Cyndi Lauper na Via Funchau?

Cyndi Lauper

Cyndi Lauper

Cyndi passa no dia 15 por Belo Ho­ri­zonte, 17 em Cu­ritiba, e 20 em Porto Alegre. Se você quer gastar uma grana num ótimo show (e acha que para fazer cover do REM é ne­ces­sário ter um derrame), vá ver. Aos 55 cinco anos, Cyndi Lauper dá um show em muita Maria Rita que aparece por aí.
 
“Mas, Le­febvre, que diabos você foi fazer num show da Cyndi Lauper”, per­gunta o leitor mais ino­cente. Não é da sua conta, res­pondo, só apareci lá e re­al­mente não me arrependi. 

Para quem não co­nhece (ou nasceu tarde demais), Cyndi Lauper foi uma das musas dos anos oi­tenta. Sim, eu nunca res­peitei muito a música dela, não sabia porque achavam a mulher demais e só gostava de Time After Time, já que a música é legal e fica demais em versão blues. Sei que a trilha sonora de The Go­onies é dela, vi ma­térias te­ne­brosas como essa do duelo com a Ma­donna. Hoje em dia, ser ícone gay é mais im­por­tante do que ter uma bela voz e saber o que faz com um mi­crofone. Mundo cruel, esse, para os que ainda têm ouvidos.

Mas Cyndi mostra porque ganhou um Grammy. Vai de dó a dó num gri­tinho. Sobe e desce nas mo­du­lações, sempre dentro do tom. Sim­ples­mente te hip­notiza no palco. E isso com uma banda crua (leia-​se gui­tarra, baixo, ba­teria e só — claro que te­clado e uma backing eram ne­ces­sários). Se­relepe e sal­ti­tante, com uma humor que varia entre o bom e o ruim. Nossa, como essa mulher é mandona no palco. Basta o técnico de som dar uma va­cilada e ela para tudo para acertar tudo. É di­vertido. Na sexta-​feira, a luz caiu na Via Funchal (culpa da Light, não da casa). Ela não deve ter ficado con­tente, mas con­tinuou can­tando a capela para o pú­blico lotado. Pú­blico esse que era meio doido, devo dizer.

Até ontem não sabia que Cyndi Lauper virara um ícone da co­mu­nidade gay. Então me dis­seram que desde 2000 a coisa anda desse jeito. Isso ex­plicou o pú­blico, com­posto de gente um-​tanto-​estranha-​pro-​meu-​gosto. Gente, aliás, não-​acostumada com um ar­tista ca­marada. Cyndi saia do palco, apertava a mão de todo mundo, mas a galera só ficou quieta e parou de pro­vocar tu­multo quando ela in­ter­rompeu o show para falar com a platéia e os se­gu­ranças. Muito disso, sei eu, é pura afe­tação dos fãs. Mas enche o saco.

E não muda nada. Ela é demais. Agora eu en­tendo a razão do Grammy. Sei porque ela foi a pri­meira ar­tista a ter 4 singles no topo da parada. Ao vivo, é muito bom. Pena que nem sempre po­demos ver grandes shows no país dos nam­bi­quaras. Pior do que isso, não ter acesso a certas coisas, cria em você pre­con­ceitos bobos e idiotas. Cyndi Lauper é demais, e es­crevo embaixo.

A noite, como sempre, ter­minou no Finnegan’s, com muito uísque e muito blues. E fiquei ima­gi­nando aquela pe­que­ni­ninha ali, no mi­crofone, no meio dos velhos be­bâdos e va­ga­bundos que nem eu, mos­trando o que sabe fazer. Pro­va­vel­mente faria um bom estrago.

Tocando no Mr Blues

Preciso agra­decer de co­ração a Pau­linha pelo vídeo.

[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=6QhVt0-RY6c]

Mas falta muita es­trada para eu chegar num bom nível.