Em longas viagens de trem pelo interior da China, a dois mil quilômetros de Beijing, tive tempo de adicionar alguns verbetes à minha ansiosamente esperada obra “Enciclopédia da Ignorância”. Recebi propostas de vários editores, sendo que a mais atraente sugeria um nome para o “magnum opus”; - “Bagunçologia”. Eis os novos verbetes que interessarão aos segmentos mais esclarecidos da sociedade. Se o inquestionável brilho e erudição lexicográfica acima revelados não me credenciarem para a Academia Brasileira de Letras, é porque não há justiça social nesse país.
O tratamento do processo jurídico pelos jornalistas é deficitário não por causa de uma norma corporativa, e sim porque os jornalistas nada ou pouco sabem sobre o sistema jurídico. Os jornalistas não sabem, nem querem, aprender a ler processos. Os jornalistas acham o tempo de trâmite no judiciário longo e tedioso. Acusam os patrões de exigirem prazos imediatos para a entrega de matéria. O tempo de apuração e de redação de uma notícia não são tão curtos. O que falta à maioria dos profissionais é conhecimento e competência para exercer suas funções.
Minha biblioteca, como as histórias de amor, também é um clichê. Talvez a de todo mundo seja, mesmo que ninguém admita. Eu gosto de passar por ela, e me pego, às vezes, admirando os livrinhos enfileirados. Sinto uma sensação tão grande de orgulho que só pode ser pecado. “Padre, perdoe porque eu pequei. Faz 16 anos desde minha última confissão. Eu olho a minha biblioteca é fico todo orgulhoso…”.
Invente de convidar uma mulher para um jantar hoje em dia. Tente, no primeiro encontro, rachar a conta (principalmente se ela não tocou no assunto). Se quisesse levá-la para a cama, pode esquecer. O feminismo tem suas limitações. Algumas acreditam ser não só iguais, mas superior a qualquer homem. Acho isso tão feio, talvez eu esteja ultrapassado.