Eu nunca fui fã do Roman Rajmund Polański. Mas acho dois trabalhos dele geniais: Dança com os vampiros e a Sharon Tate. Para quem não sabe, ela foi assassinada pelos amigos do Charles Mason, aquele maluco covarde, ainda grávida do filho do casal. Polanski e Tate eram casados. Se isso acontecesse comigo, ficaria doido, totalmente lelé. Enfim, o casal se conheceu em 67. Dez anos depois Roman fez sexo com uma menina de 13 anos. Trinta anos depois ele está preso por causa disso em Zurique. Mas o mistério permanece: o que aconteceu com o outro “Polanski”?
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Onde está o outro Polanski?
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Watchmen (2009)
Assisti a Watchmen nessa semana, depois de alguns meses ouvindo amigos elogiarem demais esse filme. Pela tradição, nenhum dos quadrinhos feitos pelo Alan Moore deram boas películas (exclui-se “From Hell” da lista). Não mesmo, nenhum prestou. A presença de Zack Snyder na direção levou esperança aos fãs, principalmente depois do maravilhoso 300, adaptação impecável dos quadrinhos de Frank Miller. Zack achava que Morre pensaria que o filme “até não ficou tão ruim”. Mas o bolo terminou abatumado. É um lixo. Então por que tantos acharam o máximo, todos os ditos fãs da história?
Simples, uns não eram fãs realmente, outros sempre serão nerds idiotas.
Como sempre, vou partir para aquela digressão básica, na qual exponho a razão de Watchmen ser tão legal e dar todo o “panorama histórico” para te colocar, leitor, a par dos acontecimentos e, dessa forma, humilhar um monte de pessoas. Sigamos.
Watchmen foi escrito e se passa na América dos anos 80. A história é um realismo fantástico. Na época da guerra fria, muitos acreditavam que o mundo seria destruído por um holocausto nuclear. Como é comum no realismo fantástico, Moore pegou uma característica humana (que poderia ser real ou imaginária) – no caso, “E se super-heróis realmente existissem?” – e a extrapolou até o infinito dentro do cenário. Nesse mundo paralelo, os mascarados eram pessoas normais que anonimamente combatiam o crime, ou seja, o pior lado da humanidade. Mas como nada é perfeito na vida, existe a democracia, os medos do povo, a inveja e, com inda e vindas, o povo escolheu que os super-heróis não deviam desaparecer por uma única razão: quem iria controlar e fiscalizar a atividade deles?
Portanto, o vigilantismo foi banido e qualquer um que tentasse se sobrepor à lei seria caçado e preso.
Na época em que foi escrita (e hoje também), era proibido usar a criação de outra pessoa sem expressa permissão. Por isso Moore criou heróis que eram alter-egos de outros bem famosos dos anos 60, quase todos criados pelo Joe Gill (Capitão-Átomo, Besouro-Azul e outros). O Comediante é um dos poucos baseados em personagens da Marvel, no caso Nick Fury, e o Nite Owl, baseado em parte no DC Batman e Clark Kent. E tudo isso está até na Wikipédia. Chegam a ser ridículas certas resenhas. Joe Gill também e a razão dos desenhos terem o ar cinquentista-sessentista.
O melhor golpe de genialidade do quadrinho é usar heróis de verdade, e não mutantes ou seres de outros planetas. O único com superpoderes é um cara azul que um dia foi gente e sofreu um acidente. E nem ele é aleatório. Ele representa “a energia do potencial bélico do mundo”. Aquele medo da guerra fria é o próprio Dr. Manhattan. Mas isso é simbolismo. O resto dos personagens é de carne e osso.
