Um novo mundo é possível e sem o socialismo

Sim, um simples estilingue pode fazer muito estrago

Sim, um simples es­ti­lingue pode fazer muito estrago

Em épocas de Fórum Social Mundial, a ide­o­logia mais feroz, de­sumana e as­sassina no­va­mente ganha ares de sal­vadora. Desde que Stalin lançou sou plano mais abo­mi­nável, o so­ci­a­lismo retoma um falso papel de “um mundo melhor”. Sem dúvida é melhor para os psi­co­patas, as­sas­sinos e es­tu­pra­dores. E adianta dizer essas coisas? Pouco pro­vável que a visão es­treita dos auto-​assumidos es­quer­distas mude. Di­fícil des­fazer um mito, prin­ci­pal­mente um que usa igualdade entre os homens como norte de uma utopia. Se essa é a pre­missa básica, acre­ditar numa des­crição ima­gi­nativa de uma so­ci­edade ideal, fun­da­mentada em leis justas e em ins­ti­tuições político-​econômicas ver­da­dei­ra­mente com­pro­me­tidas com o bem-​estar da co­le­ti­vidade, não há ba­talha a ser travada, não há lógica ou dis­cussão ra­cional que façam dois lados opostos che­garem num de­no­mi­nador comum. Essas pessoas já não vivem na re­a­lidade. Estão no campo da psi­qui­atria, não da fi­lo­sofia, po­lítica, etc.

Acho muito en­gra­çadas a brin­ca­deiras feitas com as 600 mil ca­mi­sinhas dis­tri­buídas no Fórum. É um contra-​senso, já que ali na mul­tidão a maioria de­fende uma so­ci­edade mais aberta com a li­be­ração do aborto e de al­gumas drogas. De tão bem in­for­mados e an­te­nados, nem pre­ci­sariam dessa aju­dinha. Mas como eu disse, não adianta dis­cutir e tentar de­monstrar o ab­surdo dessa e de outras situações.

Também não existe nada a acres­centar no caso do as­sassino Bat­tisti, que re­cebeu do atual Mi­nistro da Justiça um in­dulto para fazer no Brasil o que um dia fez na Itália. Isso ser dis­cutido numa mesa que quer rever a Lei da Anistia bra­si­leiro é uma piada sem graça. 

Porém, nem o Brasil, nem o mundo, é com­posto apenas por pessoas da es­querda. Elas só fazem “mais ba­rulho”, prin­ci­pal­mente porque não pre­cisam tra­balhar, tem um pro­te­ci­o­nismo exemplar (prin­ci­pal­mente o pro­te­ci­o­nismo aca­dêmico no Brasil e no mundo) e muito tempo livre para alardear suas bes­teiras. A outra parte da po­pu­lação, aquela que vive a re­a­lidade, pouco se im­porta com as bes­teiras ditas nesses fóruns. O que as pre­ocupa é o que fazer para não deixar essa gente trans­formar o mundo num caos?

Claro, num pri­meiro mo­mento, re­tirar esse povo do pro­cesso social vêm à mente. Mas, no meu caso e nos de muito, isso é in­justo. Quem gosta de fu­zilar quem os con­traria são os es­quer­distas. Num Estado De­mo­crático de Di­reito eles também têm voz, mesmo que essa seja uma fala louca e psi­cótica na maioria dos casos. É uma questão apa­ren­te­mente com­plicada de re­solver, como im­pedir que façam lou­curas e co­loquem em prática suas idéias loucas sem re­correr a re­cursos ex­tremos, não é mesmo?

Mas para um pro­blema com­plicado, muitas vezes a res­posta é a mais simples. Para de­fender o jogo justo, basta aplicar as regras do jogo. Fácil assim.

