Ministério Público, Maísa, SBT

Maísa

Maísa

Dois mil e nove é o ano do cansaço. No duro, não tenho vontade e nem pique para es­crever. Tudo é re­peteco. Não adianta dizer, falar, ex­plicar. O Brasil fica mais burro a cada dia. E na vida não existe control-​z. O povo tem o dever cívico de ser ali­enado em certas áreas. Por exemplo, um povo que muito se in­te­ressa por po­lítica acaba fa­zendo merda. Veja a Ale­manha pós Pri­meira Guerra Mundial, ou a Rússia antes da URSS. Por causa disso, os Ame­ri­canos le­vavam van­tagem sobre o resto do mundo: po­lítica era pre­o­cu­pação de poucos. Bastou o poveco se in­te­ressar (afinal, o di­nheiro não falta para eles) para ele­gerem um Hussein nos USA.

Pois bem, nos tempos de far­mácia com “ph”, as fa­mílias es­tavam ten­tando educar bem seus filhos. Houve acertos e erros nessa his­tória (veja o caso do Zi­raldo e do Jaguar), mas tudo bem. Ao menos eles não es­tavam pre­o­cu­pados em co­locar o Mi­nis­tério Pú­blico no pé de gente bem criada e de su­cesso. Isso acabou também. A moda agora e criar cam­panhas para li­berar a Maísa. Um dos Los Her­manos re­solveu criar uma cam­panha. A banda de­veria co­locar um selo da ABRINQ nos discos e es­taria fa­zendo melhor.

As­sisti aos tais vídeos, eles estão no YouTube. Não vi ali nenhum abuso contra a criança, pelo con­trário. Sei lá como esses “pro­te­tores de cri­an­cinhas” cuidam ou deixam de cuidar de seus filhos, mas não deve ser a melhor in­fância já que viram algum abuso na in­te­ração Sílvio Santos–Maísa. Milha fa­mília é ita­liana, alemã e índia. Sempre que qualquer um fazia pirraça, tios e tias agiam do mesmo modo, brin­cando até a gente parar de manha. Tem gente que bate. Errado. Tem gente que lambe os filhos e acaba criando De­pu­tados e De­pu­tadas mi­mados – gente que chama se­gu­rança pra re­solver briga de co­légio e depois atropela e mata inocentes.

Essa falta de senso em re­lação a cri­anças não é a causa, mas a con­seqüência de uma ide­o­logia edu­ca­cional. E ela é ex­tre­ma­mente ri­dícula e pa­ra­doxal. No pri­meiro lado, a criança e o ado­les­cente tem tantos di­reitos que, na prática, anulam qualquer dever deles. Isso se ma­ni­festa na falta de edu­cação e res­peito que eles têm diante do pro­fessor, pai, qualquer adulto. Basta ver os pro­gramas de babás e afins que passam no GNT. Basta ver a si­tuação das es­colas em qualquer lugar do mundo. As cri­anças são in­ca­pazes de di­fe­renciar o certo e o errado, e de de­co­di­ficar os sinais so­ciais. Maísa, ao con­trário, é melhor do que todos. Ela pode ter medo, dar berros, mas con­segue es­ta­be­lecer uma re­lação com Sílvio e, mi­nutos depois, es­quecer o choro e voltar a ser uma menina alegra. Criança buscar o colo da mãe e do pai é normal. Criança bater a cabeça é normal. É dessa forma que apren­demos a não cair da árvore e quebrar o pescoço. É assim que de­du­zimos na mais tenra idade que fogos de ar­ti­fício ex­plode e pode ar­rancar as mãos.

