Onde está o outro Polanski?

Samantha age 13

Sa­mantha age 13

Eu nunca fui fã do Roman Rajmund Po­lański. Mas acho dois tra­balhos dele ge­niais: Dança com os vam­piros e a Sharon Tate. Para quem não sabe, ela foi as­sas­sinada pelos amigos do Charles Mason, aquele maluco co­varde, ainda grávida do filho do casal. Po­lanski e Tate eram ca­sados. Se isso acon­te­cesse comigo, fi­caria doido, to­tal­mente lelé. Enfim, o casal se co­nheceu em 67. Dez anos depois Roman fez sexo com uma menina de 13 anos. Trinta anos depois ele está preso por causa disso em Zu­rique. Mas o mis­tério per­manece: o que acon­teceu com o outro “Po­lanski”?
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Mídia e Ética: Caso Eloá

Memorial do Holocausto
Me­morial do Ho­lo­causto em Berlin, Ale­manha. De­se­nhado pelo ar­quiteto Peter Ei­senman e pelo en­ge­nheiro Buro Happold — Photo by Al­fonso Romay

Qual seria o ver­da­deiro com­pro­misso da mídia? Seria levar a in­for­mação àqueles que a an­seiam? Seria despir o mundo, na ten­tativa de mostrar a sua es­sência? Des­mis­ti­ficar as­suntos na ur­gência de sua dis­cussão? Em suma, mostrar a verdade em meio a con­fusão que é a vida?

Sa­bemos que o com­pro­misso com a busca pela verdade é muito maior do que a verdade em si. Nem mesmo a de­fi­nição de “verdade” é clara, direta, real. Um con­ceito abs­trato, per­so­nagem prin­cipal de lutas fi­lo­só­ficas desde o início dos tempos. Buscá-​la, ao con­trário, sempre foi es­ti­mulado e va­lo­rizado. Nesse as­sunto, o ca­minho sempre foi mais im­por­tante que o destino final.

Então, qual seria a vo­cação ética da mídia? Po­demos entrar fi­nal­mente na questão depois de des­cobrir o que ela sig­nifica. No bom-​senso comum ética seria a im­par­ci­a­lidade no relato dos fatos. Mais, uma au­sência de pré-​julgamentos, um com­pro­misso, antes de tudo, com a busca pelo ver­da­deiro. Por isso, fo­mentar a dis­cussão, o debate, o senso crítico dos in­di­víduos é fundamental.

É ser humano se apai­xonar, chorar, sentir falta, não exe­cutar duas me­ninas a queima roupa.

A teoria só re­flete a prática se espelhar-​se na última. O que en­ten­demos por vo­cação ética da mídia é mais um pen­sa­mento abs­trato, fi­lo­sófico, do que uma re­a­lidade. In­formar, acima de tudo, é se­le­cionar. A im­par­ci­a­lidade não está na di­visão equi­va­lente entre os pontos-​de-​vista dis­tintos. Muito menos na lin­guagem es­téril que, ul­ti­ma­mente, é tão comum na im­prensa. A im­par­ci­a­lidade é uma mentira. Ela não existe. É apenas um mito. E como todos, cada vez que o des­truímos, au­to­ma­ti­ca­mente o reforçamos.

Mas o caso Eloá trouxe al­gumas mu­danças, só não sei se serão de­fi­ni­tivas ou não. Há anos não vejo os veí­culos de co­mu­ni­cação cha­marem as­sas­sinos pelo nome. Nor­mal­mente são “sus­peitos”, mesmo quando presos em fla­grante delito. A mídia não é pro­cu­ra­doria, nem juiz ou júri para con­denar ou ab­solver quem quer que seja. “As­sassino” é apenas o que Lin­demberg es­colheu para sua vida. Não é pro­blema do Jornal Na­cional as es­colhas que ele fez, mas é preciso sim, sem sombras de dúvida, chamar pelo nome a verdade que aparece.

Fo­mentar o debate nunca foi tarefa da mídia. Ela usou esse ar­ti­fício quando as pessoas o re­qui­si­tavam como peça fun­da­mental do discurso.

Não há uma justiça a se pro­curar na mídia, ela só exis­tiste no in­di­víduo. Uma sin­ce­ridade da mídia está no fato dela mostrar que, acima de tudo, só se­le­ciona e compila. Gos­tamos de acre­ditar que esse pro­fis­sional tra­balha por nós – que ele busca a verdade en­quanto o ci­dadão comum preocupa-​se com tra­balho, casa, filhos. Mas isso é um ato so­li­tário e não pode ser de­legado a outros. Acontece dentro da mente de cada um, e so­mente nela. É um exer­cício in­di­vidual e intransferível.