As idéias do so­ci­a­lismo e do co­mu­nismo vão contra as idéias de um Estado de Di­reito e de uma de­mo­cracia. No seu núcleo, as duas ide­o­logias são cri­mi­nosas. Par­tindo disso, as suas idéias também terão algo fora da lei, em maior ou menor grau, não im­porta a ma­quiagem usada para dis­farçar os seus fins. Também os meios uti­li­zados pelos so­ci­a­lismo e o co­mu­nismo não chegam na esfera da le­ga­lidade. Para im­pedir essas ma­lu­quices, basta re­correr às leis.

No Go­verno Bra­si­leiro, por exemplo, há inú­meras de­núncias de cor­rupção, de mal-​uso dos re­cursos pú­blicos e tantos outros atos cri­mi­nosos que alguém co­meteu. Para parar uma má­quina, basta tirar uma en­gre­nagem e não deixar co­locar outra no lugar. Como a má­quina de es­querda flerta sempre com alguma ile­ga­lidade, pela lei, poderia-​se fa­cil­mente frear suas am­bições fis­ca­li­zando efi­ci­en­te­mente suas ações. Sei bem que sempre haverá juízes de pri­meira ins­tância com­pac­tuando com tais idéias, mas nas es­feras su­pe­riores do ju­di­ciário a ide­o­logia não possui tanto espaço. Ali as aná­lises téc­nicas valem mais. Sim, pode de­morar para surtir efeitos, mas eles hão de apa­recer sim. Da mesma forma que o in­ves­ti­mento maciço em edu­cação não mudará um país no curto prazo, zelar pela lei não trará re­sul­tados amanhã, mas depois de cinco, dez ou quinze anos as mu­danças serão evidentes.

Va­lo­rizar o mérito também fun­ciona bem para evitar um surto es­quer­dista. Nessa questão a re­a­lidade bra­si­leira apre­senta de­safios enormes. As uni­ver­si­dades pú­blicas são es­ta­leiros de em­bar­cações des­ti­nadas ao fra­casso. In­fe­liz­mente, esses barcos nunca saem das ins­ti­tuições, eles sabem que não cons­troem nada que re­al­mente fun­cione, por­tanto nunca os vemos afun­darem. Como mudar a lei do fun­ci­o­na­lismo pú­blico é um tanto mais com­plicado, a saída é pegar os monstros ge­rados na USP, UFBA e con­gê­neres e largá-​los na re­a­lidade. Suas teses, suas pes­quisas, trazê-​las à luz e deixar que flutuem por ai. Não duram muito tempo. Não é a toa que as Bi­bli­o­tecas Di­gitais dessas “grandes fa­cul­dades” nunca saem do papel. Exigir trans­pa­rência no tra­balho aca­dêmico di­mi­nuiria a sanha dessa gente.

Outro as­pecto pre­o­cu­pante é a in­vasão da es­querda na cultura geral, ou “cultura de massa” como gostam de dizer. Isso já não dá para com­bater, mas a lei pode im­perar nesse setor também. Livros, re­vistas, etc obe­decem a lei da oferta e da cultura. Se já gente que gosta da Carta Ca­pital, tudo bem. Mas seria preciso rever a pu­bli­cidade es­tatal como um todo. In­ves­tigar para ver se há alguma ir­re­gu­la­ridade na dis­tri­buição dos anúncios, porque uma re­vista A e outra B re­cebem cotas di­fe­rentes se possuem o mesmo número de lei­tores. Caso haja alguma es­pécie de “dis­cri­mi­nação ide­o­lógica” nos se­tores de pu­bli­cidade de em­presas pú­blicas, metam a cons­ti­tuição em cima deles. Se há alguma es­pécie de “as­pecto social” nessa his­tória, ou as pró­prias “te­orias de acesso à in­for­mação” ge­radas nas USPs da vida, mais fácil ainda. Isso também vale para a ANCINE e todo o mi­nis­tério da cultura. Basta um bom ad­vogado querer. Não ligue para as pri­meiras ins­tâncias. A gente re­solve isso é no STF.

