Onde está o outro Polanski?

Samantha age 13

Sa­mantha age 13

Eu nunca fui fã do Roman Rajmund Po­lański. Mas acho dois tra­balhos dele ge­niais: Dança com os vam­piros e a Sharon Tate. Para quem não sabe, ela foi as­sas­sinada pelos amigos do Charles Mason, aquele maluco co­varde, ainda grávida do filho do casal. Po­lanski e Tate eram ca­sados. Se isso acon­te­cesse comigo, fi­caria doido, to­tal­mente lelé. Enfim, o casal se co­nheceu em 67. Dez anos depois Roman fez sexo com uma menina de 13 anos. Trinta anos depois ele está preso por causa disso em Zu­rique. Mas o mis­tério per­manece: o que acon­teceu com o outro “Po­lanski”?
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Watchmen (2009)

Watchmen By Hanine87

Per­so­nagens de Wat­chmen By Hanine87

As­sisti a Wat­chmen nessa semana, depois de alguns meses ou­vindo amigos elo­giarem demais esse filme. Pela tra­dição, nenhum dos qua­drinhos feitos pelo Alan Moore deram boas pe­lí­culas (exclui-​se “From Hell” da lista). Não mesmo, nenhum prestou. A pre­sença de Zack Snyder na di­reção levou es­pe­rança aos fãs, prin­ci­pal­mente depois do ma­ra­vi­lhoso 300, adap­tação im­pe­cável dos qua­drinhos de Frank Miller. Zack achava que Morre pen­saria que o filme “até não ficou tão ruim”. Mas o bolo ter­minou aba­tumado. É um lixo. Então por que tantos acharam o máximo, todos os ditos fãs da história?

Simples, uns não eram fãs re­al­mente, outros sempre serão nerds idiotas.

Como sempre, vou partir para aquela di­gressão básica, na qual ex­ponho a razão de Wat­chmen ser tão legal e dar todo o “pa­norama his­tórico” para te co­locar, leitor, a par dos acon­te­ci­mentos e, dessa forma, hu­milhar um monte de pessoas. Sigamos.

Wat­chmen foi es­crito e se passa na América dos anos 80. A his­tória é um re­a­lismo fan­tástico. Na época da guerra fria, muitos acre­di­tavam que o mundo seria des­truído por um ho­lo­causto nu­clear. Como é comum no re­a­lismo fan­tástico, Moore pegou uma ca­rac­te­rística humana (que po­deria ser real ou imaginária) – no caso, “E se super-​heróis re­al­mente exis­tissem?” – e a ex­tra­polou até o in­finito dentro do ce­nário. Nesse mundo pa­ralelo, os mas­ca­rados eram pessoas normais que ano­ni­ma­mente com­batiam o crime, ou seja, o pior lado da hu­ma­nidade. Mas como nada é per­feito na vida, existe a de­mo­cracia, os medos do povo, a inveja e, com inda e vindas, o povo es­colheu que os super-​heróis não deviam de­sa­pa­recer por uma única razão: quem iria con­trolar e fis­ca­lizar a ati­vidade deles?

Por­tanto, o vi­gi­lan­tismo foi banido e qualquer um que ten­tasse se so­brepor à lei seria caçado e preso.

Na época em que foi es­crita (e hoje também), era proibido usar a criação de outra pessoa sem ex­pressa per­missão. Por isso Moore criou heróis que eram alter-​egos de outros bem fa­mosos dos anos 60, quase todos criados pelo Joe Gill (Capitão-​Átomo, Besouro-​Azul e outros). O Co­me­diante é um dos poucos ba­seados em per­so­nagens da Marvel, no caso Nick Fury, e o Nite Owl, ba­seado em parte no DC Batman e Clark Kent. E tudo isso está até na Wi­ki­pédia. Chegam a ser ri­dí­culas certas re­senhas. Joe Gill também e a razão dos de­senhos terem o ar cinquentista-​sessentista.

