Noticias Idiotas sobre uma Guerra

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Buraco, sim, onde es­tavas na hora da explosão?

Guerra nunca é uma ação boa, mas a co­bertura da im­prensa po­deria ser. Ou pelo menos algo mais útil. Antes, uma digressão.

Guerras são ter­ríveis, um ato para se evitar. Não digo “a todo custo” porque, bem, essa abor­dagem é mais pe­rigosa do que qualquer guerra em si. É o ar­gu­mento dos proto-​terroristas, esses que não vêem nada demais em ex­plodir bombas em res­tau­rantes, ou matar um mo­to­rista no sinal ver­melho. É o ar­gu­mento dos que querem ganhar alguma van­tagem na guerra, seja fi­nan­ceiro, po­lítico ou, até mesmo, ne­ces­si­dades da vaidade. Esse pen­sa­mento foi o res­pon­sável por Hitler, sua as­censão e pela Se­gunda Guerra. O mundo ainda car­regava os traumas da “Grande Guerra” e, por isso, esta hoje é co­nhecida como “A Pri­meira Grande Guerra”.

Na­quela época (pes­quisem), as no­tícias mos­tradas hoje em man­chete eram apenas os ro­dapés do jornal, porque, todos sabiam, guerras matam, guerras são es­tú­pidas e, não im­portam o que achem a ONU, guerras não poupam ninguém, nem ca­chorros, nem cri­an­cinhas. Era mais im­por­tante en­tender o con­flito. Nesse tempo, havia abertura e espaço para aná­lises apro­fun­dadas até de um combate es­pe­cífico. Hitler apro­veitou e criou aquilo que hoje cha­mamos de pro­pa­ganda e mar­keting na fa­culdade. Talvez seja essa a origem do trauma da im­prensa bra­si­leira, in­capaz de no­ticiar algo con­creto sobre o tema, restringindo-​se a nú­meros e bes­teiras sen­ti­mentais. Os jor­na­listas, quem sabe, não querem se ver res­pon­sáveis em pro­pagar uma visão ma­léfica como o fi­zeram pré se­gunda guerra. Como se os jor­na­listas sou­bessem di­fe­renciar uma arapuca de um estilingue.

En­tendo que as pessoas querem o melhor para o mundo, e que po­breza e in­justiça nem de­veriam existir. Mas, na re­a­lidade, não es­tamos tão de­sen­vol­vidos assim. Se você prestar atenção, os carros ainda usam ga­solina num motor de com­bustão in­terna, tal qual o modelo Ford T. A química nem tem 100 anos de evo­lução, mesmo assim temos alguns me­di­ca­mentos vitais. A física, bem, nos deu a res­so­nância mag­nética, o ultra-​som. En­tre­tanto, a me­dicina con­tinua igual: se tem algo errado, que nem a química e a física re­solvem, eles pegam uma faca e ar­rancam fora.

Correspondente de Guerra

Jor­na­lista no front, como deve ser.

En­tender o mo­mento que vi­vemos é es­sencial para não cair na ar­ma­dilha de jus­ti­ficar o ter­ro­rismo. Falo do Hamas. A Pa­lestina en­frenta di­fi­cul­dades sim, a maioria criada por eles pró­prios, com uma noção errada de is­la­mismo, ví­timas de uns poucos loucos que con­seguem con­vencer as pessoas que os judeus são maus e deve ser li­te­ral­mente mortos a qualquer custo. Eu sinto muito por essas pessoas, mas se elas não qui­serem mudar essa visão dis­torcida de mundo, bem, não a o que fazer a não ser combatê-​los. Ninguém aceita a ide­o­logia na­zista hoje. Quem a de­fende é tido como, no mínimo, um doido. Pois então, porque esses as­sas­sinos psi­co­patas, que usam o is­la­mismo como des­culpa, são tão bem-​vistos pelo mundo?

Existiu um tempo quando os re­pór­teres iam con­firmar quaisquer de­cla­rações dadas por au­to­ri­dades. Se o Hamas diz que 300 cri­anças foram mortas pelo exército de Israel, lá ia o jor­na­lista na linha de frente ver se isso era verdade. Ninguém tem mais co­ragem, e só um louco se en­fiaria nas fi­leiras do Hamas para tentar fazer uma re­por­tagem, pois sabem que essa turma mata sem dó, nem pi­edade. Então, que não no­ticiem tais coisas como verdade, co­lo­cando as res­pon­sa­bi­li­dades em quem de­clarou. Isso não é jor­na­lismo. Num con­flito assim, é pior do que falta de res­pon­sa­bi­lidade: é estar ao lado dos ter­ro­ristas. Fossem bons pro­fis­si­onais, os jor­na­listas iriam ao front pre­senciar os fatos.

O re­sultado desse jor­na­lismo de ca­deira é man­chetes como as que vão abaixo. Nenhum cor­res­pon­dente de guerra que se res­peite acei­taria tais pautas para uma pos­sível pu­bli­cação. Aliás, não há nenhum re­pórter desse tipo por lá. Nunca o jor­na­lismo esteve tão baixo, tão pobre. No­tícia é quando o dono morde o ca­chorro, não o con­trário. E o con­trário dessas “re­por­tagens” é um bar­ba­rismo sem ta­manho, um humor negro.