A edu­cação na base da con­versa pura é pre­ju­dicial porque retira da criança os exemplos. A criança aprende que cair de bi­ci­cleta ma­chuca porque vêem os mais velhos se es­tri­bu­chando no chão. Quando perdem a re­fe­rência, acre­ditam que sacos plás­ticos podem ser para-​quedas e pulam do 13º andar. A mãe deixar uma criança de 13 anos so­zinha e ir fazer compras é normal, porque, enfim, para essa gente alguém com 13º anos é uma pessoa normal, um ado­les­cente. Bem, essa mãe des­cobriu que não era tarde demais. Na minha in­fância, antes de fazer uma bes­teira, a gente sabia que pre­ci­sá­vamos testar a bes­teira antes e depois fazer. Ao invés de morrer, só que­brá­vamos um braço.

A se­gunda e mais hor­renda parte da atual edu­cação está na subs­ti­tuição do papel edu­cador dos jovens. Hoje, ninguém mais pode dar uma lição nas cri­anças, nem pro­vocar uma. Brigar é abuso físico, brigar é abuso emo­cional. No passado, a escola era o campo de ex­pe­ri­ência das cri­anças e jovens. Ali apren­díamos como lidar com a au­to­ridade, tanto em res­peitar (ir na aula e fazer prova) quanto burlar a mesma (matar aula e colar na prova). Eu não sei quantos animais eu matei na minha vida. Só usando o es­ti­lingue já seria um crime ina­fi­an­çavel. Agora, um jovem de 17 anos, branco e bem vestido, vai preso por causa de uma cobra. Já o que mata deve ser educado, pre­servado, en­tendido e perdoado.

Eu brinco que a maior causa de morte evi­tável no mundo não são as pro­vo­cadas pelo ci­garro, e sim aquelas pro­vo­cadas pela fome. É verdade, mas ninguém mais en­tende o ab­surdo dessa re­a­lidade. Não é a toa que hoje o Mi­nis­tério Pú­blico prefere ir atrás da Maísa ao invés de re­solver o pro­blema das mi­lhares de cri­anças aban­do­nadas nas ruas. Uma ide­o­logia edu­ca­cional re­tirou o poder de todos os adultos sobre as cri­anças e o trans­feriu para a mão do estado. Até mesmo na época da es­cra­vidão, nenhum senhor de es­cravo teria a co­ragem de mandar uma criança negra para a tutela do Estado, porque sabiam que ali as con­dições seriam INUMANAS, e não sub-​humanas.

Resta saber onde isso vai dar o futuro. Em algo bom é que não será. Então, o que eu e você fa­remos com nosso filho nessa re­a­lidade tão irreal? Não é apenas criar bem, mas criar um ser para en­frentar um mundo di­fe­rente, com pro­vações tão iné­ditas. A saída mais fácil é comprar um sítio e aban­donar a vida mo­derna para ir pro in­terior e viver em paz. Hoje eu en­tendo per­fei­ta­mente como os feudos e a idade média sur­giram. Imagina a ba­gunça se na­quele tempo já exis­tisse a in­ternet. Nem o exílio é hoje uma opção

Publicidade: Um desafio para o PT

Quem sabe os candidatos devam comprar um néon?

Quem sabe os can­di­datos devam comprar um néon?

A vida do PT não está fácil. Mas se­guindo a tra­dição do Breves Notas, vou dar a eles o pulo do gato para a pu­bli­cidade nas cam­panhas elei­torais vin­douras. Eu sei, no­va­mente tra­ba­lhando de graça (e dessa vez aju­dando o inimigo). Nem tanto. Não há es­pe­rança alguma que os pe­tistas leiam isso aqui e re­solvam mudar. Eles não aprendem nada, eles não es­quecem nada. A análise serve mais como cu­ri­o­sidade, quem sabe um aviso. Então, chega de lenga-​lenga e vamos ao que interessa.

Ao con­trário do que pensam os ana­listas po­lí­ticos de porta de cadeia, os es­cân­dalos de cor­rupção nunca vistos antes nesse país fi­zeram um belo es­trago para o Partido dos Tra­ba­lha­dores, mesmo não atin­gindo o lider-​mor do partido, Lula. A po­pu­lação, claro, não deu de ombros como muitos alegam. Alguns po­lí­ticos juram de pé junto que o men­salão não existiu, que compras de votos não acon­te­ceram e por aí vai. Isso fun­ciona para a justiça (in­crível, não?), mas o povo é mais des­con­fiado. Para eles, acon­teceu e talvez ainda esteja acon­te­cendo. Basta per­guntar pela rua. E por que isso não atingiu a imagem do ape­deuta? Por que ele ainda é pre­si­dente da República?

