Política Não é Mais empolgante do que futebol?
Eu já me acostumei com o fato: aqui no Brasil tudo se resume a futebol. Da política aos relacionamentos amorosos. Se alguém do PSDB falou uma asneira, todo mundo tem que concordar, afinal, é um time (sem goleiro e nem atacante, mas é). Igual no PT, PSOL ou PSTU. Quando um namorado trai, a namorada nem dá bola se o placar está 4 a 3. Só sai divórcio quando um dos dois anda dando de goleada (péssima construção, não é?).
É o que a gente vê no caso do Battisti, aquele italiano dado mais ao terrorismo ao invés da arte da macarronada. O placar da tarde é sempre entre Lula/Dilma vs Serra/Aécio. Se alguém é contra o PT, tem que ser a favor do aborto, ou não, quem sabe? Você acompanha o Reinaldo Azevedo, mas basta discordarem para deixar a admiração e, quiça, a amizade de lado.
Eu fiz uma rápida pesquisa no meu pub, o Finnegans, sobre times e torcedores, durante uma semana… e não com os brasileiros, é claro. Meu material de análise foram os estrangeiros que lá freqüentam. Usando a metodologia padrão do IBGE, questionei meus colegas de copo, “Whatzzzup, man, which team do you cheer for?”. Depois de terminada a meia hora de gozação (disseram que essa construção é old school demais até pra mim), eis os resultados.
- Entre os americanos, 3 torciam para algum time da NBA, 4 para NFL, 2 para MLB, e um para a NHL.
- Entre os ingleses, 3 torciam para um time de futebol (um club inglês, claro), e outros 2 gostavam é de rugbi.
- O francês era um chato, e nenhuma resposta compreensível veio do canadense.
- OBS: Dois fatos inusitados aconteceram nesse meio tempo. As namoradas dos americanos se irritaram quando eu não as questionei. Noutro dia eu também fiz tais perguntas para alguns amigos gays e recebi como resposta “pros meninos, oras, bobinho”. Enfim…
Lógico, eu já esperava isso. Somente no brasil minúsculo Soccer tem tanta importância. Eu comecei a escrever esse texto há mais de um mês. Hoje mesmo o Alexandre mandou uma bem acertada contra essa cultura de maricas que é a do brasileiro. Tudo se resume a um Fla-Flu. Ou você torce comigo ou é do time contrário, portanto um inimigo que eu devo matar sem qualquer piedade.
Como isso é piegas.
O futebol é um esporte um tanto primitivo. O que nos define como seres humanos é a plena consciência no uso do polegar opositor, como classificaria aquele fracassado cineasta gaucho. Tanto que os goleiros, ao contrário dos Ronaldinhos, nem saem com travestis e , ao menos, completaram direito o primeiro grau*. Já o resto…
Sim, jogador de futebol “fatura” bem no Brasil. Mas nenhum deles chega aos pés do terceiro quarterback do último time universitário de Futebol Americano. Romário, hoje, está perto da falência. Ronaldo, o dito “fenômeno”, não conseguiu manter um casamento, perdeu uma Copa do Mundo por causa disso e está aí do jeito que consegue. O outro, o gaúcho, amarela tanto que anda no banco. Garrincha morreu de cirrose e o Pelé nem chorou na morte da filha.
“Magic” Jonhson contraiu HIV e conseguiu manter um casamento. Hoje, é uma das mais importantes figuras americanas a apoiar uma solução para o assunto. Michael Jordam, nem preciso dizer, é um ícone. Nos últimos segundos do último jogo da final pede em alto e bom tom e bola para si, faz a cesta e leva o campeonato (assista). Desafio qualquer brasileiro a me mostrar algum exemplo semelhante. E, olha, os americanos são mais fanáticos do que os torcedores brasileiros, nem por isso se matam no estádio.
Muito pelo contrário.
Já na Terra da Banana, apenas uma simples opinião contrária é capaz de exaltar os ânimos, colocar em xeque suas crenças e ainda gerar um tumulto idiota. É a cultura do futebol , infectou todo mundo.
O terrível nesse comportamento é despertar o sistema de raciocínio humano também primitivo. Somando a isso a complexidade da vida moderna, surge em nossa frente um cenário muito perigoso. O periodo Lula nos levou a uma enorme decadência moral, não só na política, mas nos costumes como um todo. Poucos, ou mesmo ninguém se ocupa de descobrir as causas disto. Creio que ninguém quer mesmo nem ver os sintomas dessa doença. Mas ela está aí. Roubo, corrupção. Assassinatos mais ignóbeis do que antes. Fetos em lixão. Nada mais nos atinge, nos assusta, nos provoca indignação. Claro, maldade com animais e fumar cigarros são coisas terríveis…
O raciocínio primitivo é aquele da sobrevivência a qualquer custo. Bem, não precisamos mais caçar dinossauros. Na política, a sobrevivência é o indivíduo dentro do coletivo partidário. O indivíduo é ele e suas vontades e opiniões. Isso é Lula, o homem que não gosta de perder, gosta de ser o centro das atenções, que repudia ser contrariado e sempre está correto. E por que ele precisa sempre ser assim, nem levando em conta o coletivo, coisas mais importantes do que ele, como o país, a constituição, as leis? Bem, porque para um ser primitivo, apenas ele importa, entendeu?
Há um dinossauro na sua frente. Que se lasque o resto!
A complexidade da vida moderna termina de transformar a loucura de um homem em calamidade. Em uma espécie de epidemia. Vejam o H1N1, a gripe do porco. Começou num vilarejo já esquecido no México e tornou-se um monstro. Lula foi um metalúrgico incompetente que arrancou o próprio dedo e tornou-se um monstro. Contaminou a política. Com isso, contaminou a moral também. Mas o Brasil tem suas peculiaridades. Gostamos de futebol. É o toma lá da cá. É isso ou aquilo. É ser simplista, reduzir tudo para simplificar o pensamento.
Reduziram tudo para um pobre imigrante que lutou contra todas tudo o de pior que a vida produziu para se tornar presidente da República e terminamos com isso?
Não, logo mais teremos um monstro de verdade mesmo. Trato disso em outro texto.
* — Sim, há exceções, até mesmo no Corinthians, mesmo que ela ande raspando a cabeça e perdendo parte do bom-senso que sempre teve. Serve como aviso aos desavisados.
Foto: Fight fot the ball — Tikun




Try “Any Given Sunday”, do Oliver Stone, com o Al Pacino: com certeza você já viu!
Poderia ter sido filmado no Brasil.
Sempre incisivo, seu pensamento flui cada vez mais claro e desconcertante.
Abraço.