O presidente responde mesmo! Parte #1

julho 07 0 Comments Category: Asides

O Lula, como não podia deixar de ser, mandou os as­ses­sores res­pon­derem as per­guntas da tal coluna se­manal di­vulgada pelo Franklin. Nada de novo no front. Se­ma­nal­mente irei tra­duzir para o bom por­tuguês de Vossa Ex­ce­lência as res­postas es­critas pelos es­ta­giários de Hugo Chavez.

Na­tália Mi­randa Vieira, 36 anos, pro­fessora uni­ver­si­tária de Natal (RN) — Como o go­verno fe­deral vai ga­rantir que não haja uma sangria de di­nheiro pú­blico nas obras que serão re­a­li­zadas para a Copa de 2014, a exemplo da que ocorreu nas obras para os Jogos Pan-​americanos de 2007?

Luiz Inácio Lula da Silva–Não houve sangria do di­nheiro pú­blico. Os in­ves­ti­mentos no Pan su­pe­raram o pre­visto porque o pla­ne­ja­mento inicial, que não foi da res­pon­sa­bi­lidade do nosso go­verno, não previu itens ne­ces­sários para a exe­cução do evento, como por exemplo, se­gu­rança pú­blica e a ca­pa­cidade de 45 mil lu­gares do es­tádio João Ha­ve­lange, pro­jetado para apenas 10 mil pessoas. O go­verno fe­deral teve que arcar com com­pro­missos do estado e do mu­ni­cípio, o que não acon­tecerá com a Copa de 2014. Vamos fazer um pla­ne­ja­mento de­ta­lhado das obras e depois reunir re­pre­sen­tantes dos es­tados e dos mu­ni­cípios sedes para de­finir res­pon­sa­bi­li­dades, dando trans­pa­rência ao pro­cesso. O Mi­nis­tério do Es­porte vai mo­ni­torar as obras para que tudo esteja pronto antes de 2014.

A LULA: Nóis fez o que os homí fazia antes. Es­peremo até estar em cima da hora e aí ga­nhamo nosso di­nheirim. Já pra copa vai ser mais ar­retado, porque não vou estar pre­si­dente. Se a Dilma tiver, claro, vai ser do mesmo jeito, mas a gente espera passar uma lei que dê ao pre­si­dente o con­trole dessas obras. Vamu vê se em­placa. Agora, se o Serra me ferrar, a gente tira o di­nheiro pelas pre­fei­turas, como aprendemu em Porto Alegre.

Leila Dal­golbo, 41 anos, pen­si­o­nista de Ca­ri­acica (ES) — Em re­lação ao pro­grama Minha Casa, Minha Vida, gos­taria de saber por que não é feito o des­conto das pres­tações em folha do INSS e se le­galiza de vez a tão so­nhada casa própria dos menos fa­vo­re­cidos? E por que as pessoas não podem se ca­dastrar pelo com­pu­tador em vez de fi­carem mo­fando em imensas filas?

Luiz Inácio Lula da Silva–O des­conto na folha de pa­ga­mentos do INSS já é am­pla­mente adotado pelo sistema ban­cário bra­si­leiro e pode vir a ser re­a­lizado pelo pro­grama Minha Casa, Minha Vida. É uma se­gu­rança para os bancos e uma co­mo­didade para os pen­si­o­nistas. Em re­lação aos tra­ba­lha­dores da ativa, os des­contos po­derão vir a ser feitos na folha de pa­ga­mentos. Quanto à pos­si­bi­lidade de ca­das­tra­mento pela in­ternet, sua per­gunta é, na verdade, uma ótima su­gestão. As áreas es­pe­cí­ficas do go­verno serão aci­o­nadas para o estudo e a pos­sível adoção dessa al­ter­nativa. O ca­das­tra­mento também pode ser feito pelo 08007260101 da Caixa Econômica. O mais im­por­tante é que o pro­grama atende a boa parte da de­manda por mo­radia e cria um grande número de em­pregos na cons­trução civil e nas em­presas que pro­duzem telhas, tinta, canos, pias, ti­jolos, vasos, to­madas, tor­neiras, chu­veiros etc., tudo contado aos milhões.

A LULA: San­tinha, as casas é pra pobre, se eles não sabem ganhar di­nheiro, quer que mexam no com­pu­tador? Tenha dó. Além disso, o ne­gócio dessas casas tá parado e eu vou ter mais pro­blema com in­ternet? E se os pobres se ca­das­trarem? Não tem como fazer e o Serra me fode na eleição. Fica ai qui­e­tinha, di­zendo os mião de be­lezes do troço e para de ser chata.

Anna Maria Marcus, 60 anos, dona de casa de Di­adema (SP) — Diariamente a gente vê na te­le­visão o caos na saúde nos prin­cipais es­tados bra­si­leiros e o mau aten­di­mento nos hos­pitais pú­blicos. Porque é tão di­fícil ofe­recer as­sis­tência médica de qua­lidade pelo SUS?

Luiz Inácio Lula da Silva–Sa­bemos que há pro­blemas no SUS, como filas e di­fi­cul­dades para se marcar um exame ou con­sulta, o que é um trans­torno para as pessoas mais fra­gi­li­zadas. Co­nhe­cemos essas de­fi­ci­ências e es­tamos per­ma­nen­te­mente ten­tando eliminá-​las. A questão é que temos o maior sistema de saúde pú­blica do mundo. Imagine que 70% dos bra­si­leiros de­pendem ex­clu­si­va­mente dele. E o res­tante é be­ne­fi­ciado em cam­panhas de va­ci­nação, aten­di­mentos de ur­gência, trans­plantes e aqui­sição de me­di­ca­mentos de alto custo. O fi­nan­ci­a­mento desse sistema é um de­safio gi­gan­tesco. E as de­mandas au­mentam sem parar e variam de na­tureza, devido ao cres­ci­mento da po­pu­lação e da por­cen­tagem de idosos. De 2002 para 2008, a verba que o go­verno re­passa a es­tados e mu­ni­cípios tri­plicou, pas­sando de R$ 12 bi­lhões para R$ 37 bi­lhões. É bom lembrar ainda que, com a der­rubada da CPMF, per­demos volume ex­pressivo de re­cursos, que es­pe­ramos re­compor com a re­gu­la­men­tação, pelo Con­gresso, da Emenda Cons­ti­tu­cional 29.

A LULA: Quer mais o quê? Se tá doente, espera na fila, oras. Ou faz que nem a Dilma, tra­balha pra ganhar do Plano de Saúde do con­gresso as pí­rulas de 15 mil. Além do mais, imagina esse mundão de gente sau­dável, tra­ba­lhando, sem pre­cisar de mim? Ah, não mudo isso não. Além disso, os cara tiram um di­nhei­rinho daí, sabe, pra não ter que vender broche es­tre­linha e bandana. E a maioria desses duente é pua frescura. Minha mãe nasceu anal­fabeta, eu perdi um dedo e olha onde eu cheguei. Quem re­clama de gripe tem mais que se lascar.

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