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Quem ficou surpreso com meu apoio ao McCain? Quem, quem? Já era de se esperar, não é? Nesse momento, o blog, publicamente, dá seu apoio a John McCain. Sim, sim. E a razão disso é simples: é único candidato que aceita meu total e completo apoio restrito à sua presidência. Isso mesmo, restrito. Essa é a razão de eu gostar tanto dos republicanos, eles não pedem minha fidelidade cega para seus programas de governo. Não mesmo. Não, não.
Votar no Obama é assinar uma folha em branco, com firma reconhecida e registrada em cartório. Não sejam ingênuos. A Left Wing não pede nada menos. Depois alegam que a Direita é a radical. Falo sobre isso mais abaixo.
Eu também gosto de um pouco de decoro, de uma certa vergonha, da hipocrisia. A hipocrisia significa que alguns valores ainda existem e não podem ser “quebrados”. Já a esquerda adora mudar o significado das coisas para seu proveito próprio. Lembro muito bem das estripulias orais do Sr. Bill Clinton. O que cada um faz no seu canto não me importa, mas não esqueço da Mônica L. falando sobre suas fornicações como Bill no salão oval. Óbvio que eu não coloco minha mão no fogo pelo W. Bush e nem por ninguém, mas ao menos, se ele tiver feito coisas feias naquela sala, eu não vou saber. Melhor ter estagiárias que saibam como ligar a máquina de lavar. Guardar vestidos sujos com fluídos corporais de um homem é anti-higiênico. E eu gosto de tudo limpinho.
E esses democratas gostam de um escândalo sexual, não é mesmo. JFK faturou a Mary Pinchot Meyer e também a Marilyn Monroe durante a presidência, e nem por isso deu o vexame do Bill Também. O cara era acostumado com mulheres bonitas.
Não me entendam mal. Eu não tenho aversão aos democratas americanos, não mesmo. Pra mim, tanto o Kennedy quanto o Roosevelt foram ótimos presidentes. Mas de lá pra cá, o partido perdeu a mão. Esses dois enfrentaram problemas concretos, de soluções nada fáceis. Compraram brigas homéricas, Obama pediria pra sair na menor delas. Faltam aos democratas grandes nomes. O partido ainda vive na nostalgia de precisar ser o partido da mudança, sem ter noção para onde querem mudar. Isso é perigoso, muito perigoso. Como não conseguem ter um foco definido agora, sabe-se lá para onde voltarão a sua atenção na Casa Branca.
Atualmente, os Republicanos possuem esse foco. No que diz respeito à economia, à religião, à segurança interna e tudo mais. Claro, as visões não são unanimidade na Right Wing, mas ao menos dá pra conversar. Ao saber as intenções de McCain na presidência, fica bem mais fácil colocar freios e limites aos planos malucos que qualquer partido tem. E isso só pode ser feito quando o discurso é claro. Os democratas vivem na tangente, tal qual o nosso PT. Falam muito mas não dizem nada. Desconhecem demais a si próprios.
Claro que a direita comporta radicalismos também. Os beatos de porta de igreja, o pessoal mais doido da Associação Nacional do Rifle e mais um monte de loucos. Tudo bem, democracia é assim mesmo. Mas a esquerda também tem sua cota, e acho que ela é bem mais perigosa. Transvestidos de bom-mocismo, com um descurso politicamente correto e sentimentalóide, os radicais da esquerda podem causar estragos reais, retirar várias liberdades individuais e todo tipo de coisa. Melhor discutir o ensino do criacionismo na escola do que, sei lá, a proibição de pesquisas com animais. Essa última sim, poderia levar o mundo de volta às trevas.
