Minhas guitarras [Parte I]
Eu tenho algumas guitarras. Gosto de dar nomes a cada uma. Eu gosto de dar nomes para quase tudo que eu tenho e prezo de alguma forma. No caso dos instrumentos, reza a tradição do blues que precisa ser um nome de mulher. Adoro essas lendas e crendices do estilo. Por isso mesmo resolvi seguir.
Mas com meu primeiro violão foi diferente. Ganhei esse Giannini do meu pai, quando mal tinha tamanho para segurá-lo. Se duvidar, o instrumento é mais velho do que eu. Enfim, em homenagem a meu pai batizei-o de Val, o apelido dele. Ou seja, nessa guitar em não segui a tradição ao pé da letra.
Minha primeira guitarra eu comprei há dez anos, uma Fender Stratocaster. Bem, ela não é bem uma Fender, mas uma marca mais acessível da linha chamada Squire. Ela é bem mais leve do que uma Strato normal, e costumam chamá-la de guitarra de penas. Mas o nome dela é Lu. Lu, apelido de Luiza, minha mamãe. A razão disso, bem, quando comprei a guitarra, dividi o valor em algumas vezes. Mas nas duas últimas prestações, tive uma pequena falha de saldo de conta-corrente e ela fez esse imenso favor, pagar o que eu devia pela Lu.
Depois disso, na casa dos meus primos no interior do Rio Grande do Sul, achei um violão de 12 cordas Giannini mais antigo do que o meu primeiro, entretanto, ele se encontrava num estado lastimável de conservação. O tampão estava desgrudando, o violão estava coberto de adesivos horríveis da década de 80 e 90. Meu primo recebeu ele numa troca ou algum rolo do tipo. Comprei a viola por uma mixaria, e meu primo vendeu-o para mim por uma mixaria porque a viola ocupava espaço demais.
No fim das férias voltei a Campo Grande e esqueci a viola por um tempo. Mas um dia, porém, resolvi leva-lo a um luthier para saber, afinal, se ainda existia alguma vida no instrumento. E somente um mago poderia trazer a viola de volta a vida. Comprei uma captação profissional e levei tudo para o Vander, o luthier em questão. Ele ficou assustado com o estado da viola mas resolveu tentar arruma-la. Voltei umas duas semanas depois.
Antes mesmo de entrar na oficina, o Vander me ofereceu quase quatro dígitos por ela. Eu não aceitei. Quando ele a trouxe e eu dei o primeiro acorde, vi que tinha feito um dos melhores negócios desse mundo. Eu tinha nas mãos um Folk Giannini 12 cordas que cantava maravilhosamente. O som era tão bom que o Vander se recusou a furá-lo e colocar a captação profissional. Me recomendou comprar, isso sim, um bom microfone.
Essa é a história da Cris, minha viola de 12 cordas. Cris, de Cristiane, uma ex-namorada que compartilhou muito comigo, e que é tão linda quanto a outra Cris. Não poderia ter sido outro nome.
No próximo post conto a história da J. e da Léo, meu outro violão e minha outra guitarra.



