Minhas guitarras [Parte I]

julho 30 0 Comments Category: Música

Brinquedo Novo 2

Gibson SG + Case

Eu tenho al­gumas gui­tarras. Gosto de dar nomes a cada uma. Eu gosto de dar nomes para quase tudo que eu tenho e prezo de alguma forma. No caso dos ins­tru­mentos, reza a tra­dição do blues que precisa ser um nome de mulher. Adoro essas lendas e cren­dices do estilo. Por isso mesmo re­solvi seguir.

Mas com meu pri­meiro violão foi di­fe­rente. Ganhei esse Gi­annini do meu pai, quando mal tinha ta­manho para segurá-​lo. Se du­vidar, o ins­tru­mento é mais velho do que eu. Enfim, em ho­me­nagem a meu pai batizei-​o de Val, o apelido dele. Ou seja, nessa guitar em não segui a tra­dição ao pé da letra.

Minha pri­meira gui­tarra eu comprei há dez anos, uma Fender Stra­to­caster. Bem, ela não é bem uma Fender, mas uma marca mais aces­sível da linha chamada Squire. Ela é bem mais leve do que uma Strato normal, e cos­tumam chamá-​la de gui­tarra de penas. Mas o nome dela é Lu. Lu, apelido de Luiza, minha mamãe. A razão disso, bem, quando comprei a gui­tarra, dividi o valor em al­gumas vezes. Mas nas duas últimas pres­tações, tive uma pe­quena falha de saldo de conta-​corrente e ela fez esse imenso favor, pagar o que eu devia pela Lu.

Depois disso, na casa dos meus primos no in­terior do Rio Grande do Sul, achei um violão de 12 cordas Gi­annini mais antigo do que o meu pri­meiro, en­tre­tanto, ele se en­con­trava num estado las­ti­mável de con­ser­vação. O tampão estava des­gru­dando, o violão estava co­berto de ade­sivos hor­ríveis da década de 8090. Meu primo re­cebeu ele numa troca ou algum rolo do tipo. Comprei a viola por uma mi­xaria, e meu primo vendeu-​o para mim por uma mi­xaria porque a viola ocupava espaço demais.

No fim das férias voltei a Campo Grande e es­queci a viola por um tempo. Mas um dia, porém, re­solvi leva-​lo a um luthier para saber, afinal, se ainda existia alguma vida no ins­tru­mento. E so­mente um mago po­deria trazer a viola de volta a vida. Comprei uma cap­tação pro­fis­sional e levei tudo para o Vander, o luthier em questão. Ele ficou as­sustado com o estado da viola mas re­solveu tentar arruma-​la. Voltei umas duas se­manas depois.

Antes mesmo de entrar na oficina, o Vander me ofe­receu quase quatro dí­gitos por ela. Eu não aceitei. Quando ele a trouxe e eu dei o pri­meiro acorde, vi que tinha feito um dos me­lhores ne­gócios desse mundo. Eu tinha nas mãos um Folk Gi­annini 12 cordas que cantava ma­ra­vi­lho­sa­mente. O som era tão bom que o Vander se re­cusou a furá-​lo e co­locar a cap­tação pro­fis­sional. Me re­co­mendou comprar, isso sim, um bom microfone.

Essa é a his­tória da Cris, minha viola de 12 cordas. Cris, de Cris­tiane, uma ex-​namorada que com­par­tilhou muito comigo, e que é tão linda quanto a outra Cris. Não po­deria ter sido outro nome.

No próximo post conto a his­tória da J. e da Léo, meu outro violão e minha outra guitarra.

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