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Diferenças nos discursos (clique para amplicar)/TH

Diferenças nos discursos (clique para ampliar)/Thomas Hawk

Quem ficou surpreso com meu apoio ao McCain? Quem, quem? Já era de se esperar, não é? Nesse momento, o blog, publicamente, dá seu apoio a John McCain. Sim, sim. E a razão disso é simples: é único candidato que aceita meu total e completo apoio restrito à sua presidência. Isso mesmo, restrito. Essa é a razão de eu gostar tanto dos republicanos, eles não pedem minha fidelidade cega para seus programas de governo. Não mesmo. Não, não.

Votar no Obama é assinar uma folha em branco, com firma reconhecida e registrada em cartório. Não sejam ingênuos. A Left Wing não pede nada menos. Depois alegam que a Direita é a radical. Falo sobre isso mais abaixo.

Eu também gosto de um pouco de decoro, de uma certa vergonha, da hipocrisia. A hipocrisia significa que alguns valores ainda existem e não podem ser “quebrados”. Já a esquerda adora mudar o significado das coisas para seu proveito próprio. Lembro muito bem das estripulias orais do Sr. Bill Clinton. O que cada um faz no seu canto não me importa, mas não esqueço da Mônica L. falando sobre suas fornicações como Bill no salão oval. Óbvio que eu não coloco minha mão no fogo pelo W. Bush e nem por ninguém, mas ao menos, se ele tiver feito coisas feias naquela sala, eu não vou saber. Melhor ter estagiárias que saibam como ligar a máquina de lavar. Guardar vestidos sujos com fluídos corporais de um homem é anti-higiênico. E eu gosto de tudo limpinho.

E esses democratas gostam de um escândalo sexual, não é mesmo. JFK faturou a Mary Pinchot Meyer e também a Marilyn Monroe durante a presidência, e nem por isso deu o vexame do Bill Também. O cara era acostumado com mulheres bonitas.

Não me entendam mal. Eu não tenho aversão aos democratas americanos, não mesmo. Pra mim, tanto o Kennedy quanto o Roosevelt foram ótimos presidentes. Mas de lá pra cá, o partido perdeu a mão. Esses dois enfrentaram problemas concretos, de soluções nada fáceis. Compraram brigas homéricas, Obama pediria pra sair na menor delas. Faltam aos democratas grandes nomes. O partido ainda vive na nostalgia de precisar ser o partido da mudança, sem ter noção para onde querem mudar.  Isso é perigoso, muito perigoso. Como não conseguem ter um foco definido agora, sabe-se lá para onde voltarão a sua atenção na Casa Branca.

Atualmente, os Republicanos possuem esse foco. No que diz respeito à economia, à religião, à segurança interna e tudo mais. Claro, as visões não são unanimidade na Right Wing, mas ao menos dá pra conversar. Ao saber as intenções de McCain na presidência, fica bem mais fácil colocar freios e limites aos planos malucos que qualquer partido tem. E isso só pode ser feito quando o discurso é claro. Os democratas vivem na tangente, tal qual o nosso PT. Falam muito mas não dizem nada. Desconhecem demais a si próprios.

Claro que a direita comporta radicalismos também. Os beatos de porta de igreja, o pessoal mais doido da Associação Nacional do Rifle e mais um monte de loucos. Tudo bem, democracia é assim mesmo. Mas a esquerda também tem sua cota, e acho que ela é bem mais perigosa. Transvestidos de bom-mocismo, com um descurso politicamente correto e sentimentalóide, os radicais da esquerda podem causar estragos reais, retirar várias liberdades individuais e todo tipo de coisa. Melhor discutir o ensino do criacionismo na escola do que, sei lá, a proibição de pesquisas com animais. Essa última sim, poderia levar o mundo de volta às trevas.

Também me desagrada a tentativa de massacre público contra a Sarah Palin. Tudo bem que a mulher é uma fera, mas espera um pouco. Criar boatos sobre a família dela? Que moral os democratas têm para querer dar essas lições? Agora vieram com a história das notas na faculdade, que ela teria sido uma aluna medíocre. O Obama até agora não liberou a ficha acadêmica dele. Têm medo de quê? O W. Bush freqüentou a Universidade de Yale e o chamam de idiota dia sim e no outro também. Nessa história de esconder a vida, Obama é um profissional, não existe nada sobre o cara…

Eu prefiro saber com quem estou lidando. Se fosse americano, votaria em McCain. Sou (infelizmente) brasileiro, e espero que ele vença. Mas apesar disso tudo, outra coisa me cativa na sua candidatura: a campanha. Os republicanos conseguem ser sérios, responsáveis e divertidos ao mesmo tempo. Eles tiram sarro da campanha democrata a toda hora. Adoro. Governar os EUA não deve ser uma brincadeira, mas encarar a presidência como um fardo, algo penoso e frágil, um emprego que só um enviado especial poderia encarar é besteira. Obama acha que é demais e o eleito pelo mundo para o cargo. Pense ele o que quiser. Ele não é um super-homem. Aliás, pode nem ter nascido na América. Isso sim é engraçado.

Photo: Thomas Halk

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Discussão

6 comentários em “Esse blog apoia John McCain”


  1. Ótimo artigo!