Em casos como esse, fica fácil achar essa verdade, es­pe­ci­al­mente quando ela está gravada em vídeo. Ainda assim, não fal­tarão ana­listas para culpar a mesma mídia pelo des­fecho da his­tória. São apenas te­orias ig­no­miosas, de jor­na­listas que pouco fazem e muito de­dicam a causas ideológicas.

A única vo­cação ética da mídia é manter-​se, é o com­pro­misso com sua so­bre­vi­vência. Houve um tempo no qual essa vo­cação era ex­plícita – era ma­ni­festa porque ur­gente. Aqueles que bus­cavam a in­for­mação o faziam para poder pensar sobre de­ter­minado as­sunto e buscar por si sua es­sência. A par­ci­a­lidade la­tente era ne­ces­sária para mostrar a que a mídia de­fendia, contra quem lutava, qual verdade buscava. Só assim po­deriam levá-​la a sério.

Fo­mentar o debate nunca foi tarefa da mídia. Ela usou esse ar­ti­fício quando as pessoas o re­qui­si­tavam como peça fun­da­mental do dis­curso. Não foi ela quem mudou, mas o pú­blico. Hoje, a ur­gência é de pro­cessos aca­bados, ex­pli­cados, fi­nitos em si. Há muito pouca dis­po­sição para re­fletir sobre um as­sunto. Para so­bre­viver, a mídia se adaptou.

Mas alguma coisa acon­teceu agora. Num ano cheio de tra­gédias, os ver­da­deiros jor­na­listas pa­recem ter acordado. Viram que a escola do Al­berto Dines não con­segue apre­ender a re­a­lidade tal como ela é. O “jor­na­lismo im­parcial” serve a in­te­resses, não à verdade. O pú­blico precisa mais do que meias pa­lavras. E também fica di­fícil fazer eu­fe­mismos quando a vida real é tão cruel, tão mau, tão asquerosa.

A questão não é ex­plicar como a mídia não es­timula o debate, nem o senso crítico do seu pú­blico – nunca foi seu papel. Agora, se qui­sermos ex­plicar como a so­ci­edade baniu a vontade de pensar e ra­ci­o­cinar, po­demos buscar a verdade dentro desses li­mites es­ta­be­le­cidos. E essa verdade é uma das mais fáceis de se des­cobrir. O pro­blema é acre­di­tarem nela — mesmo ela apa­re­cendo ao vivo e a cores em cadeia na­cional de rádio e te­le­visão.
PS: Para quem não en­tendeu a foto com o texto, leia isso.

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Orkut de Lindemberg?

Vai saber se é real ou algum maluco, mas o google já po­deria ter re­tirado do ar esse orkut do Lin­demberg e mandado os dados pra justiça, não? O Google Inc também não ajuda…

Um bode no Rio Grande Do Sul

Tarso Genro é um im­becil. Como ad­vogado ele é um asno. Só mesmo num pe­ríodo de loucura tal ci­dadão (porque ele é) pode ser chefe de qualquer coisa. Sobre o uso de al­gemas, o ilustre declarou:

“Isso aí [a res­trição ao uso de al­gemas] pode gerar uma reação mais vi­o­lenta na pessoa [um eventual preso], o que leva a Po­lícia Civil a ter mais vi­o­lência para se pro­teger”, disse o mi­nistro, antes de pro­ferir uma pa­lestra para es­tu­dantes.
Tarso Genro afirmou também que, “por ser bem pre­parada, por ser uma elite treinada”, a Po­lícia Fe­deral terá mais fa­ci­lidade para se adaptar à de­cisão do STF.
“O ar­bítrio do agente au­mentou. O juízo do agente de usar ou não algema ficou mais forte, ele fica mais senhor da cus­tódia”, afirmou o mi­nistro.
“Se ti­vesse uma de­cisão, por exemplo, não se pode al­gemar ninguém ou pode al­gemar de­ter­mi­nadas pessoas, aí o po­licial teria uma norma mais direta sobre a sua conduta.”

O que é isso? quer dizer que não de­vemos confiar na po­lícia civil porque ele é mal treinada? Di­gamos, se qualquer um for abordado, o po­licial civil é um brucutu que não co­nhece as leis? Por­tanto, diante de uma si­tuação de vida ou morte (pois po­li­ciais civis podem usar armas), o ci­dadão precisa se de­fender de agentes pú­blicos que não co­nhecem as leis e seus limites?

Tarso genro está di­zendo, no âmago, que os ci­dadãos devem reagir à po­lícia porque eles não tem ca­pa­cidade de abordar um ci­dadão de bem. Onde já se viu isso?

Como ele disse, o uso de al­gemas, de acordo com o STF, é ilegal em certos casos. Como um ci­dadão de bem, posso me opor ao abuso de au­to­ridade (que é crime), por­tanto, a reação à po­lícia está re­gu­la­mentada no código penal.