O autor optou pela humanidade desses personagens para passar o terror, o medo e a apreensão de um mundo preocupado com sua aniquilação. O ambiente sombrio levou todos a um ponto de quase loucura. Esse medo é representado pela reeleição vitalícia daquele que seria o Presidente Nixon, o medo de que um novo presidente não conseguisse “segurar a barra”. Até essa abordagem muda no filme, que representa os políticos como malucos que pouco se importam com a população, rindo ao colocar a vida desses em risco. Toda densidade do roteiro da “revistinha” é perdido quando a produção do filme recusou a ver o verdadeiro significado da história, e apenas se resignaram em adaptar o visual e os balõeszinhos do papel para a película. Só isso explica a necessidade de manter fiel o visual da história em quadrinhos. E uma fidelidade questionável. Tudo bem colocar um falo azul na tela, mas a cena em que Rorschach, então nos 10 anos de idade, tira o cigarro da mão do brigão da escola para enfiar no olho dele foi cortada. Não vejo arrojo nisso. Sigamos.
Os desenhos de Dave Gibbons é uma alusão à era de ouro dos quadrinhos, nos anos 50 e 60. A forma, as cores, tudo remete ao design cru dessa época. Transportar desenhos estáticos para a ação de atores reais requer cuidados. Nem tudo que fica ótimo no rabisco funciona no cinema. O caso clássico é o grande desenhista Todd McFarlane. Esse cara revolucionou o desenho de quadrinhos no final dos oitenta e durante todo os anos 90. Mas nem por isso seu trabalho deu certo no cinema. O filme Spawn, que tentou retratar o traço de McFarlane, resultou em algo horrível de se ver. Aliás, o tema do visual quadrinhos sempre foi um dos problemas para adaptações de heróis desde o Batman de Tim Burton. Quem se interessa pela produção de filmes (coisa que cinéfilo e cineasta brasileiro não entendem) sabe que tal tópico é sempre problemático.
Alan Moore trabalha com o realismo fantástico, esse gênero literário que nunca dá bons filmes e confunde qualquer diretor. A melhor abordagem de Watchmen seria a realista, como aconteceu com Batman Beggins e Dark Night. Ou algo um tanto mais ousado: utilizar técnicas do cinema dos anos 60 no mundo real. Seria incrível o diretor conseguir harmonizar todos esses elementos. Aliás, os anos 80 só são usados porque é o auge do terror nuclear, e não porque a trilha sonora daquela época é boa. Quer dizer, é. Foi uma época divertida e de celebração para quem conhece mais do que as musiquinhas de festa PLOC 80. Mas ai veio o idiota do Kurt Cobain e estragou tudo. Sorte que ele teve o que merecia. A trilha sonora de Watchmen é sofrível. Na tentativa vã de criar um clima dos “oitenta”, só conseguiu deixar a adaptação mais piegas ainda.
Certos filmes precisam não só de coragem na produção, mas também na realização. É preciso fugir dos nerds e geeks que nada entendem do que lêem. O termo “quadrinho adulto” deveria significar uma obra complexa apresentada com desenhos. Porém, parece que é apenas uma desculpa dos marmanjos que ainda moram no porão da casa dos pais. Heróis de carne e osso são mais complicados de entender, seja nos quadrinhos ou na vida real. No duro. Tem gente que se dispõe a “combater o crime” como os personagens imaginários. Só não entendo porque diretores e produtores não tem coragem de fazer um filme como ele deve ser feito. Watchmen deveria ser dirigido por Mel Stuart.
É tudo culpa dos fãs.
Desenho By Hanime87
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Miss Saigon: Um Opereta de Malandro
Inocente, assisti ao musical Miss Saigon, a produção internacional, em cartaz no Teatro Abril em São Paulo. Foram três horas de tortura e massacre. Três horas assistindo ao pior que a raça brasileira têm a oferecer. Três horas de martírio, tristeza e melancolia. E isso nada tem com a história. Miss Saigon, obra baseada em Madame Butterfly, é uma tragédia linda. Mas a adaptação brasileira (que só precisou traduzir o texto original e mais nada) é medíocre, baixa, vil, gay e por aí vai.
Mas eu deveria desconfiar. Cláudio Botelho, o tal “mago dos musicais” (leia-se transforma tudo em merde, com direito a um eufemismo afrancesado), já destruíra My Fair Lady. O Eduardo me convidou para assistir, mas nem morto eu iria. Nessa apresentação no Teatro Alfa, meu bom amigo já antevia o que eu enfrentaria essa semana no Teatro Abril:
E agora, a peça My fair lady ganhou uma adaptação brasileira, que me pareceu meio insensata. É difícil adaptar peças da Broadway simplesmente porque eles fazem peças perfeitas. E quando se imita algo que é perfeito, suas duas opções são: fazer igual ou fazer pior. É risco demais. — Eduardo Mineo
E Botelho sempre escolhe a segunda opção.