Porque Lula é um semi-​analfabeto como todos nós”. Essa é a res­posta. Cuidado, eu não afirmo que o barbudo é ou não isso ou aquilo, digo que: no ima­gi­nário po­pular, Lula é um homem com baixa for­mação in­te­lectual, mas com um bom co­ração, como a po­pu­lação brasileira.

Esse é o apelo de Lula, bem ex­plorado nas últimas duas dis­putas elei­torais. Um homem do povo e blá-​blá-​blá. Ti­rando a mi­li­tância pe­tista, que o ama acima de todas as coisas, o ci­dadão comum vê um ser que en­frentou a ad­ver­sidade e, por isso, “co­nhece” os reais pro­blemas do país. Claro que isso é uma bes­teira mons­truosa, mas fun­ciona na pu­bli­cidade. A imagem do Ape­deuta é essa, foi cons­truída assim e, devo ad­mitir, dá certo demais na ba­na­nânia. Quem se lascou com essa his­tória foi o resto do Partido.

Os di­versos es­cân­dalos en­vol­vendo o go­verno não “gru­daram” em Lula porque

  1. A opo­sição quis ex­pli­citar para o Brasil o que re­al­mente acontecia.
  2. O povo re­al­mente acre­ditou que Lula de nada sabia

Mas, aí, o leitor se per­gunta “como o povo pôde ser tão burro e acre­ditar que o pre­si­dente não sabia de nada que acon­tecia de­baixo do seu nariz?”. A res­posta é fácil, mas longe de ser simples: porque Lula também é um homem do povo, logo, seria tão, di­gamos, in­gênuo como todos eles.

Es­clareço. Um homem comum, sentado no Pa­lácio do Pla­nalto, teria sérias di­fi­cul­dades em co­mandar um país. De­legar res­pon­sa­bi­li­dades, con­tratar as­ses­sores, mi­nistros, es­pe­ci­a­listas. Lidar com po­lí­ticos, par­tidos, em­prei­teiros, em­pre­sários e “toda essa gente”. O Seu Zé, na ca­deira do Pre­si­dente, sem ter ex­pe­ri­ência nessa his­tória, faria muitas bur­radas. O homem comum sabe que nem todo amigo é amigo, e se você lida com muita gente, alguns trai­dores acabam in­fil­trados no seu círculo pessoal. Faz parte da vida.

Isso fica muito pior quando se tem “poder”. Para o homem comum, Lula até tenta fazer tudo certo, mas como ele é “gente como a gente”, não dá pra es­perar muita coisa do su­jeito, não é? Os ana­listas po­lí­ticos fes­te­jaram a eleição do Ape­deuta como a su­pe­ração de pre­con­ceitos. Não foi, apenas é a re­a­fir­mação de todos eles. Já ouvi várias vezes (de elei­tores do Ape­deuta) a frase “es­perar o que do Lula, meio burro né, vão tirar van­tagem dele, lógico”.

Lula é um homem in­te­li­gente e ma­qui­a­vélico. Mas a “blin­dagem” de sua imagem mais deve ao ar or­di­nário, de homem comum, do que às es­tra­tégias ar­ti­cu­ladas pela sua cúpula, iden­ti­fi­cação par­ti­dária ou outras aná­lises do pessoal da USP ou da UNB. Po­pu­lista como é, não dá para con­vencer alguém que Lula é um gênio po­lítico, não um ci­dadão igual aos outros. E nas eleições de 2008, essa sua van­tagem virou contra o próprio partido. A ironia nunca morre, como diz o Mainardi.

