Eu tenho um dobermann chamado “bom-senso”. É sério. Depois que um colega batizou um rottweiler de “Pedro”, comecei a gostar desses nomes incomuns. Pois então, ter um cão chamado “bom-senso” é muito legal. Além do estranhamento das visitas, é uma verdadeira comédia quando ladrões tentam assaltar a minha casa:
— Fica quietinho malandro – ameaça o bandido.
— Calma, calma. Bom-senso, bom-senso… – eu sussurro baixinho.
Quando o meliante se dá conta, “bom-senso” já arrancou-lhe as bolas.
Por outro lado, tenho uma amiga que, se não me engano, ainda será militante petista. Ela tem uma poodle e o nome não importa. Eu apelidei o animal de “ opinião” (o cachorro, não a dona). Assim como a madama, aquele bicho acha que sabe tudo sobre qualquer coisa. Quer parecer gente, algo que ele não é. Mas minha amiga trata a cadelinha como um bebê de cinco meses. Todo mundo já passou por experiência semelhante e sabe muito bem do que estou falando.
Cada pessoa tem o animal que lhe cabe. Eu, pessoalmente, nada tenho contra aqueles que também tem uma “opinião” em casa. Mas os donos de “bom-senso” sabem que ele é um troço trabalhoso. O dono precisa ser responsável quando lida com o bicho. Demonstrar autoridade é tão essencial quanto dar carinho. Precisa cuidar. Estabelecer limites também é importantíssimo, porque, sem eles, o “bom-senso” vai acabar se metendo onde não deve e fazendo o que não pode.
Mas as pessoas com “opinião” a tira colo são completamente diferentes. Acham que ela pode e deve fazer tudo que quiser. E o bicho sabe disso, por isso mesmo é tão nojento e mimado. Elas ficam paparicando o animal, colocando roupinha diferente para cada ocasião, mostrando-o para todo mundo que passa – e sempre pedem um comentário sobre. E um xuxuzim pra cá, um amiguim pra lá. E a “opinião”, aquela peste, sempre está fazendo o que não pode e mexendo com quem não deve.
Imagine se o meu “bom-senso” encontra a “opinião”. Ela vai chamar o coitado pra briga e eu não quero nem ver. Mas isso acontece toda hora comigo. E as donas de “opiniões” sempre saem correndo, histéricas, desesperadas, atrás daquele animal incompetente, tentando evitar que sejam triturados pelas mandíbulas do meu “bom-senso”.
Bobinhos. Se soubessem que o “bom-senso” é tão educado e cavalheiro. E, além disso, é alimentado com ração de primeiríssima qualidade. Até parece que vai sair comendo qualquer coisa por aí. Ele só avança se eu ou ele formos atacados.
Mas nada disso importa. Mesmo se a “opinião” tivesse pedido a surra, toda culpa recairia sobre mim. Eu é que tenho um animal incontrolável, selvagem. Eles parecem querer que meu “bom-senso” fique paradinho enquanto a “opinião” deles lhe morde os calcanhares.
Tenham dó.
Eu odeio esses que tratam cachorros e opinião como pessoas. Eles não são. Se ficam tristonhos e indignados quando sua opinião é contestada, tranquem-na em casa, que nem poodle de apartamento. Evitem mostrá-la em público. Todo mundo tem o direito de ter uma opinião, mas é bom aprender os limites de cada uma – porque ninguém tem o dever de preservar essa coitada.
E quando você a coloca numa briga, saiba que se ela não se garantir, qualquer bom-senso irá reduzi-la a pó. E não adianta ficar chorando de cantinho depois, muito menos culpar outra pessoa pela situação. O único respeito a opinião que existe é a liberdade de qualquer um acreditar no que quiser. Eu só não tenho é o direito de esculhambar e torturar outro ser humano. Mas o meu bom-senso pode ser quão sádico desejar com qualquer opinião, incluindo aí as minhas e as suas.
Absolutamente genial
Ah, eu quero comentar!
Uma parábola cotidiana:
“Eu tinha uma blusa vermelha. Era feia, não servia direito, não caía bem, eu detestava.
Um dia tava frio e tive q sair com ela mesmo, pq não tinha outra no jeito.
Bom,… qdo voltava me dei conta:
Bosta! perdi a blusa!!!
- Fiquei puta…”
Beijooosss