O melhor golpe de ge­ni­a­lidade do qua­drinho é usar heróis de verdade, e não mu­tantes ou seres de outros pla­netas. O único com su­per­po­deres é um cara azul que um dia foi gente e sofreu um aci­dente. E nem ele é ale­a­tório. Ele re­pre­senta “a energia do po­tencial bélico do mundo”. Aquele medo da guerra fria é o próprio Dr. Ma­nhattan. Mas isso é sim­bo­lismo. O resto dos per­so­nagens é de carne e osso.

Alan Moore

Alan Moore

O autor optou pela hu­ma­nidade desses per­so­nagens para passar o terror, o medo e a apre­ensão de um mundo pre­o­cupado com sua ani­qui­lação. O am­biente sombrio levou todos a um ponto de quase loucura. Esse medo é re­pre­sentado pela re­e­leição vi­ta­lícia da­quele que seria o Pre­si­dente Nixon, o medo de que um novo pre­si­dente não con­se­guisse “se­gurar a barra”. Até essa abor­dagem muda no filme, que re­pre­senta os po­lí­ticos como ma­lucos que pouco se im­portam com a po­pu­lação, rindo ao co­locar a vida desses em risco. Toda den­sidade do ro­teiro da “re­vis­tinha” é perdido quando a pro­dução do filme re­cusou a ver o ver­da­deiro sig­ni­ficado da his­tória, e apenas se re­sig­naram em adaptar o visual e os ba­lões­zinhos do papel para a pe­lícula. Só isso ex­plica a ne­ces­sidade de manter fiel o visual da his­tória em quadrinhos. E uma fi­de­lidade ques­ti­o­nável. Tudo bem co­locar um falo azul na tela, mas a cena em que Rors­chach, então nos 10 anos de idade, tira o ci­garro da mão do brigão da escola para enfiar no olho dele foi cortada. Não vejo arrojo nisso. Sigamos.

Os de­senhos de Dave Gibbons é uma alusão à era de ouro dos qua­drinhos, nos anos 5060. A forma, as cores, tudo remete ao design cru dessa época. Trans­portar de­senhos es­tá­ticos para a ação de atores reais requer cui­dados. Nem tudo que fica ótimo no ra­bisco fun­ciona no cinema. O caso clássico é o grande de­se­nhista Todd Mc­Farlane. Esse cara re­vo­lu­cionou o de­senho de qua­drinhos no final dos oi­tenta e du­rante todo os anos 90. Mas nem por isso seu tra­balho deu certo no cinema. O filme Spawn, que tentou re­tratar o traço de Mc­Farlane, re­sultou em algo hor­rível de se ver. Aliás, o tema do visual qua­drinhos sempre foi um dos pro­blemas para adap­tações de heróis desde o Batman de Tim Burton. Quem se in­te­ressa pela pro­dução de filmes (coisa que ci­néfilo e ci­neasta bra­si­leiro não en­tendem) sabe que tal tópico é sempre problemático.

Alan Moore tra­balha com o re­a­lismo fan­tástico, esse gênero li­te­rário que nunca dá bons filmes e con­funde qualquer di­retor. A melhor abor­dagem de Wat­chmen seria a re­a­lista, como acon­teceu com Batman Beggins e Dark Night. Ou algo um tanto mais ousado: uti­lizar téc­nicas do cinema dos anos 60 no mundo real. Seria in­crível o di­retor con­seguir har­mo­nizar todos esses ele­mentos. Aliás, os anos 80 só são usados porque é o auge do terror nu­clear, e não porque a trilha sonora da­quela época é boa. Quer dizer, é. Foi uma época di­vertida e de ce­le­bração para quem co­nhece mais do que as mu­si­quinhas de festa PLOC 80. Mas ai veio o idiota do Kurt Cobain e es­tragou tudo. Sorte que ele teve o que me­recia. A trilha sonora de Wat­chmen é so­frível. Na ten­tativa vã de criar um clima dos “oi­tenta”, só con­seguiu deixar a adap­tação mais piegas ainda.

