de coisa. Melhor discutir o ensino do criacionismo na escola do que, sei lá, a proibição de pesquisas com animais. Essa última sim, poderia levar o mundo de volta às trevas.

Também me desagrada a tentativa de massacre público contra a Sarah Palin. Tudo bem que a mulher é uma fera, mas espera um pouco. Criar boatos sobre a família dela? Que moral os democratas têm para querer dar essas lições? Agora vieram com a história das notas na faculdade, que ela teria sido uma aluna medíocre. O Obama até agora não liberou a ficha acadêmica dele. Têm medo de quê? O W. Bush freqüentou a Universidade de Yale e o chamam de idiota dia sim e no outro também. Nessa história de esconder a vida, Obama é um profissional, não existe nada sobre o cara...

Eu prefiro saber com quem estou lidando. Se fosse americano, votaria em McCain. Sou (infelizmente) brasileiro, e espero que ele vença. Mas apesar disso tudo, outra coisa me cativa na sua candidatura: a campanha. Os republicanos conseguem ser sérios, responsáveis e divertidos ao mesmo tempo. Eles tiram sarro da campanha democrata a toda hora. Adoro. Governar os EUA não deve ser uma brincadeira, mas encarar a presidência como um fardo, algo penoso e frágil, um emprego que só um enviado especial poderia encarar é besteira. Obama acha que é demais e o eleito pelo mundo para o cargo. Pense ele o que quiser. Ele não é um super-homem. Aliás, pode nem ter nascido na América. Isso sim é engraçado.

Photo: Thomas Halk

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6 Responses

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  1. Ótimo artigo!

    Jock 23 setembro 2008 at 10:20 Permalink
  2. Eu gosto muito do McCain. Con­sidero o McCain, iso­la­da­mente, uma es­colha melhor do que o Obama. O pro­blema é o que vem junto no kit GOP: bible freaks, NRA, lobbies do pe­tróleo, iso­la­ci­o­nismo, Palin.

    O Obama, por sua vez, vem com a es­querda ame­ricana no kit. Mas, pelo menos, a es­querda ame­ricana é muito, muito menos ver­melha que a nossa, e aquele povo já é bem va­cinado contra certas pi­rações ide­o­ló­gicas que aqui estão em cartaz faz décadas.

    Douglas Donin 23 setembro 2008 at 15:19 Permalink
  3. Jock: Obrigado!

    Gropius: Pena não vo­tarmos nos EUA, é bem mais di­vertido que no Brasil.

    Douglas: Eu ainda acho mais fácil dis­cutir com os ra­dicais de di­reita. Os de es­querda são cha­tinhos e apelam para os uni­ver­si­tários. Hehehhe. Não dá pra conversar.

    Lefebvre de Saboya 23 setembro 2008 at 16:48 Permalink
  4. Com ra­dical nenhum se discute. Com parede, muro, poste, com pedra, até se pode dis­cutir, mas com ra­dical nenhum dá para es­ta­be­lecer con­versa bilateral.

    Mas, quanto aos tipos de ra­dicais… aqui, os de es­querda (e nem precisa ser ra­dical), in­da­gados sobre qualquer as­sunto, vão gritar várias pa­lavras des­co­nexas re­ti­radas do vo­ca­bu­lário marxista-​leninista, sem nem saber o que sig­nifica, e quando for a sua vez de falar eles vão co­meçar a bater o bumbo, soprar as cor­netas e girar as ma­tracas, de forma a in­vi­a­bi­lizar o debate. E se você re­clamar disso, te cha­marão de fas­cista eli­tista ne­o­li­beral que quer calar a ver­da­dei­ra­mente ver­da­deira voz do povo.

    Mas isso aqui. Lá nos EUA, ra­dical de es­querda — o ra­di­calzão mesmo — é o tipo de cara que, se viesse para o Brasil e fosse obrigado a es­colher um partido para se filiar, es­co­lheria o PSDB. E re­cla­maria de muitas po­lí­ticas so­ciais do partido, por ser as­sis­ten­ci­a­listas demais. E daria risada da exis­tência dos PTs, PSTUs e PCdoBs da vida, como se fossem uma ca­ri­catura, uma sátira dos bol­che­viques (não que não sejam).

    Por outro lado, o pro­blema é que há uma grande con­tra­dição nos con­ser­va­dores ame­ri­canos. Eles são re­al­mente li­berais no campo econômico — só ver a po­lêmica que está dando o pacote de ajuda aos bancos — e vão te citar Adam Smith de ponta a ponta se você sequer co­gitar em deixar o Estado in­tervir na eco­nomia. Mas, in­cri­vel­mente, eles es­quecem todos os prin­cípios de não-​intervenção sobre a li­berdade in­di­vidual quando o as­sunto é o Estado le­gislar sobre a vida privada, prin­ci­pal­mente quando o Estado le­gisla moral. Eles são os pri­meiros a tentar uti­lizar o Estado para impor sua moral es­pe­cífica. E, ah, como eles fazem isso. Na pri­meira opor­tu­nidade. Sem ver­gonha nenhuma.

    Enfim, ra­dical é ra­dical. Aqui na América Latina os de es­querda são in­fi­ni­ta­mente mais pe­ri­gosos (até porque não temos di­reita mesmo, temos es­querda e pa­tri­mo­ni­a­listas, mas não di­reita). Lá eles não têm ra­dicais ver­me­lhinhos como os nossos, mas, do outro lado, temos os Pat Ro­bertsons da vida, que são igual­mente pe­ri­gosos. Ainda mais porque eles têm ba­zucas em­baixo da cama.

    Douglas Donin 29 setembro 2008 at 15:22 Permalink
  5. Sem essa de “O im­pério ba­lança” , eles estão mais fortes do que nunca. E também não adianta fechar os olhos para as eleições no EUA, eles ditam as regras do mundo. Só que no mo­mento o foco é mais aqui em­baixo, pelo menos eu penso. Quando ban­didos estão quase as­su­mindo o con­trole de nosso país, não consigo me pre­o­cupar com quem vai ficar com o trono do Tio Sam. Abraços

    Victor S. Gomez 8 outubro 2008 at 11:45 Permalink

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