O Museu da Corrupção

Através do Gil Gi­ar­delli achei a melhor idéia dos útimos tempos: MUSEU DA CORRUPÇÃO. Clique na imagem para entrar:

Muco - Museu da Corrupção

Muco — Museu da Corrupção

Será o Orkut o playground dos pedófilos mundiais?

Será o Orkut o play­ground dos pe­dó­filos mun­diais”? Se você acom­panhar os tra­balhos da CPI da Pe­do­filia achará que sim. Os “ex­ce­len­tís­simos” se­na­dores acham que o Google é um dos maiores pro­te­tores de pe­dó­filos por não com­par­tilhar as in­for­mações dos usuários do site de re­la­ci­o­na­mentos com a Co­missão de Inquérito. Não sei você leitor, mas, para as­suntos sérios como esse, a pa­lavra da In­terpol ou do FBI valem bem mais do que a de uma CPI. Aliás, de todas que ins­tau­raram no Go­verno Lula, não lembro de ne­nhuma que tenha prendido qualquer tipo de cri­minoso. Só des­co­briram alo­prados. Pro­cu­rando pelas no­tícias in­ter­na­ci­onais, não achei ne­nhuma acu­sação contra a Em­presa Norte-​Americana feira pelas duas agências. E é a CPI quem quer caçar pe­dó­filos virtuais?

O Ba­nanal (leia Brazil) já é um play­ground para esses atos no­jentos. Já temos até mapa da pros­ti­tuição in­fantil no país. Se os ex­ce­len­tís­simos se­na­dores querem mesmo pegar alguns pe­dó­filos, basta irem com seus carros para qualquer um desses pontos. Ga­ranto que terão re­torno ga­rantido. En­tre­tanto, nossos po­lí­ticos pensam serem mais efi­ci­entes que Law & Order SVU. Pena que eles não en­tendam nada de te­le­visão e muito menos de es­tru­tu­ração de um de­par­ta­mento de po­lícia. Eles nem pa­recem ter um dia lido a cons­ti­tuição, porque, como bem lembra a Ollie, no­va­mente eles querem fazer de todo mundo culpado sem ao menos um julgamento.

Mas o pro­blema cer­ta­mente deve ser outro. A in­ca­pa­cidade de uma CPI in­ves­tigar casos desse porte é no­tória. E se o Google não di­vulga in­for­mações, eu aposto que é porque eles já ajudam o FBI e a In­terpol de forma si­gilosa. Essas in­ves­ti­gações pre­cisam ser assim. Agora, sério, entre dar in­for­mações para estes ou para uma CPI de um país sub­de­sen­volvido, o que manda o seu bom-​senso? Pois é…

A ver­da­deira questão pode ser pior, mais suja e mais mes­quinha. Falas como a do pre­si­dente da CPI, Magno Malta (PR-​ES):

– Não po­demos pre­servar os di­re­tores – afirma Malta. – É crime pro­teger ma­terial com por­no­grafia in­fantil. Se dei­xarmos os pro­ve­dores e os pro­pri­e­tários dos sites isentos, não es­ta­remos fe­chando toda a cadeia. É preciso que se es­ta­beleça no país a cultura de que não só quem tira a foto é que par­ticipa do crime, quem di­vulga e quem mantém dis­po­nível também tem sua par­ti­ci­pação. — JB Online

Blo­quear o acesso ao Google cau­saria uma con­vulsão mundial. Ficar ao lado do Irã, China e si­mi­lares não é algo que a nata po­lítica quer. É in­viável. Mas multar uma em­presa, bem, isso sim é bem mais prático e fácil. E de acordo com o Google, é exa­ta­mente isso que querem os se­na­dores, co­locar a em­presa direto no banco dos réus, sem in­ves­ti­gação, sem nada.

E o Google é uma em­presa que quando comprou o Youtube pagou, assim sem pes­ta­nejar, US$ 1,65 Bi­lhões! E o Ro­berto Tei­xeira fica ne­go­ciando venda da Varig? Oh com­padre que não tem visão de mercado esse, não?

Quem sabe essa CPI pre­ci­saria de uma CPI para investigá-​la? Afinal, toda CPI precisa de um fato de­ter­minado para ser criada. Como é que o Google entrou nessa his­tória? Porque co­meçou uma onda bem es­tranha de de­núncias contra o site? E, de acordo com a in­tenção inicial, os se­na­dores estão na­ve­gando por mares nunca antes na­ve­gados. E pensar que, por exemplo, em 1998 o FBI já tinha US$ 10 mi­lhões para caçar imagens feitas por esses pre­da­dores se­xuais na in­ternet. Nessa época o Brasil saia da BBS e en­trava na era da co­nexão discada. É fato que os pe­dó­filos ser or­ga­ni­zaram numa rede pro­fis­sional. Uma CPI nunca daria conta de achar o mais burro deles. Mas po­deriam aprender com sua total in­com­pe­tência no assunto.

Seria bem mais ra­zoável que essa CPI en­ten­desse que, para esses tipos de crimes vir­tuais (e até os reais!), so­mente um de­par­ta­mento de­dicado daria conta. Po­deria ser uma das so­luções apon­tadas no tal re­la­tório final. Quem sabe também uma análise de leis contra esses crimes em outros países, e uma dis­cussão ju­rídica séria que es­tu­dasse a pos­si­bi­lidade ou não de adapta-​las para a nossa re­a­lidade. Mas ao invés disso, os se­na­dores partem para cima do Google Inc. como ba­ratas que não con­seguem ficar longe do lixo. É muito es­tranho. Não é lógico.

Mas o Brasil não é exemplo de lógica ou na­ci­o­na­lidade. Parece mais um re­a­lismo fan­tástico mis­turado com a pior co­média de cos­tumes que uma mente do­entia e sem graça po­deria criar. De fato, es­perar qualquer co­e­rência e uso de bom-​senso por parte dos nossos ex­ce­len­tís­simos é tão im­pro­vável como or­denhar uma planta. Mesmo assim tem gente que bebe leite de soja todo dia. En­quanto dis­cutem como ferrar a Google Inc., mi­lhares de me­ninos e me­ninas sofrem abusos no país. Pior ainda, isso acontece até na beira nas es­tradas que ligam Bra­sília às ci­dades natais desses nossos grandes e no­táveis con­gres­sistas. É uma piada pronta ou não é?