Então o leitor se pergunta “mas Lefebvre, eu não acredito que você foi assistir isso pensando no original. Não foi, né?”. E eu respondo, fui sim. Estava lá na sinopse brasileira. Olha lá, no final, depois de informações importantes como os 500 figurinos confeccionados no Brasil, as oito trocas de cenário, os 336 sapatos feitos sob medida, além de aproximadamente 500 acessórios como chapéus e cintos. Diz: “Miss Saigon já ganhou 30 dos maiores prêmios teatrais do mundo, incluindo três Tony Awards, quatro Drama Desk Awards, três Outer Critics Circle Awards e um Theatre World Award. O musical ficou mais de uma década em cartaz no West Wend e na Broadway.”
Mas não era nada disso. Não foi como eu pensei.
Essas produções internacionais são complicadas. Tudo precisa ser igual ao original. As atuações, os cenários, as musicas. Tudo, tudo. De três em três meses os americanos vêm inspecionar a adaptação. Infelizmente, o texto precisa ser traduzido (por mim deixava no original também, sou contra até legendas no cinema) e novos atores entram em cena. Bem, vamos devagar ou perco a pena.
Toda tradução não é a obra original. É uma obra de co-autoria entre o autor original (morto ou não) e o tradutor. Toda tradução pode ser avaliada. Boas traduções são aquelas que pegam o espírito da obra, o estilo do autor, as brincadeiras lingüísticas do texto e conseguem transmitir todos esses aspectos em outra língua. Não é fácil. O tradutor precisa ser muito bom, mas bom mesmo, nos dois idiomas para ter sucesso. Não pode ter preguiça. Precisa ler e reler tudo um monte de vezes. Isso só na literatura. Em musicais, além de tudo isso, o cara também precisa saber de música. Não é só traduzir, mas adaptar a tradução à música, o que é mais difícil ainda.
Cláudio Botelho não parece ter nenhuma das características para o trabalho. Em Miss Saigon assistimos a uma prova da preguiça tropical e do mal-gosto de certos setores da cultura brasileira.
Primeiro, a falta de cultura. Miss Saigon é uma tragédia. Sim, há momentos cômicos, mas é uma tragédia, Cristo Santo. E, além de tragédia, é uma triste história de amor heterossexual. No Brasil aparece homem vestido de sado-maso beijando outro cara no palco. Fica terrível ver um monte de soldados mais pra lá do que pra cá dentro de um bordel. Os gays demoraram anos para conquistarem o respeito que merecem. Mas agora, aqui, insistem em colocar algo que pensam ser uma certa cultura gay onde não cabe. Tenham dó. Vão encenar Oscar Wide então.
Segundo, o brasileiro transforma tudo em comédia. Credo. Isso está enraizado na gente. Não tem como Escapar.
E há outras falhas grotescas, essa a minha prima pegou. A Kim (a protagonista), é vietnamita e budista. Mas lá pelos tantos diz “pela Cruz, bla bla bla”. Como assim, “pela Cruz”? Desde quando nos anos 70 o Budismo absorveu o Cristianismo? Será esse o musical-do-crioulo-doido?
Entretanto, sofrível mesmo é a tradução de Botelho. Parece incompetência mudar tanto o sentido original. Quem sabe, o coitadinho apenas não é capaz de entender inglês direito. Ok. Mas nas rimas ele mostra que realmente nada entende de português. Nas rimas é onde a pequenêz botelhana salta aos olhos (ou ouvidos, escolha).
Se a primeira rima termina em “mim”, saiba que seguirão as seguintes palavras durante minutos inteiros: enfim, assim, sim, “verbos conjugados com terminação em im”, mim (de novo, várias vezes), enfim-assim-sim (de novo várias vezes). Se termina em “eu” (pronome), lá vai “meu”, “seu” e verbos conjugados com terminação em “eu”. Se termina em “Deus” (oh, god, aposto muito usado em inglês), as opções acabam e alternam as palavras “meus”, “eus”, “seus” indefinidamente.
