Watchmen (2009)
Assisti a Watchmen nessa semana, depois de alguns meses ouvindo amigos elogiarem demais esse filme. Pela tradição, nenhum dos quadrinhos feitos pelo Alan Moore deram boas películas (exclui-se "From Hell" da lista). Não mesmo, nenhum prestou. A presença de Zack Snyder na direção levou esperança aos fãs, principalmente depois do maravilhoso 300, adaptação impecável dos quadrinhos de Frank Miller. Zack achava que Morre pensaria que o filme "até não ficou tão ruim". Mas o bolo terminou abatumado. É um lixo. Então por que tantos acharam o máximo, todos os ditos fãs da história?
Simples, uns não eram fãs realmente, outros sempre serão nerds idiotas.
Como sempre, vou partir para aquela digressão básica, na qual exponho a razão de Watchmen ser tão legal e dar todo o "panorama histórico" para te colocar, leitor, a par dos acontecimentos e, dessa forma, humilhar um monte de pessoas. Sigamos.
Watchmen foi escrito e se passa na América dos anos 80. A história é um realismo fantástico. Na época da guerra fria, muitos acreditavam que o mundo seria destruído por um holocausto nuclear. Como é comum no realismo fantástico, Moore pegou uma característica humana (que poderia ser real ou imaginária) – no caso, "E se super-heróis realmente existissem?" – e a extrapolou até o infinito dentro do cenário. Nesse mundo paralelo, os mascarados eram pessoas normais que anonimamente combatiam o crime, ou seja, o pior lado da humanidade. Mas como nada é perfeito na vida, existe a democracia, os medos do povo, a inveja e, com inda e vindas, o povo escolheu que os super-heróis não deviam desaparecer por uma única razão: quem iria controlar e fiscalizar a atividade deles?
Portanto, o vigilantismo foi banido e qualquer um que tentasse se sobrepor à lei seria caçado e preso.
Na época em que foi escrita (e hoje também), era proibido usar a criação de outra pessoa sem expressa permissão. Por isso Moore criou heróis que eram alter-egos de outros bem famosos dos anos 60, quase todos criados pelo Joe Gill (Capitão-Átomo, Besouro-Azul e outros). O Comediante é um dos poucos baseados em personagens da Marvel, no caso Nick Fury, e o Nite Owl, baseado em parte no DC Batman e Clark Kent. E tudo isso está até na Wikipédia. Chegam a ser ridículas certas resenhas. Joe Gill também e a razão dos desenhos terem o ar cinquentista-sessentista.
O melhor golpe de genialidade do quadrinho é usar heróis de verdade, e não mutantes ou seres de outros planetas. O único com superpoderes é um cara azul que um dia foi gente e sofreu um acidente. E nem ele é aleatório. Ele representa "a energia do potencial bélico do mundo". Aquele medo da guerra fria é o próprio Dr. Manhattan. Mas isso é simbolismo. O resto dos personagens é de carne e osso.
O autor optou pela humanidade desses personagens para passar o terror, o medo e a apreensão de um mundo preocupado com sua aniquilação. O ambiente sombrio levou todos a um ponto de quase loucura. Esse medo é representado pela reeleição vitalícia daquele que seria o Presidente Nixon, o medo de que um novo presidente não conseguisse "segurar a barra". Até essa abordagem muda no filme, que representa os políticos como malucos que pouco se importam com a população, rindo ao colocar a vida desses em risco. Toda densidade do roteiro da "revistinha" é perdido quando a produção do filme recusou a ver o verdadeiro significado da história, e apenas se resignaram em adaptar o visual e os balõeszinhos do papel para a película. Só isso explica a necessidade de manter fiel o visual da história em quadrinhos. E uma fidelidade questionável. Tudo bem colocar um falo azul na tela, mas a cena em que Rorschach, então nos 10 anos de idade, tira o cigarro da mão do brigão da escola para enfiar no olho dele foi cortada. Não vejo arrojo nisso. Sigamos.
Os desenhos de Dave Gibbons é uma alusão à era de ouro dos quadrinhos, nos anos 50 e 60. A forma, as cores, tudo remete ao design cru dessa época. Transportar desenhos estáticos para a ação de atores reais requer cuidados. Nem tudo que fica ótimo no rabisco funciona no cinema. O caso clássico é o grande desenhista Todd McFarlane. Esse cara revolucionou o desenho de quadrinhos no final dos oitenta e durante todo os anos 90. Mas nem por isso seu trabalho deu certo no cinema. O filme Spawn, que tentou retratar o traço de McFarlane, resultou em algo horrível de se ver. Aliás, o tema do visual quadrinhos sempre foi um dos problemas para adaptações de heróis desde o Batman de Tim Burton. Quem se interessa pela produção de filmes (coisa que cinéfilo e cineasta brasileiro não entendem) sabe que tal tópico é sempre problemático.
Alan Moore trabalha com o realismo fantástico, esse gênero literário que nunca dá bons filmes e confunde qualquer diretor. A melhor abordagem de Watchmen seria a realista, como aconteceu com Batman Beggins e Dark Night. Ou algo um tanto mais ousado: utilizar técnicas do cinema dos anos 60 no mundo real. Seria incrível o diretor conseguir harmonizar todos esses elementos. Aliás, os anos 80 só são usados porque é o auge do terror nuclear, e não porque a trilha sonora daquela época é boa. Quer dizer, é. Foi uma época divertida e de celebração para quem conhece mais do que as musiquinhas de festa PLOC 80. Mas ai veio o idiota do Kurt Cobain e estragou tudo. Sorte que ele teve o que merecia. A trilha sonora de Watchmen é sofrível. Na tentativa vã de criar um clima dos "oitenta", só conseguiu deixar a adaptação mais piegas ainda.
Certos filmes precisam não só de coragem na produção, mas também na realização. É preciso fugir dos nerds e geeks que nada entendem do que lêem. O termo "quadrinho adulto" deveria significar uma obra complexa apresentada com desenhos. Porém, parece que é apenas uma desculpa dos marmanjos que ainda moram no porão da casa dos pais. Heróis de carne e osso são mais complicados de entender, seja nos quadrinhos ou na vida real. No duro. Tem gente que se dispõe a "combater o crime" como os personagens imaginários. Só não entendo porque diretores e produtores não tem coragem de fazer um filme como ele deve ser feito. Watchmen deveria ser dirigido por Mel Stuart.
É tudo culpa dos fãs.
Desenho By Hanime87





Mandou bem… eu não gostei do filme tmb.