Certos filmes pre­cisam não só de co­ragem na pro­dução, mas também na re­a­li­zação. É preciso fugir dos nerds e geeks que nada en­tendem do que lêem. O termo “qua­drinho adulto” de­veria sig­ni­ficar uma obra com­plexa apre­sentada com de­senhos. Porém, parece que é apenas uma des­culpa dos mar­manjos que ainda moram no porão da casa dos pais. Heróis de carne e osso são mais com­pli­cados de en­tender, seja nos qua­drinhos ou na vida real. No duro. Tem gente que se dispõe a “com­bater o crime” como os per­so­nagens ima­gi­nários. Só não en­tendo porque di­re­tores e pro­du­tores não tem co­ragem de fazer um filme como ele deve ser feito. Wat­chmen de­veria ser di­rigido por Mel Stuart.

É tudo culpa dos fãs.

De­senho By Hanime87

Miss Saigon: Um Opereta de Malandro

Kim e Chris

Kim e Chris

Ino­cente, as­sisti ao mu­sical Miss Saigon, a pro­dução in­ter­na­cional, em cartaz no Teatro Abril em São Paulo. Foram três horas de tortura e mas­sacre. Três horas as­sis­tindo ao pior que a raça bra­si­leira têm a ofe­recer. Três horas de mar­tírio, tristeza e me­lan­colia. E isso nada tem com a his­tória. Miss Saigon, obra ba­seada em Madame But­terfly, é uma tra­gédia linda. Mas a adap­tação bra­si­leira (que só pre­cisou tra­duzir o texto ori­ginal e mais nada) é me­díocre, baixa, vil, gay e por aí vai.

Mas eu de­veria des­confiar. Cláudio Bo­telho, o tal “mago dos mu­sicais” (leia-​se trans­forma tudo em merde, com di­reito a um eu­fe­mismo afran­cesado), já des­truíra My Fair Lady. O Eduardo me con­vidou para as­sistir, mas nem morto eu iria. Nessa apre­sen­tação no Teatro Alfa, meu bom amigo já an­tevia o que eu en­fren­taria essa semana no Teatro Abril:

E agora, a peça My fair lady ganhou uma adap­tação bra­si­leira, que me pa­receu meio in­sensata. É di­fícil adaptar peças da Bro­adway sim­ples­mente porque eles fazem peças per­feitas. E quando se imita algo que é per­feito, suas duas opções são: fazer igual ou fazer pior. É risco demais. — Eduardo Mineo

E Bo­telho sempre es­colhe a se­gunda opção.

Então o leitor se per­gunta “mas Le­febvre, eu não acredito que você foi as­sistir isso pen­sando no ori­ginal. Não foi, né?”. E eu res­pondo, fui sim. Estava lá na si­nopse bra­si­leira. Olha lá, no final, depois de in­for­mações im­por­tantes como os 500 fi­gu­rinos con­fec­ci­o­nados no Brasil, as oito trocas de ce­nário, os 336 sa­patos feitos sob medida, além de apro­xi­ma­da­mente 500 aces­sórios como chapéus e cintos. Diz: “Miss Saigon já ganhou 30 dos maiores prêmios te­a­trais do mundo, in­cluindo três Tony Awards, quatro Drama Desk Awards, três Outer Critics Circle Awards e um Theatre World Award. O mu­sical ficou mais de uma década em cartaz no West Wend e na Broadway.”

Mas não era nada disso. Não foi como eu pensei.

Essas pro­duções in­ter­na­ci­onais são com­pli­cadas. Tudo precisa ser igual ao ori­ginal. As atu­ações, os ce­nários, as mu­sicas. Tudo, tudo. De três em três meses os ame­ri­canos vêm ins­pe­cionar a adap­tação. In­fe­liz­mente, o texto precisa ser tra­duzido (por mim deixava no ori­ginal também, sou contra até le­gendas no cinema) e novos atores entram em cena. Bem, vamos de­vagar ou perco a pena.

Toda tra­dução não é a obra ori­ginal. É uma obra de co-​autoria entre o autor ori­ginal (morto ou não) e o tra­dutor. Toda tra­dução pode ser ava­liada. Boas tra­duções são aquelas que pegam o es­pírito da obra, o estilo do autor, as brin­ca­deiras lingüís­ticas do texto e con­seguem trans­mitir todos esses as­pectos em outra língua. Não é fácil. O tra­dutor precisa ser muito bom, mas bom mesmo, nos dois idiomas para ter su­cesso. Não pode ter pre­guiça. Precisa ler e reler tudo um monte de vezes. Isso só na li­te­ratura. Em mu­sicais, além de tudo isso, o cara também precisa saber de música. Não é só tra­duzir, mas adaptar a tra­dução à música, o que é mais di­fícil ainda. 