Depois de dez minutos o meu cérebro desligou.
Um musical é a combinação de música, canto, diálogos falados e dança. A emoção (humor, alegria, tristeza, drama, etc.) é transmitida através da própria história, da música, das canções, dos movimentos e dos aspectos técnicos (como iluminação, cenário, efeitos visuais, etc.). Isso é o básico.
Rimar em inglês parece mais prático. É da natureza da língua. Já em português, talvez seja mais trabalhoso, nunca mais fácil. Rimas como essas usadas por Botelho são chamadas de “rimas pobres”. Isso porque não mudam as funções das palavras rimadas e sempre no fim da sentença, não porque é ruim. “Rima rica” são aquelas que juntam palavras de funções diferentes, em partes diferentes da frase. Essas são mais trabalhosas, mas não quer dizer que são melhores que as outras.
Em musicais e óperas as rimas são bem trabalhadas. Muito tempo de uma ou de outra cansa os ouvidos. Não há esse cuidado em Miss Saigon. Fico imaginando razões hipotéticas. Se Botelho tiver um cachorro, será que este queria fazer xixi e logo ele pensou “vou enfiar uns mim’s aqui que tá bom, já fui pago mesmo”. Para verificar a métrica dos versos será que ele pegou as partituras e gritou “amor, pega a régua pra mim”? Não gosto de ser agressivo, mas diante do que vi e ouvi, somente um desapego completo do profissional experiente pode explicar tantos erros. Ele deu de ombros. Ou isso ou Botelho nem é profissional, nem têm experiência de verdade. Não deveria ter aceito a tradução do musical. Mas não adianta, os profissionais de cultura no Brasil parecem mais membros de um cartel.
E como isso atrapalhou os atores. Eles estão até de parabéns. Não perdem uma deixa. “Fazem das tripas, coração, para cantar a terrível tradução”. Individualmente, fazem o seu papel com emoção e energia.
Claro que isso seria perfeito se Miss Saigon não fosse composto por duetos e corais.
Duetto é quando dois cantores executam juntos a canção. Em Miss Saigon temos monólogos sobrepostos. Difícil prestar atenção no outro cantor? Parece que sim. Nenhum dos atores parece ter o conhecimento técnico para ali estar. Aliás, nenhum ator conseguiria completar um étude simples. Mas aí é querer demais, Lefebvre. Musical no Brasil é coisa para Juliana Paes.
Enfim, Miss Saigon é qualquer coisa brasileira, mas nada que poderia receber o nome original. O texto é ruim, as danças não possuem sincronismo, os atores não convencem, os corais não transmitem emoção.
O ponto máximo da peça, a música The Americam Dream, fica completamente sem sentido por causa da péssima tradução. Para entender os passos da coreografia é preciso recorrer à versão original, ou você nada entende. Miss Saigon, aqui, é apenas mais um espetáculo vulgar (muito vulgar), apelativo e caro. Sinto como se ainda vivesse em 1700, quando os Ingleses nos vendiam esquis no Rio de Janeiro. Um par de esqui é bem bonito, mas qual é a utilidade para nós? E para arranjar alguma forma de se mostrar, e de mostrar o tamanho do poder aquisitivo, alguns brasileiros fazem coisas bizarras. Miss Saigon é uma delas. Miss Saigon é uma experiência humana bizarra.
E, infelizmente, não é a última.
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A verdadeira origem do coringa
Heath Ledger filho de uma p… Toda essa ladainha sobre o Coringa do Cavaleiro das Trevas e o desgraçado baseou o personagem na atuação do Gary Oldman em Léon (aka O Profissional).
Assista a cena do assassinato do apartamento. Os tiques de boca estão até no mesmo timming. Preste atenção na parte em que o Gary fala “I said ‘noon’”.
Filho de uma p…
[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=zlbSDqa5DtU]
Vai dizer que esse não seria um diálogo próprio do Coringa?
