Minha biblioteca, como as histórias de amor, também é um clichê. Talvez a de todo mundo seja, mesmo que ninguém admita. Eu gosto de passar por ela, e me pego, às vezes, admirando os livrinhos enfileirados. Sinto uma sensação tão grande de orgulho que só pode ser pecado. “Padre, perdoe porque eu pequei. Faz 16 anos desde minha última confissão. Eu olho a minha biblioteca é fico todo orgulhoso…”.
Um muro de pedras é uma coisa linda quando você o vê margeando um campo no meio do nada, mas fica mais impressionante quando você se dá conta de que foi construído sem argamassa, que o construtor precisou escolher cada pedra e coloca-la lá. Escrever é como construir um muro. ë uma busca contínua pela palavra que se encaixará no texto, na sua mente, na página. Trama e personagens e metáforas e estilo, tudo isso se torna secundário para as palavras