Cláudio Bo­telho não parece ter ne­nhuma das ca­rac­te­rís­ticas para o tra­balho. Em Miss Saigon as­sis­timos a uma prova da pre­guiça tro­pical e do mal-​gosto de certos se­tores da cultura brasileira. 

The American Dream - Miss Saigon

The Ame­rican Dream — Miss Saigon Brasil

Pri­meiro, a falta de cultura. Miss Saigon é uma tra­gédia. Sim, há mo­mentos cô­micos, mas é uma tra­gédia, Cristo Santo. E, além de tra­gédia, é uma triste his­tória de amor he­te­ros­sexual. No Brasil aparece homem vestido de sado-​maso bei­jando outro cara no palco. Fica ter­rível ver um monte de sol­dados mais pra lá do que pra cá dentro de um bordel. Os gays de­mo­raram anos para con­quis­tarem o res­peito que me­recem. Mas agora, aqui, in­sistem em co­locar algo que pensam ser uma certa cultura gay onde não cabe. Tenham dó. Vão en­cenar Oscar Wide então. 

Se­gundo, o bra­si­leiro trans­forma tudo em co­média. Credo. Isso está en­raizado na gente. Não tem como Escapar.

E há outras falhas gro­tescas, essa a minha prima pegou. A Kim (a pro­ta­go­nista), é vi­et­namita e bu­dista. Mas lá pelos tantos diz “pela Cruz, bla bla bla”. Como assim, “pela Cruz”? Desde quando nos anos 70 o Bu­dismo ab­sorveu o Cris­ti­a­nismo? Será esse o musical-​do-​crioulo-​doido?

En­tre­tanto, so­frível mesmo é a tra­dução de Bo­telho. Parece in­com­pe­tência mudar tanto o sentido ori­ginal. Quem sabe, o coi­ta­dinho apenas não é capaz de en­tender inglês di­reito. Ok. Mas nas rimas ele mostra que re­al­mente nada en­tende de por­tuguês. Nas rimas é onde a pe­quenêz bo­te­lhana salta aos olhos (ou ou­vidos, escolha).

Se a pri­meira rima termina em “mim”, saiba que se­guirão as se­guintes pa­lavras du­rante mi­nutos in­teiros: enfim, assim, sim, “verbos con­ju­gados com ter­mi­nação em im”, mim (de novo, várias vezes), enfim-​assim-​sim (de novo várias vezes). Se termina em “eu” (pronome), lá vai “meu”, “seu” e verbos con­ju­gados com ter­mi­nação em “eu”. Se termina em “Deus” (oh, god, aposto muito usado em inglês), as opções acabam e al­ternam as pa­lavras “meus”, “eus”, “seus” indefinidamente.

Depois de dez mi­nutos o meu cé­rebro desligou.

Um mu­sical é a com­bi­nação de música, canto, diá­logos fa­lados e dança. A emoção (humor, alegria, tristeza, drama, etc.) é trans­mitida através da própria his­tória, da música, das canções, dos mo­vi­mentos e dos as­pectos téc­nicos (como ilu­mi­nação, ce­nário, efeitos vi­suais, etc.). Isso é o básico.

Rimar em inglês parece mais prático. É da na­tureza da língua. Já em por­tuguês, talvez seja mais tra­ba­lhoso, nunca mais fácil. Rimas como essas usadas por Bo­telho são cha­madas de “rimas pobres”. Isso porque não mudam as funções das pa­lavras ri­madas e sempre no fim da sen­tença, não porque é ruim. “Rima rica” são aquelas que juntam pa­lavras de funções di­fe­rentes, em partes di­fe­rentes da frase. Essas são mais tra­ba­lhosas, mas não quer dizer que são me­lhores que as outras. 