O Partido dos Trabalhadores nas Eleições

As eleições 2006 foram mar­cadas por es­cân­dalos, sim. Nenhum outro can­didato pas­saria in­cólume a essa onda de acu­sações. Lula passou, e já ex­pliquei a razão. Ele é “or­di­nário como a gente”. Na­quela época, uma ba­gunça foi ins­taurada no ce­nário po­lítico. Os pró­prios pe­tistas se en­vol­veram em si­tu­ações nada hon­rosas. O Ape­deuta, es­perto, falou e não disse nada, esquivou-​se das acu­sações, usou a tática do “fui traído, meu erro foi es­perar o melhor das pessoas”. Disse que “cor­taria da própria carne”. Lógico que não cortou, mas, nas cam­panhas a pro­messa sempre vale mais. Como não apa­receu nenhum lasco por aí, os elei­tores fi­caram com sua es­pe­rança e vo­taram como fi­zeram em 2004.

Dois anos depois, os bra­si­leiros re­sol­veram ajudar Lula. No duro. A idéia é mais ou menos essa: “Lula não sabe es­colher ami­zades, isso a gente já sabe, então não vamos votar nos amigos deles, oras, porque são trai­dores”. Não é a toa que o número de votos do PT di­minuiu. Qualquer ana­lista de­cente já teria aberto o bico para o Partido. “Cuidado, Lula pode afundar o resto de vocês”. Mas imagina falar isso para uma Martha Su­plicy. Nunca, nun­quinha. Eu diria, relaxa e goza minha filha, vocês fi­zeram a ba­gunça e eu não tenho nem idéia de como ar­rumar isso. Não é um tra­balho fácil, não. A cada es­cândalo ao qual Lula so­brevive, o resto do PT su­cumbe. É preciso ter um culpado para tantos crimes. Se a Justiça pega ou não os cul­pados, isso é ir­re­le­vante para a po­pu­lação. Eles também julgam e acham os ban­didos que querem.

No ima­gi­nário po­pular, todo partido é um covil de lobos, gente ga­nan­ciosa que querem ganhar muito di­nheiro nas costas do país. Tanto que o “rouba mas faz” é um slogan po­sitivo no Brasil. Maluf ainda seria um campeão de votos hoje se não ti­vesse feito uma bes­teira com­pleta: o Pitta. Não se lembram?

O Dr. Paulo hoje foi varrido do mapa elei­toral por causa do ex-​prefeito Celso Pitta. O povo de São Paulo não esquece.

A car­reira do Maluf não acabou por causa de es­cân­dalos. Não mesmo. O Dr. Paulo hoje foi varrido do mapa elei­toral por causa do ex-​prefeito Celso Pitta. O povo de São Paulo não es­quece. Dr. Paulo as­se­gurou que Pitta seria o pre­feito ideal para a cidade e, do dia para a noite, aquele des­co­nhecido acabou eleito. Esse sim se meteu num belo es­cândalo, com di­reito a ex-​mulher e tudo. Mas o Maluf tinha pro­metido que o cara era bom. Não era e o pau­listano não confia mais no Dr. Paulo. Um erro de cálculo ina­cre­di­tável do maior gênio po­lítico do Brasil. E o Maluf até hoje não con­segue sair desse buraco que ele próprio se meteu.

Os pe­tistas hoje buscam essa in­di­cação de con­fiança de Lula, sem a qual todos eles ficam em maus-​lençóis. Sim, porque até hoje não se sabe quem é a ovelha negra do pe­tismo, não há um bode-​expiatório. Sem essa re­fe­rência, todos eles estão vir­tu­al­mente no mesmo saco. Lula sabe bem disso, aprendeu di­reito com a lição po­lítica do Maluf. Os ana­listas dizem que Lula não quer usar a má­quina. Mentira. Lula não quer é em­barcar num pos­sível barco-​furado. Ele sabe. Pitta foi eleito em 1997. Dez anos depois, o Maluf não sabe o que fazer.