Muitas vezes a má­quina de es­querda nos faz sentir im­po­tentes. Mas até isso é falso. Ela não é tão grande, nem tão po­derosa. Aliás, essa mentira, a da sua gran­di­o­sidade, é a única defesa que ela possui. Todo e qualquer as­pecto do socialismo/​comunismo rui diante da re­a­lidade. E boas doses de re­a­lidade são su­fi­ci­entes para im­pedir uma “do­mi­nação” com­pleta. Não precisa de uma força ho­mérica, só um pouco de dis­po­sição no nosso tempo livre. Uma pessoa com bom-​senso pode causar mais es­trago na es­querda num do­mingo a tarde do que todo um Fórum Social Mundial na nossa vida. É sério. No duro.

Foto: Erik

Civilizados à força [version Lefebvre]

Gosto de ver a reação de alguns blogs sobre a nova lei seca bra­si­leira. Alguns deles, es­quer­dinhas na maioria, vo­ci­fe­raram quando o W. Bush quis enfiar a de­mo­cracia no Iraque, afir­mando que não se pode mudar a cultura de um povo à força. Mas co­me­moram a mu­dança de hábito dos bra­si­leiros, que agora não saem mais de casa com medo não da lei, mas da po­lícia como sempre.

O Pol­zonoff (de quem eu copiei o título desse post) es­creveu bem: esses oti­mistas vão acabar se fer­rando como todo mundo. Quando uma lei tira as li­ber­dades ga­ran­tidas de alguns, logo logo todos em­bar­carão no mesmo barco. Também através dele li esse texto sobre as li­mi­tações do bafô­metro, no blog do Zé. É in­crível ver como as leis são apro­vadas no Brasil sem cri­tério algum. Os le­gis­la­dores não se pre­o­cupam nem em pes­quisar no google!

Nem co­men­tarei sobre o apa­re­ci­mento, do nada, de de­zenas de po­li­ciais para fazer blitz co­er­civas por causa dessa nova lei. Quando pre­ci­samos deles para evitar um as­salto ou coisas piores, po­licial nenhum aparece. Se um babaca é multado a 150km/​h nas vias pú­blicas, não vejo po­licial indo a casa do cara para apre­ender car­teira e im­pedir o su­jeito de di­rigir pe­ri­go­sa­mente. Também incluo na lista 90% dos mo­toboys da cidade — eles des­res­peitam quase todas as leis de trânsito vi­gentes e nunca são pegos.

Nunca o Brasil foi co­mandado por pessoas tão me­díocres, mes­quinhas e in­com­pe­tentes. Creio que a gente de hoje con­seguiu su­perar a es­tu­pidez do go­verno Sarney (e sempre achei isso im­pos­sível). Mas tudo tem seu lado bom. Essa his­tória toda nos faz lembrar que, apesar dos iPhones e tvs de plasma, o Brasil con­tinua sendo uma Re­pú­blica das Ba­nanas. Acham que podem acabar com a es­tu­pidez na base do de­creto. Porém, ter o Lula como Pre­si­dente da Re­pú­blica só mostra que é idi­otice com­bater a burrice desse jeito.

Update: Não é que o Blog do Zé está fa­zendo uma bela co­bertura dessa nova lei? Vale a pena ver o que ele es­creve. É algo que eu também faria se ti­vesse tempo. Aliás, vou ar­ranjar tempo. Só assim pra essa lei es­túpida cair.

Drunk Drivers Prison

Já que agora xarope de tosse, bombom de licor e Bi­otônico podem dar cadeia, diá­logos como esse serão comuns nas prisões brasileiras:

— E aí, meu, tú é novato aqui na parada, não?

— Sim, sou sim.

— Os me­ganhas te en­qua­draram por quê?

— Ah, matei quatro e cai na blitz. E você?

— Eu matei vinte.

— Vinte? Vinte?! Mas como?

— Ah, eram de cereja e ani­ver­sário de ca­sa­mento. Foi a caixa, sabe como é…

Oh lei mais sacal. Se de­pu­tados e se­na­dores fossem pu­nidos por cada projeto in­cons­ti­tu­cional, essas bes­teiras aca­bariam na hora. Ves­ti­bular para po­lítico já!