    Posted by Jock | setembro 23, 2008, 10:20 am
  2. […] post foi des­ca­ra­da­mente ins­pi­rado neste post do Sa­boya, que eu su­giro que você leia. Lá você encontrará as razões pelas quais deveríamos (fu­turo do pretérito, por­que não […]

    Posted by Este site apóia John McCain : gropius | setembro 23, 2008, 10:51 am
  3. Eu gosto muito do Mc­Cain. Con­si­dero o Mc­Cain, iso­la­da­mente, uma es­co­lha me­lhor do que o Obama. O pro­blema é o que vem junto no kit GOP: bible fre­aks, NRA, lob­bies do petróleo, iso­la­ci­o­nismo, Palin.

    O Obama, por sua vez, vem com a es­querda ame­ri­cana no kit. Mas, pelo menos, a es­querda ame­ri­cana é muito, muito menos ver­me­lha que a nossa, e aquele povo já é bem va­ci­nado con­tra cer­tas pirações ideológicas que aqui estão em car­taz faz décadas.

    Posted by Douglas Donin | setembro 23, 2008, 3:19 pm
  4. Jock: Obrigado!

    Gro­pius: Pena não vo­tar­mos nos EUA, é bem mais di­ver­tido que no Brasil.

    Dou­glas: Eu ainda acho mais fácil dis­cu­tir com os ra­di­cais de di­reita. Os de es­querda são cha­ti­nhos e ape­lam para os universitários. Hehehhe. Não dá pra conversar.

    Posted by Lefebvre de Saboya | setembro 23, 2008, 4:48 pm
  5. Com ra­di­cal ne­nhum se dis­cute. Com pa­rede, muro, poste, com pedra, até se pode dis­cu­tir, mas com ra­di­cal ne­nhum dá para es­ta­be­le­cer con­versa bilateral.

    Mas, quanto aos tipos de radicais… aqui, os de es­querda (e nem pre­cisa ser ra­di­cal), in­da­ga­dos sobre qual­quer as­sunto, vão gri­tar várias pa­la­vras des­co­ne­xas re­ti­ra­das do vocabulário marxista-​leninista, sem nem saber o que sig­ni­fica, e quando for a sua vez de falar eles vão começar a bater o bumbo, so­prar as cor­ne­tas e girar as ma­tra­cas, de forma a in­vi­a­bi­li­zar o de­bate. E se você re­cla­mar disso, te chamarão de fas­cista eli­tista ne­o­li­be­ral que quer calar a ver­da­dei­ra­mente ver­da­deira voz do povo.

    Mas isso aqui. Lá nos EUA, ra­di­cal de es­querda - o radicalzão mesmo - é o tipo de cara que, se vi­esse para o Bra­sil e fosse obri­gado a es­co­lher um par­tido para se fi­liar, es­co­lhe­ria o PSDB. E re­cla­ma­ria de mui­tas políticas so­ci­ais do par­tido, por ser as­sis­ten­ci­a­lis­tas de­mais. E daria ri­sada da existência dos PTs, PSTUs e PC­doBs da vida, como se fos­sem uma ca­ri­ca­tura, uma sátira dos bol­che­vi­ques (não que não sejam).

    Por outro lado, o pro­blema é que há uma grande contradição nos con­ser­va­do­res ame­ri­ca­nos. Eles são re­al­mente li­be­rais no campo econômico - só ver a polêmica que está dando o pa­cote de ajuda aos ban­cos - e vão te citar Adam Smith de ponta a ponta se você se­quer co­gi­tar em dei­xar o Es­tado in­ter­vir na eco­no­mia. Mas, in­cri­vel­mente, eles es­que­cem todos os princípios de não-intervenção sobre a li­ber­dade in­di­vi­dual quando o as­sunto é o Es­tado le­gis­lar sobre a vida pri­vada, prin­ci­pal­mente quando o Es­tado le­gisla moral. Eles são os pri­mei­ros a ten­tar uti­li­zar o Es­tado para impor sua moral específica. E, ah, como eles fazem isso. Na pri­meira opor­tu­ni­dade. Sem ver­go­nha nenhuma.

    Enfim, ra­di­cal é ra­di­cal. Aqui na América La­tina os de es­querda são in­fi­ni­ta­mente mais pe­ri­go­sos (até por­que não temos di­reita mesmo, temos es­querda e pa­tri­mo­ni­a­lis­tas, mas não di­reita). Lá eles não têm ra­di­cais ver­me­lhi­nhos como os nos­sos, mas, do outro lado, temos os Pat Ro­bert­sons da vida, que são igual­mente pe­ri­go­sos. Ainda mais por­que eles têm ba­zu­cas em­baixo da cama.

    Posted by Douglas Donin | setembro 29, 2008, 3:22 pm
  6. Sem essa de “O império balança” , eles estão mais for­tes do que nunca. E também não adi­anta fe­char os olhos para as eleições no EUA, eles ditam as re­gras do mundo. Só que no mo­mento o foco é mais aqui em­baixo, pelo menos eu penso. Quando ban­di­dos estão quase as­su­mindo o con­trole de nosso país, não con­sigo me pre­o­cu­par com quem vai ficar com o trono do Tio Sam. Abraços

    Posted by Victor S. Gomez | outubro 8, 2008, 11:45 am

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