Em Cu­ritiba, o PT tentou em­placar a Dilma como porta-​voz. Era uma prova de fogo vi­sando a eleição pre­si­dencial de 2010. PT levou uma lavada do PSDB. A es­tra­tégia não deu certo. Em Natal, Lula foi mais pre­sente, mais agressivo e mesmo assim o PT se lascou. Em São Paulo, Kassab venceu o pri­meiro turno contra todas as ex­pec­ta­tivas. Em Porto Alegre, o PT quase não passa para o se­gundo. Passou perto de perder para uma co­mu­nista de pri­meira viagem que de con­creto mesmo, só tem a beleza. É uma si­tuação bem preocupante.

O Marketing Petista para o Futuro

As tá­ticas pu­bli­ci­tárias do pe­tismo estão longe de serem ino­va­doras. Para tentar re­verter o quadro de Martha em São Paulo, Gil­berto Car­valho de­sem­barca na ca­pital para tentar fazer o que eu acabo de dizer acima, tentar colar Kassab no Maluf. Di­minuir a re­jeição da pe­tista é uma missão im­pos­sível, prin­ci­pal­mente depois do seu papel na crise aérea. Eles estão de­ses­pe­rados. Só restou essa saída.

Porém, em jogo está as eleições de 2010. O que eles farão quando ela chegar? Quem tem alguma dica?

O quadro não é fa­vo­rável. Nenhum can­didato do PT tem con­dições de entrar numa disputa pre­si­dencial. A Dilma Rousseff é uma per­so­nagem ainda em cons­trução, mas falta a ela a em­patia ne­ces­sária aos grandes po­lí­ticos. Não que mu­lheres fortes es­tejam fora das dis­putas. A ba­ronesa Thatcher foi de­cisiva para a his­tória da In­gla­terra, e a ela sempre faltou ca­risma com o povo. En­tre­tanto, Thatcher era um cé­rebro ma­ra­vi­lhoso e uma ótima primeira-​ministra, papel que Dilma não chega nem perto, tanto em termos de im­por­tância como de competência.

Uma dica para os pe­tistas: mu­lheres são di­retas, res­pondem na lata. Isso é es­sencial para vida po­lítica delas. Mas como o PT adora uma tan­gente, di­fi­cil­mente Dilma será uma can­didata a se temer, da mesma forma que Martha não é mais. O PT perde os ca­belos porque, em seus quadros, não há um único po­lítico coma ficha mais ou menos in­cólume (po­li­ti­ca­mente fa­lando, não ju­di­ci­al­mente). E se Lula apoiá-​los, poderá por em xeque a sua própria can­di­datura em 2014.

A si­tuação é tão séria que não me es­pan­taria o PT pro­curar um can­didato em outros par­tidos. Mas isso vai contra a his­tória pe­tista, e di­fi­cil­mente um can­didato de fora con­se­guiria passar pela in­ter­mi­náveis prévias que eles adoram fazer. Só com o apoio in­di­vidual de Lula. Mas co­ragem não é a prin­cipal ca­rac­te­rística do atual presidente.

A es­querda tem uma ten­dência na­tural para di­fa­mação nas cam­panhas. Acusam, acusam e acusam, com ou sem provas. Foi assim que eles che­garam ao poder. Mas para mantê-​lo, em um regime de­mo­crático, o dis­curso pre­ci­saria mudar. Mas o PT não sabe fazer nada mais. Falta a esse partido o res­peito pelo regime de­mo­crático, coisa que não consta em seu DNA.

A aposta deles con­ti­nuará no po­pu­lismo ras­teiro. E se in­ten­si­ficará nos pró­ximos dois anos. Quase seis anos de pre­si­dência e Lula não deu mais que uma ou duas co­le­tivas, todas con­tro­ladas. En­quanto isso, farão a cam­panha pau­tando o jor­na­lismo, como fazem hoje. Acre­ditam ser essa uma boa técnica. Nem tanto, eu diria. Mesmo o Brasil sendo um ter­ceiro mundo, hoje é uma boa classe média, e ela também influi nos re­sul­tados. Ela acaba ir­ra­diando suas opi­niões para as pessoas de nível social acima ou abaixo delas. É um pú­blico que o PT não con­segue lidar, nunca con­seguiu e di­fi­cil­mente conseguirá.

