Enfim, de volta ao lar

agosto 31 0 Comments Category: Style Guy

I used to be a stereotype

I Used To Be a Sterotyoe

Depois de seis anos sem pa­ra­deiro certo ao final do dia, fi­nal­mente re­torno ao lar. Bem, na verdade eu acabo de chegar porque é um apar­ta­mento novo. Casa nova. Móveis novos. Contas novas. Tudo o que há de melhor nessa vida.

Viver de aluguel é um in­ferno. Tive que agüentar um vi­zinho apren­dendo bongô. Ma­cacos são menos ir­ri­tantes. Noutra vez, era a briga do casal de baixo, mais in­te­res­sante, porque toda vez que o marido vi­ajava, sua esposa me con­vidava para a fes­tinha de amigas no apê. Outro pro­blema é as in­ter­mi­náveis re­formas. Não acredito que mudar um piso demore de três a cinco meses. Eu sei, o di­nheiro anda curto, mas isso é pa­lhaçada. Mas a pior ex­pe­ri­ência é aprender que seu vi­zinho de cima é chamado pela na­tureza pon­tu­al­mente a uma hora da manhã – e eu obrigado a ouvir tudo.

É outra sen­sação estar na SUA casa. Por mais di­nheiro que você possua, mesmo po­dendo bancar um bom aluguel in­de­fi­ni­da­mente até o fim de duas vidas, tudo muda quando o pedaço de chão em­baixo dos seus pés é seu. Ok, dá para morar em um Flat du­rante a fase de pes­quisa e aqui­sição. Creio ser acei­tável morar até de­baixo da ponte nesse pe­ríodo. Não en­tendo a cabeça de es­ti­lista que adora morar em Flat. É ser mu­lher­zinha demais não querer também lavar e passar. A li­be­ração sexual é, sem dúvida ne­nhuma, uma coisa incrível.

Claro que du­rante os anos fiz ami­zades com outros pro­pri­e­tários. Sinto falta deles. Andar com meu cão de ma­drugada para botar a con­versa em dia. Sinto falta até das fo­focas dos prédios (eu devo ter ori­ginado um pu­nhado delas). Esse era o lado po­sitivo no in­qui­linato: não estar nem aí para qualquer pro­blema do imóvel. Eu podia dar de ombros a qualquer re­cla­mação, aviso, in­ti­mação, reunião, proi­bição, etc. Não me pre­o­cupava muito com o con­do­mínio em si.

Não que eu me im­porte agora, é claro. Como pro­pri­e­tário, dou de ombros para qualquer ombros a qualquer re­cla­mação, aviso, in­ti­mação, reunião, proi­bição, etc.

Perco a noite de sono pen­sando se devo comprar a mesa de jantar branca ou a preta. Se ad­quiro 6 ou 12 pufs. Quantas pra­te­leiras deve ter a es­tante do es­cri­tório. Onde e de qual ta­manho deve ser meu bar. Se fumo meu ci­garro com uísque atirado no sofá ou na sacada. Eu sei, a vida de­veria ser mais di­fícil, mas não consigo me pre­o­cupar demais com ela.

Eu gosto mesmo é do meu cão.

Photo: Day One Hundred Ninety Four

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