Em mu­sicais e óperas as rimas são bem tra­ba­lhadas. Muito tempo de uma ou de outra cansa os ou­vidos. Não há esse cuidado em Miss Saigon. Fico ima­gi­nando razões hi­po­té­ticas. Se Bo­telho tiver um ca­chorro, será que este queria fazer xixi e logo ele pensou “vou enfiar uns mim’s aqui que tá bom, já fui pago mesmo”. Para ve­ri­ficar a mé­trica dos versos será que ele pegou as par­ti­turas e gritou “amor, pega a régua pra mim”? Não gosto de ser agressivo, mas diante do que vi e ouvi, so­mente um de­sapego com­pleto do pro­fis­sional ex­pe­riente pode ex­plicar tantos erros. Ele deu de ombros. Ou isso ou Bo­telho nem é pro­fis­sional, nem têm ex­pe­ri­ência de verdade. Não de­veria ter aceito a tra­dução do mu­sical. Mas não adianta, os pro­fis­si­onais de cultura no Brasil pa­recem mais membros de um cartel.

E como isso atra­palhou os atores. Eles estão até de pa­rabéns. Não perdem uma deixa. “Fazem das tripas, co­ração, para cantar a ter­rível tra­dução”. In­di­vi­du­al­mente, fazem o seu papel com emoção e energia.

Claro que isso seria per­feito se Miss Saigon não fosse com­posto por duetos e corais

Duetto é quando dois can­tores exe­cutam juntos a canção. Em Miss Saigon temos mo­nó­logos so­bre­postos. Di­fícil prestar atenção no outro cantor? Parece que sim. Nenhum dos atores parece ter o co­nhe­ci­mento técnico para ali estar. Aliás, nenhum ator con­se­guiria com­pletar um étude simples. Mas aí é querer demais, Le­febvre. Mu­sical no Brasil é coisa para Ju­liana Paes.

Enfim, Miss Saigon é qualquer coisa bra­si­leira, mas nada que po­deria re­ceber o nome ori­ginal. O texto é ruim, as danças não possuem sin­cro­nismo, os atores não con­vencem, os corais não trans­mitem emoção.

O ponto máximo da peça, a música The Ame­ricam Dream, fica com­ple­ta­mente sem sentido por causa da péssima tra­dução. Para en­tender os passos da co­re­o­grafia é preciso re­correr à versão ori­ginal, ou você nada en­tende. Miss Saigon, aqui, é apenas mais um es­pe­táculo vulgar (muito vulgar), ape­lativo e caro. Sinto como se ainda vi­vesse em 1700, quando os In­gleses nos vendiam esquis no Rio de Ja­neiro. Um par de esqui é bem bonito, mas qual é a uti­lidade para nós? E para ar­ranjar alguma forma de se mostrar, e de mostrar o ta­manho do poder aqui­sitivo, alguns bra­si­leiros fazem coisas bi­zarras. Miss Saigon é uma delas. Miss Saigon é uma ex­pe­ri­ência humana bizarra.

E, in­fe­liz­mente, não é a última.

A verdadeira origem do coringa

Heath Ledger filho de uma p… Toda essa la­dainha sobre o Co­ringa do Ca­va­leiro das Trevas e o des­graçado baseou o per­so­nagem na atuação do Gary Oldman em Léon (aka O Profissional).

As­sista a cena do as­sas­sinato do apar­ta­mento. Os tiques de boca estão até no mesmo timming. Preste atenção na parte em que o Gary fala “I said ‘noon’”.

Filho de uma p…

[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=zlbSDqa5DtU]

Vai dizer que esse não seria um diálogo próprio do Coringa?

Mathilda: You killed my brother.

Stans­field: I’m sorry. And you want to join him?

Mathilda: No.

Stans­field: It’s always the same thing. It’s when you start to become really afraid of death that you learn to ap­pre­ciate life. Do you like life, sweetheart?

Mathilda: Yes.

Stans­field: That’s good, be­cause I take no ple­asure in taking life if it’s from a person who doesn’t care about it. [The Joker Toutch: It’s a funny world we live in. Spe­aking of funny, do you know how I got these scars?]

O Cavaleiro das Trevas [The Dark Knight]

WhY sO sEriOuss?

WhY sO sEriOuss?

