Política Não é Mais empolgante do que futebol?

novembro 27 1 Comment Category: Politics

Fight for the ball

Fight for the ball

Eu já me acos­tumei com o fato: aqui no Brasil tudo se resume a fu­tebol. Da po­lítica aos re­la­ci­o­na­mentos amo­rosos. Se alguém do PSDB falou uma as­neira, todo mundo tem que con­cordar, afinal, é um time (sem go­leiro e nem ata­cante, mas é). Igual no PT, PSOL ou PSTU. Quando um na­morado trai, a na­morada nem dá bola se o placar está 4 a 3. Só sai di­vórcio quando um dos dois anda dando de go­leada (péssima cons­trução, não é?).

É o que a gente vê no caso do Bat­tisti, aquele ita­liano dado mais ao ter­ro­rismo ao invés da arte da ma­car­ronada. O placar da tarde é sempre entre Lula/​Dilma vs Serra/​Aécio. Se alguém é contra o PT, tem que ser a favor do aborto, ou não, quem sabe? Você acom­panha o Rei­naldo Azevedo, mas basta dis­cor­darem para deixar a ad­mi­ração e, quiça, a amizade de lado.

Eu fiz uma rápida pes­quisa no meu pub, o Fin­negans, sobre times e tor­ce­dores, du­rante uma semana… e não com os bra­si­leiros, é claro. Meu ma­terial de análise foram os es­tran­geiros que lá freqüentam. Usando a me­to­do­logia padrão do IBGE, ques­tionei meus co­legas de copo, “Whatzzzup, man, which team do you cheer for?”. Depois de ter­minada a meia hora de go­zação (dis­seram que essa cons­trução é old school demais até pra mim), eis os resultados.

  • Entre os ame­ri­canos, 3 torciam para algum time da NBA, 4 para NFL, 2 para MLB, e um para a NHL.
  • Entre os in­gleses, 3 torciam para um time de fu­tebol (um club inglês, claro), e outros 2 gos­tavam é de rugbi.
  • O francês era um chato, e ne­nhuma res­posta com­pre­en­sível veio do canadense.
  • OBS: Dois fatos inu­si­tados acon­te­ceram nesse meio tempo. As na­mo­radas dos ame­ri­canos se ir­ri­taram quando eu não as ques­tionei. Noutro dia eu também fiz tais per­guntas para alguns amigos gays e recebi como res­posta “pros me­ninos, oras, bo­binho”. Enfim…

Lógico, eu já es­perava isso. So­mente no brasil mi­núsculo Soccer tem tanta im­por­tância. Eu co­mecei a es­crever esse texto há mais de um mês. Hoje mesmo o Ale­xandre mandou uma bem acertada contra essa cultura de ma­ricas que é a do bra­si­leiro. Tudo se resume a um Fla-​Flu. Ou você torce comigo ou é do time con­trário, por­tanto um inimigo que eu devo matar sem qualquer piedade.

Como isso é piegas.

O fu­tebol é um es­porte um tanto pri­mitivo. O que nos define como seres hu­manos é a plena cons­ci­ência no uso do po­legar opo­sitor, como clas­si­fi­caria aquele fra­cassado ci­neasta gaucho. Tanto que os go­leiros, ao con­trário dos Ro­nal­dinhos, nem saem com tra­vestis e , ao menos, com­ple­taram di­reito o pri­meiro grau*. Já o resto…

Sim, jo­gador de fu­tebol “fatura” bem no Brasil. Mas nenhum deles chega aos pés do ter­ceiro quar­terback do último time uni­ver­si­tário de Fu­tebol Ame­ricano. Ro­mário, hoje, está perto da fa­lência. Ro­naldo, o dito “fenômeno”, não con­seguiu manter um ca­sa­mento, perdeu uma Copa do Mundo por causa disso e está aí do jeito que con­segue. O outro, o gaúcho, amarela tanto que anda no banco. Gar­rincha morreu de cirrose e o Pelé nem chorou na morte da filha.