A seguir, as cinco no­tícias mais bestas sobre uma guerra.

5 - Blogueiros (ou jornalistas, ou habitantes, ou entusiastas ou o Paulo Coelho) contam o terror da guerra

Sério, alguém já viu uma no­tícia de “10 lu­gares que se deve vi­sitar antes de morrer du­rante a Se­gunda Guerra Mundial”? Ou “Saiba o que abra e fecha du­rante a Guerra do Kosovo”? Ou “Yoko Ono mostra o lado sócio-​pós-​modernista-​estruturalista de Saigon du­rante a re­tirada ame­ricana”?

Claro que não, isso porque, numa guerra, só há coisas ter­ríveis para contar. Claro que, vez ou outra, en­ganam a Oprah com maças jo­gadas pela cerca. Ou um filme mostra o lado humano que ainda re­siste à cru­eldade de um con­flito. Quando acontece, são his­tórias anô­nimas. Seus pro­ta­go­nistas não fazem isso por algum apreço pelo mundo, ou para mudá-​lo. Não mesmo, no duro. Pessoas fazem isso para lembrarem-​se que ainda são pessoas, e não animais. É um querer de dignidade. 

Nenhum jor­na­lista atual vai se meter onde o con­flito está pior para apurar tais his­tórias. Eles gostam do con­forto da en­trada do hos­pital, ou da se­gu­rança de uma área onde equipes de busca fazem o seu tra­balho. Isso quando não exigem entrar dentro dos blin­dados, atra­pa­lhando a vida dos sol­dados que, bem, pre­cisam fazer di­reito seu tra­balho ou morrerão.

4 - Vídeo mostra desespero de civis na faixa de Gaza

In­te­res­sante. Pro­va­vel­mente os civis no meio de um con­flito armado de­veriam usar o manual do Código De Trânsito bra­si­leiro para manter a calma ha­bitual, como fa­zemos na hora do aci­dente. Em meio de mísseis voando sobre suas ca­beças, um Hamas que muito pro­va­vel­mente irá correr em sua di­reção, porque essa gente não tem es­crú­pulos e usam civis como re­tar­da­tários (nem escudo é, porque eles não ficam e lutam, mas dis­param e correm).

Pessoas normais se de­ses­peram em meio a ti­ro­teios e bom­bar­deios. Só mesmo mulher de tra­fi­cante fica entre o bandido e a po­lícia, com seus filhos bas­tardos no braço.

3 - Ofensiva terrestre (aérea, marítima ou espacial) piora crise humanitária em Gaza, afirma ONU

Juro que um dia quero ver “Guerra me­lhora o IDH do Ca­za­quistão, diz pre­si­dente”. Ou, quem sabe, “Kosovo bate re­corde na pro­dução agrícola du­rante a Guerra, po­pu­lação co­memora a baixa dos preços”.

Jor­na­listas e a gente da ONU sabem que, con­flitos desse tipo duram poucas se­manas, e não anos como uma guerra de verdade. O tempo é curto para alguns se fa­zerem de li­de­rança, de um homem forte que ajudou a di­minuir a pe­núria desses seres hu­manos. Dafur não faz man­chete, o Hamas sim. 

2 - Israel anuncia abertura de "corredor humanitário" (ou entrada de alimentos, ou entrada de médicos, sei lá) em Gaza

Adoro essas “aspas”. No duro, tem jor­na­lista que pre­cisava cobrir uma guerra mundial. E nem con­sidero o con­flito entre Hamas e Israel uma “guerra”. Pri­meiro, porque o Hamas é um grupo ter­ro­ristas, e ter­ro­rista não é exército, e sem dois exér­citos não há guerra. 

Já as “aspas”. Bem, em qualquer con­flito as duas partes pre­cisam con­trolar o ter­ri­tório. É uma questão de es­tra­tégia. A en­trada de ajuda precisa, sim, ser su­per­vi­si­onada de perto, afinal, podem con­tra­bandear su­pri­mentos ou ar­ma­mentos para o inimigo. Na­daaaaa mais normal que isso. Mas hoje, a “po­li­ti­ca­mente de­bi­lóide” acha tudo isso es­tranho. Isso é o que dá ali­mentar ge­rações in­teiras com Toddynho®. Acham que a carne vêm das árvores, que ter­ro­ristas irão res­peitar as “ajudas hu­ma­ni­tárias”. Se assim fosse, meu bem, essa ajuda nem seria ne­ces­sária, não é?

1 - Israel intensifica ação em Gaza; mortos passam dos 500

Sério que um dos países in­ten­sifica suas ações numa guerra? E que os mortos sempre sobem du­rante as ba­talhas? Em que mundo vi­vemos! Onde estão as man­chetes com algo novo, como “Número total de mortos di­minui 12% depois da pri­meira semana”? Quem sabe um lead assim: “Primeiro-​ministro de Gaza diz que o alto número de res­sur­reições e mi­lagres dos pro­fetas de Alá são os res­pon­sáveis pelo de­créscimo”.

Ou seja, todo dia mais pessoas mor­rerão. Pessoas morrem em guerras de verdade, ok?