O presidente responde mesmo! Parte #1
O Lula, como não podia deixar de ser, mandou os assessores responderem as perguntas da tal coluna semanal divulgada pelo Franklin. Nada de novo no front. Semanalmente irei traduzir para o bom português de Vossa Excelência as respostas escritas pelos estagiários de Hugo Chavez.
Natália Miranda Vieira, 36 anos, professora universitária de Natal (RN) — Como o governo federal vai garantir que não haja uma sangria de dinheiro público nas obras que serão realizadas para a Copa de 2014, a exemplo da que ocorreu nas obras para os Jogos Pan-americanos de 2007?
Luiz Inácio Lula da Silva–Não houve sangria do dinheiro público. Os investimentos no Pan superaram o previsto porque o planejamento inicial, que não foi da responsabilidade do nosso governo, não previu itens necessários para a execução do evento, como por exemplo, segurança pública e a capacidade de 45 mil lugares do estádio João Havelange, projetado para apenas 10 mil pessoas. O governo federal teve que arcar com compromissos do estado e do município, o que não acontecerá com a Copa de 2014. Vamos fazer um planejamento detalhado das obras e depois reunir representantes dos estados e dos municípios sedes para definir responsabilidades, dando transparência ao processo. O Ministério do Esporte vai monitorar as obras para que tudo esteja pronto antes de 2014.
A LULA: Nóis fez o que os homí fazia antes. Esperemo até estar em cima da hora e aí ganhamo nosso dinheirim. Já pra copa vai ser mais arretado, porque não vou estar presidente. Se a Dilma tiver, claro, vai ser do mesmo jeito, mas a gente espera passar uma lei que dê ao presidente o controle dessas obras. Vamu vê se emplaca. Agora, se o Serra me ferrar, a gente tira o dinheiro pelas prefeituras, como aprendemu em Porto Alegre.
Leila Dalgolbo, 41 anos, pensionista de Cariacica (ES) — Em relação ao programa Minha Casa, Minha Vida, gostaria de saber por que não é feito o desconto das prestações em folha do INSS e se legaliza de vez a tão sonhada casa própria dos menos favorecidos? E por que as pessoas não podem se cadastrar pelo computador em vez de ficarem mofando em imensas filas?
Luiz Inácio Lula da Silva–O desconto na folha de pagamentos do INSS já é amplamente adotado pelo sistema bancário brasileiro e pode vir a ser realizado pelo programa Minha Casa, Minha Vida. É uma segurança para os bancos e uma comodidade para os pensionistas. Em relação aos trabalhadores da ativa, os descontos poderão vir a ser feitos na folha de pagamentos. Quanto à possibilidade de cadastramento pela internet, sua pergunta é, na verdade, uma ótima sugestão. As áreas específicas do governo serão acionadas para o estudo e a possível adoção dessa alternativa. O cadastramento também pode ser feito pelo 0800−726−0101 da Caixa Econômica. O mais importante é que o programa atende a boa parte da demanda por moradia e cria um grande número de empregos na construção civil e nas empresas que produzem telhas, tinta, canos, pias, tijolos, vasos, tomadas, torneiras, chuveiros etc., tudo contado aos milhões.
A LULA: Santinha, as casas é pra pobre, se eles não sabem ganhar dinheiro, quer que mexam no computador? Tenha dó. Além disso, o negócio dessas casas tá parado e eu vou ter mais problema com internet? E se os pobres se cadastrarem? Não tem como fazer e o Serra me fode na eleição. Fica ai quietinha, dizendo os mião de belezes do troço e para de ser chata.
Anna Maria Marcus, 60 anos, dona de casa de Diadema (SP) — Diariamente a gente vê na televisão o caos na saúde nos principais estados brasileiros e o mau atendimento nos hospitais públicos. Porque é tão difícil oferecer assistência médica de qualidade pelo SUS?
Luiz Inácio Lula da Silva–Sabemos que há problemas no SUS, como filas e dificuldades para se marcar um exame ou consulta, o que é um transtorno para as pessoas mais fragilizadas. Conhecemos essas deficiências e estamos permanentemente tentando eliminá-las. A questão é que temos o maior sistema de saúde pública do mundo. Imagine que 70% dos brasileiros dependem exclusivamente dele. E o restante é beneficiado em campanhas de vacinação, atendimentos de urgência, transplantes e aquisição de medicamentos de alto custo. O financiamento desse sistema é um desafio gigantesco. E as demandas aumentam sem parar e variam de natureza, devido ao crescimento da população e da porcentagem de idosos. De 2002 para 2008, a verba que o governo repassa a estados e municípios triplicou, passando de R$ 12 bilhões para R$ 37 bilhões. É bom lembrar ainda que, com a derrubada da CPMF, perdemos volume expressivo de recursos, que esperamos recompor com a regulamentação, pelo Congresso, da Emenda Constitucional 29.
A LULA: Quer mais o quê? Se tá doente, espera na fila, oras. Ou faz que nem a Dilma, trabalha pra ganhar do Plano de Saúde do congresso as pírulas de 15 mil. Além do mais, imagina esse mundão de gente saudável, trabalhando, sem precisar de mim? Ah, não mudo isso não. Além disso, os cara tiram um dinheirinho daí, sabe, pra não ter que vender broche estrelinha e bandana. E a maioria desses duente é pua frescura. Minha mãe nasceu analfabeta, eu perdi um dedo e olha onde eu cheguei. Quem reclama de gripe tem mais que se lascar.