Con­cluindo, dias som­brios virão. Bate-​bocas sem con­teúdo se es­pa­lharão pela cena po­lítica na­cional. Como o PT é in­capaz de subir o nível, tentará re­baixar a todos para os termos con­for­táveis para eles. Ve­remos se a opo­sição cairá nessa ar­ma­dilha. Aguardem as grandes de­núncias de fraudes e cor­rupção. Haverá uma ten­tativa de po­la­ri­zação entre mo­cinhos e ban­didos ainda mais ra­dical. Eles gri­tarão, fa­larão grosso porque, no fim, nada tem a dizer. Suas res­postas os in­cri­mi­nariam. Será muito feio…

Resta aos homens de bem não acei­tarem essas con­dições. Res­ponder a rudeza com a verdade. As dis­si­mu­lações com a certeza. Ser direto ao invés de se es­quivar. Apesar do Partido dos Tra­ba­lha­dores possuir tanto poder hoje, uma única coisa pode acabar com sua he­ge­monia: quem aceitar as res­pon­sa­bi­li­dades terá muito mais força do que toda a má­quina pe­tista pode pro­duzir. Trazer o debate para o campo de­mo­crático sempre fará os pe­tistas per­derem o chão, porque eles não ca­minham pela trilha do res­peito, do bom-​senso e da hon­radez. Não, não. As es­tradas deles são feitas com as me­lhores das in­tenções, sim, mas são as­fal­tadas com as piores qua­li­dades que a hu­ma­nidade já produziu.

Agora, muitos mi­li­tantes en­tendem isso e não sabem mais o que fazer. In­te­res­sante, não?

Esse blog apoia John McCain

Diferenças nos discursos (clique para amplicar)/TH

Di­fe­renças nos dis­cursos (clique para ampliar)/Thomas Hawk

Quem ficou sur­preso com meu apoio ao McCain? Quem, quem? Já era de se es­perar, não é? Nesse mo­mento, o blog, pu­bli­ca­mente, dá seu apoio a John McCain. Sim, sim. E a razão disso é simples: é único can­didato que aceita meu total e com­pleto apoio res­trito à sua pre­si­dência. Isso mesmo, res­trito. Essa é a razão de eu gostar tanto dos re­pu­bli­canos, eles não pedem minha fi­de­lidade cega para seus pro­gramas de go­verno. Não mesmo. Não, não.

Votar no Obama é as­sinar uma folha em branco, com firma re­co­nhecida e re­gis­trada em car­tório. Não sejam in­gênuos. A Left Wing não pede nada menos. Depois alegam que a Di­reita é a ra­dical. Falo sobre isso mais abaixo.

Eu também gosto de um pouco de decoro, de uma certa ver­gonha, da hi­po­crisia. A hi­po­crisia sig­nifica que alguns va­lores ainda existem e não podem ser “que­brados”. Já a es­querda adora mudar o sig­ni­ficado das coisas para seu pro­veito próprio. Lembro muito bem das es­tri­pulias orais do Sr. Bill Clinton. O que cada um faz no seu canto não me im­porta, mas não es­queço da Mônica L. fa­lando sobre suas for­ni­cações como Bill no salão oval. Óbvio que eu não coloco minha mão no fogo pelo W. Bush e nem por ninguém, mas ao menos, se ele tiver feito coisas feias na­quela sala, eu não vou saber. Melhor ter es­ta­giárias que saibam como ligar a má­quina de lavar. Guardar ves­tidos sujos com fluídos cor­porais de um homem é anti-​higiênico. E eu gosto de tudo limpinho.

E esses de­mo­cratas gostam de um es­cândalo sexual, não é mesmo. JFK fa­turou a Mary Pinchot Meyer e também a Ma­rilyn Monroe du­rante a pre­si­dência, e nem por isso deu o vexame do Bill Também. O cara era acos­tumado com mu­lheres bo­nitas.