Magic” Jo­nhson con­traiu HIV e con­seguiu manter um ca­sa­mento. Hoje, é uma das mais im­por­tantes fi­guras ame­ri­canas a apoiar uma so­lução para o as­sunto. Mi­chael Jordam, nem preciso dizer, é um ícone. Nos últimos se­gundos do último jogo da final pede em alto e bom tom e bola para si, faz a cesta e leva o cam­pe­onato (as­sista). De­safio qualquer bra­si­leiro a me mostrar algum exemplo se­me­lhante. E, olha, os ame­ri­canos são mais fa­ná­ticos do que os tor­ce­dores bra­si­leiros, nem por isso se matam no estádio.

Muito pelo contrário.

Já na Terra da Banana, apenas uma simples opinião con­trária é capaz de exaltar os ânimos, co­locar em xeque suas crenças e ainda gerar um tu­multo idiota. É a cultura do fu­tebol , in­fectou todo mundo.

O ter­rível nesse com­por­ta­mento é des­pertar o sistema de ra­ci­o­cínio humano também pri­mitivo. So­mando a isso a com­ple­xidade da vida mo­derna, surge em nossa frente um ce­nário muito pe­rigoso. O pe­riodo Lula nos levou a uma enorme de­ca­dência moral, não só na po­lítica, mas nos cos­tumes como um todo. Poucos, ou mesmo ninguém se ocupa de des­cobrir as causas disto. Creio que ninguém quer mesmo nem ver os sin­tomas dessa doença. Mas ela está aí. Roubo, cor­rupção. As­sas­si­natos mais ig­nóbeis do que antes. Fetos em lixão. Nada mais nos atinge, nos as­susta, nos provoca in­dig­nação. Claro, maldade com animais e fumar ci­garros são coisas terríveis…

O ra­ci­o­cínio pri­mitivo é aquele da so­bre­vi­vência a qualquer custo. Bem, não pre­ci­samos mais caçar di­nos­sauros. Na po­lítica, a so­bre­vi­vência é o in­di­víduo dentro do co­letivo par­ti­dário. O in­di­víduo é ele e suas von­tades e opi­niões. Isso é Lula, o homem que não gosta de perder, gosta de ser o centro das atenções, que re­pudia ser con­tra­riado e sempre está correto. E por que ele precisa sempre ser assim, nem le­vando em conta o co­letivo, coisas mais im­por­tantes do que ele, como o país, a cons­ti­tuição, as leis? Bem, porque para um ser pri­mitivo, apenas ele im­porta, entendeu?

Há um di­nos­sauro na sua frente. Que se lasque o resto!

A com­ple­xidade da vida mo­derna termina de trans­formar a loucura de um homem em ca­la­midade. Em uma es­pécie de epi­demia. Vejam o H1N1, a gripe do porco. Co­meçou num vi­larejo já es­quecido no México e tornou-​se um monstro. Lula foi um me­ta­lúrgico in­com­pe­tente que ar­rancou o próprio dedo e tornou-​se um monstro. Con­ta­minou a po­lítica. Com isso, con­ta­minou a moral também. Mas o Brasil tem suas pe­cu­li­a­ri­dades. Gos­tamos de fu­tebol. É o toma lá da cá. É isso ou aquilo. É ser sim­plista, re­duzir tudo para sim­pli­ficar o pensamento.

Re­du­ziram tudo para um pobre imi­grante que lutou contra todas tudo o de pior que a vida pro­duziu para se tornar pre­si­dente da Re­pú­blica e ter­mi­namos com isso?

Não, logo mais te­remos um monstro de verdade mesmo. Trato disso em outro texto.

* — Sim, há ex­ceções, até mesmo no Co­rinthians, mesmo que ela ande ras­pando a cabeça e per­dendo parte do bom-​senso que sempre teve. Serve como aviso aos desavisados.

Foto: Fight fot the ball — Tikun

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One Response

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  1. Try “Any Given Sunday”, do Oliver Stone, com o Al Pacino: com certeza você já viu!

    Po­deria ter sido filmado no Brasil.

    Sempre in­cisivo, seu pen­sa­mento flui cada vez mais claro e desconcertante.

    Abraço.

    Renato van Wilpe Bach 18 dezembro 2009 at 16:34 Permalink

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