Não vou es­crever re­senha sobre o novo filme do Batman. Existem ótimas pela in­ternet, e outras ter­ríveis. Para que me dar o tra­balho de re­petir coisas que já foram muito bem feitas?

Pri­meiro, o Douglas Donin fez uma sátira de como a es­querda verá o filme. Pode con­ferir os brios fe­ridos lá nas bandas do In­terney. Até mesmo o Pedro Sette con­seguiu ar­rancar uns pen­sa­mentos bem fi­lo­só­ficos sobre o filme, que eu achai demais. Mas ne­nhuma delas supera o artigo pu­blicado no Wall Street Journal. Esse sim vai dar muito pano para a manga.

No artigo, ANDREW KLAVAN faz uma ponte entre as ações do homem-​morcego e a ad­mi­nis­tração W. Bush. Re­su­mindo, é o se­guinte: o mito do Batman pode fazer es­colhas que ninguém mais faria, e as­sumir as res­pon­sa­bi­li­dades. Que a di­reita ame­ricana só pode falar nos filmes com per­so­nagens de ficção, e os es­quer­dinhas (de­mo­cratas) fazem qualquer por­caria pautada no mundo real. Mas apesar disso, os filmes con­ser­va­dores têm mais im­pacto do que a re­a­lismo bocó da left-​wing.

Eu con­cordo com essa idéia. Os per­so­nagens de qua­drinhos sempre são de di­reita. Os heróis es­colhem o bem, sem ro­deios ou des­culpas. E o peso de fazer o certo também recaí sobre eles, mas agüentam feito homens. Até mesmo os caras-​maus fazem isso, ao invés de culpar a in­justiça ou a luta de classe. Você já ima­ginou um ar­qui­i­nimigo mon­tando uma ONG para vencer o mo­cinho? Daria uma bela sátira…

Enfim, o di­vertido pra mim não foi ver a boa his­tória desse filme, ou ver o Co­ringa mag­nífico que o Ledger criou. Pra mim, a di­versão foi ver a reação do pú­blico na se­gunda vez que as­sisti ao filme. Como eu já sabia todo o enredo, concentrei-​me em notar o pú­blico do cinema.

Ao con­trario da maioria dos filmes de ação, as pessoas ficam quietas desde o pri­meiro minuto. A es­pec­tativa de ver o novo Co­ringa con­tribui muito. O que eles não es­peram (bo­binhos que são) é a vi­o­lência do Joker de Ledger. Quase sempre, quando o Co­ringa aparece em cena, o pú­blico também precisa fazer suas es­colhas morais. Essa é a melhor sacada do filme: o es­pec­tador acaba par­ti­ci­pando, como se pen­sasse “e eu, faria o que se me de­pa­rasse com ISSO?!”. É muito en­graçado ver as pessoas en­go­lindo seco e olhando para os cantos en­quanto se decidem.

E quando você compara a ex­ci­tação dos pseudos-​adolescentes que, na fila, pa­recem ter for­migas nas cuecas, mas du­rante o filme ficam até pá­lidos como múmia, sua di­versão fica ainda melhor. As es­colhas do filme, como já disse, são de di­reita. Di­lemas que o bra­si­leiro comum nem achava que existia. Também, num país que aplaude a Lei Seca, mesmo ela sendo in­cons­ti­tu­cional, é bem normal quando mostro que, se é para di­minuir os danos, eles todos também de­veriam apoiar a Pena de Morte. Tudo por causa da co­e­rência. Mas o cé­rebro na­cional não foi moldado para pensar.

Batman, no fim, su­perou minhas ex­pec­ta­tivas. Não só pelas his­tórias, como o Heath Ledger se trancar so­zinho num quarto de hotel du­rante um mês para compor o Co­ringa. Nem por ver um Bat­mobile real, que corre e faz curvas ex­plo­dindo na telona (sim, aquilo é um carro de verdade com motor V12). O melhor é ver a cara de medo das pessoas. Sim, basta adi­cionar um pou­quinho de medo para a maioria entrar em pânico. Mas graças a Deus não são deles os dedos que pres­sionam os botões que co­mandam a minha vida.