Mathilda: You killed my brother.
Stansfield: I’m sorry. And you want to join him?
Mathilda: No.
Stansfield: It’s always the same thing. It’s when you start to become really afraid of death that you learn to appreciate life. Do you like life, sweetheart?
Mathilda: Yes.
Stansfield: That’s good, because I take no pleasure in taking life if it’s from a person who doesn’t care about it. [The Joker Toutch: It’s a funny world we live in. Speaking of funny, do you know how I got these scars?]
O Cavaleiro das Trevas [The Dark Knight]

WhY sO sEriOuss?
Não vou escrever resenha sobre o novo filme do Batman. Existem ótimas pela internet, e outras terríveis. Para que me dar o trabalho de repetir coisas que já foram muito bem feitas?
Primeiro, o Douglas Donin fez uma sátira de como a esquerda verá o filme. Pode conferir os brios feridos lá nas bandas do Interney. Até mesmo o Pedro Sette conseguiu arrancar uns pensamentos bem filosóficos sobre o filme, que eu achai demais. Mas nenhuma delas supera o artigo publicado no Wall Street Journal. Esse sim vai dar muito pano para a manga.
No artigo, ANDREW KLAVAN faz uma ponte entre as ações do homem-morcego e a administração W. Bush. Resumindo, é o seguinte: o mito do Batman pode fazer escolhas que ninguém mais faria, e assumir as responsabilidades. Que a direita americana só pode falar nos filmes com personagens de ficção, e os esquerdinhas (democratas) fazem qualquer porcaria pautada no mundo real. Mas apesar disso, os filmes conservadores têm mais impacto do que a realismo bocó da left-wing.
Eu concordo com essa idéia. Os personagens de quadrinhos sempre são de direita. Os heróis escolhem o bem, sem rodeios ou desculpas. E o peso de fazer o certo também recaí sobre eles, mas agüentam feito homens. Até mesmo os caras-maus fazem isso, ao invés de culpar a injustiça ou a luta de classe. Você já imaginou um arquiinimigo montando uma ONG para vencer o mocinho? Daria uma bela sátira…
Enfim, o divertido pra mim não foi ver a boa história desse filme, ou ver o Coringa magnífico que o Ledger criou. Pra mim, a diversão foi ver a reação do público na segunda vez que assisti ao filme. Como eu já sabia todo o enredo, concentrei-me em notar o público do cinema.
Ao contrario da maioria dos filmes de ação, as pessoas ficam quietas desde o primeiro minuto. A espectativa de ver o novo Coringa contribui muito. O que eles não esperam (bobinhos que são) é a violência do Joker de Ledger. Quase sempre, quando o Coringa aparece em cena, o público também precisa fazer suas escolhas morais. Essa é a melhor sacada do filme: o espectador acaba participando, como se pensasse “e eu, faria o que se me deparasse com ISSO?!”. É muito engraçado ver as pessoas engolindo seco e olhando para os cantos enquanto se decidem.
E quando você compara a excitação dos pseudos-adolescentes que, na fila, parecem ter formigas nas cuecas, mas durante o filme ficam até pálidos como múmia, sua diversão fica ainda melhor. As escolhas do filme, como já disse, são de direita. Dilemas que o brasileiro comum nem achava que existia. Também, num país que aplaude a Lei Seca, mesmo ela sendo inconstitucional, é bem normal quando mostro que, se é para diminuir os danos, eles todos também deveriam apoiar a Pena de Morte. Tudo por causa da coerência. Mas o cérebro nacional não foi moldado para pensar.
Batman, no fim, superou minhas expectativas. Não só pelas histórias, como o Heath Ledger se trancar sozinho num quarto de hotel durante um mês para compor o Coringa. Nem por ver um Batmobile real, que corre e faz curvas explodindo na telona (sim, aquilo é um carro de verdade com motor V12). O melhor é ver a cara de medo das pessoas. Sim, basta adicionar um pouquinho de medo para a maioria entrar em pânico. Mas graças a Deus não são deles os dedos que pressionam os botões que comandam a minha vida.