Também me desagrada a tentativa de massacre público contra a Sarah Palin. Tudo bem que a mulher é uma fera, mas espera um pouco. Criar boatos sobre a família dela? Que moral os democratas têm para querer dar essas lições? Agora vieram com a história das notas na faculdade, que ela teria sido uma aluna medíocre. O Obama até agora não liberou a ficha acadêmica dele. Têm medo de quê? O W. Bush freqüentou a Universidade de Yale e o chamam de idiota dia sim e no outro também. Nessa história de esconder a vida, Obama é um profissional, não existe nada sobre o cara…
Eu prefiro saber com quem estou lidando. Se fosse americano, votaria em McCain. Sou (infelizmente) brasileiro, e espero que ele vença. Mas apesar disso tudo, outra coisa me cativa na sua candidatura: a campanha. Os republicanos conseguem ser sérios, responsáveis e divertidos ao mesmo tempo. Eles tiram sarro da campanha democrata a toda hora. Adoro. Governar os EUA não deve ser uma brincadeira, mas encarar a presidência como um fardo, algo penoso e frágil, um emprego que só um enviado especial poderia encarar é besteira. Obama acha que é demais e o eleito pelo mundo para o cargo. Pense ele o que quiser. Ele não é um super-homem. Aliás, pode nem ter nascido na América. Isso sim é engraçado.
Photo: Thomas Halk
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Ótimo artigo!
[…] post foi descaradamente inspirado neste post do Saboya, que eu sugiro que você leia. Lá você encontrará as razões pelas quais deveríamos (futuro do pretérito, porque não […]
Eu gosto muito do McCain. Considero o McCain, isoladamente, uma escolha melhor do que o Obama. O problema é o que vem junto no kit GOP: bible freaks, NRA, lobbies do petróleo, isolacionismo, Palin.
O Obama, por sua vez, vem com a esquerda americana no kit. Mas, pelo menos, a esquerda americana é muito, muito menos vermelha que a nossa, e aquele povo já é bem vacinado contra certas pirações ideológicas que aqui estão em cartaz faz décadas.
Jock: Obrigado!
Gropius: Pena não votarmos nos EUA, é bem mais divertido que no Brasil.
Douglas: Eu ainda acho mais fácil discutir com os radicais de direita. Os de esquerda são chatinhos e apelam para os universitários. Hehehhe. Não dá pra conversar.
Com radical nenhum se discute. Com parede, muro, poste, com pedra, até se pode discutir, mas com radical nenhum dá para estabelecer conversa bilateral.
Mas, quanto aos tipos de radicais… aqui, os de esquerda (e nem precisa ser radical), indagados sobre qualquer assunto, vão gritar várias palavras desconexas retiradas do vocabulário marxista-leninista, sem nem saber o que significa, e quando for a sua vez de falar eles vão começar a bater o bumbo, soprar as cornetas e girar as matracas, de forma a inviabilizar o debate. E se você reclamar disso, te chamarão de fascista elitista neoliberal que quer calar a verdadeiramente verdadeira voz do povo.
Mas isso aqui. Lá nos EUA, radical de esquerda - o radicalzão mesmo - é o tipo de cara que, se viesse para o Brasil e fosse obrigado a escolher um partido para se filiar, escolheria o PSDB. E reclamaria de muitas políticas sociais do partido, por ser assistencialistas demais. E daria risada da existência dos PTs, PSTUs e PCdoBs da vida, como se fossem uma caricatura, uma sátira dos bolcheviques (não que não sejam).
Por outro lado, o problema é que há uma grande contradição nos conservadores americanos. Eles são realmente liberais no campo econômico - só ver a polêmica que está dando o pacote de ajuda aos bancos - e vão te citar Adam Smith de ponta a ponta se você sequer cogitar em deixar o Estado intervir na economia. Mas, incrivelmente, eles esquecem todos os princípios de não-intervenção sobre a liberdade individual quando o assunto é o Estado legislar sobre a vida privada, principalmente quando o Estado legisla moral. Eles são os primeiros a tentar utilizar o Estado para impor sua moral específica. E, ah, como eles fazem isso. Na primeira oportunidade. Sem vergonha nenhuma.
Enfim, radical é radical. Aqui na América Latina os de esquerda são infinitamente mais perigosos (até porque não temos direita mesmo, temos esquerda e patrimonialistas, mas não direita). Lá eles não têm radicais vermelhinhos como os nossos, mas, do outro lado, temos os Pat Robertsons da vida, que são igualmente perigosos. Ainda mais porque eles têm bazucas embaixo da cama.
Sem essa de “O império balança” , eles estão mais fortes do que nunca. E também não adianta fechar os olhos para as eleições no EUA, eles ditam as regras do mundo. Só que no momento o foco é mais aqui embaixo, pelo menos eu penso. Quando bandidos estão quase assumindo o controle de nosso país, não consigo me preocupar com quem vai ficar com o trono do Tio Sam. Abraços