Não me en­tendam mal. Eu não tenho aversão aos de­mo­cratas ame­ri­canos, não mesmo. Pra mim, tanto o Kennedy quanto o Ro­o­sevelt foram ótimos pre­si­dentes. Mas de lá pra cá, o partido perdeu a mão. Esses dois en­fren­taram pro­blemas con­cretos, de so­luções nada fáceis. Com­praram brigas ho­mé­ricas, Obama pe­diria pra sair na menor delas. Faltam aos de­mo­cratas grandes nomes. O partido ainda vive na nos­talgia de pre­cisar ser o partido da mu­dança, sem ter noção para onde querem mudar. Isso é pe­rigoso, muito pe­rigoso. Como não con­seguem ter um foco de­finido agora, sabe-​se lá para onde vol­tarão a sua atenção na Casa Branca.

Atu­al­mente, os Re­pu­bli­canos possuem esse foco. No que diz res­peito à eco­nomia, à re­ligião, à se­gu­rança in­terna e tudo mais. Claro, as visões não são una­ni­midade na Right Wing, mas ao menos dá pra con­versar. Ao saber as in­tenções de McCain na pre­si­dência, fica bem mais fácil co­locar freios e li­mites aos planos ma­lucos que qualquer partido tem. E isso só pode ser feito quando o dis­curso é claro. Os de­mo­cratas vivem na tan­gente, tal qual o nosso PT. Falam muito mas não dizem nada. Des­co­nhecem demais a si próprios.

Claro que a di­reita com­porta ra­di­ca­lismos também. Os beatos de porta de igreja, o pessoal mais doido da As­so­ciação Na­cional do Rifle e mais um monte de loucos. Tudo bem, de­mo­cracia é assim mesmo. Mas a es­querda também tem sua cota, e acho que ela é bem mais pe­rigosa. Trans­ves­tidos de bom-​mocismo, com um des­curso po­li­ti­ca­mente correto e sen­ti­men­ta­lóide, os ra­dicais da es­querda podem causar es­tragos reais, re­tirar várias li­ber­dades in­di­vi­duais e todo tipo de coisa. Melhor dis­cutir o ensino do cri­a­ci­o­nismo na escola do que, sei lá, a proi­bição de pes­quisas com animais. Essa última sim, po­deria levar o mundo de volta às trevas.

Também me de­sa­grada a ten­tativa de mas­sacre pú­blico contra a Sarah Palin. Tudo bem que a mulher é uma fera, mas espera um pouco. Criar boatos sobre a fa­mília dela? Que moral os de­mo­cratas têm para querer dar essas lições? Agora vieram com a his­tória das notas na fa­culdade, que ela teria sido uma aluna me­díocre. O Obama até agora não li­berou a ficha aca­dêmica dele. Têm medo de quê? O W. Bush freqüentou a Uni­ver­sidade de Yale e o chamam de idiota dia sim e no outro também. Nessa his­tória de es­conder a vida, Obama é um pro­fis­sional, não existe nada sobre o cara…

Eu prefiro saber com quem estou li­dando. Se fosse ame­ricano, vo­taria em McCain. Sou (in­fe­liz­mente) bra­si­leiro, e espero que ele vença. Mas apesar disso tudo, outra coisa me cativa na sua can­di­datura: a cam­panha. Os re­pu­bli­canos con­seguem ser sérios, res­pon­sáveis e di­ver­tidos ao mesmo tempo. Eles tiram sarro da cam­panha de­mo­crata a toda hora. Adoro. Go­vernar os EUA não deve ser uma brin­ca­deira, mas en­carar a pre­si­dência como um fardo, algo penoso e frágil, um em­prego que só um en­viado es­pecial po­deria en­carar é bes­teira. Obama acha que é demais e o eleito pelo mundo para o cargo. Pense ele o que quiser. Ele não é um super-​homem. Aliás, pode nem ter nascido na América. Isso sim é engraçado.

Photo: Thomas Halk