Cyndi Lauper na Via Funchau?

Cyndi Lauper

Cyndi Lauper

Cyndi passa no dia 15 por Belo Ho­ri­zonte, 17 em Cu­ritiba, e 20 em Porto Alegre. Se você quer gastar uma grana num ótimo show (e acha que para fazer cover do REM é ne­ces­sário ter um derrame), vá ver. Aos 55 cinco anos, Cyndi Lauper dá um show em muita Maria Rita que aparece por aí.
 
“Mas, Le­febvre, que diabos você foi fazer num show da Cyndi Lauper”, per­gunta o leitor mais ino­cente. Não é da sua conta, res­pondo, só apareci lá e re­al­mente não me arrependi. 

Para quem não co­nhece (ou nasceu tarde demais), Cyndi Lauper foi uma das musas dos anos oi­tenta. Sim, eu nunca res­peitei muito a música dela, não sabia porque achavam a mulher demais e só gostava de Time After Time, já que a música é legal e fica demais em versão blues. Sei que a trilha sonora de The Go­onies é dela, vi ma­térias te­ne­brosas como essa do duelo com a Ma­donna. Hoje em dia, ser ícone gay é mais im­por­tante do que ter uma bela voz e saber o que faz com um mi­crofone. Mundo cruel, esse, para os que ainda têm ouvidos.

Mas Cyndi mostra porque ganhou um Grammy. Vai de dó a dó num gri­tinho. Sobe e desce nas mo­du­lações, sempre dentro do tom. Sim­ples­mente te hip­notiza no palco. E isso com uma banda crua (leia-​se gui­tarra, baixo, ba­teria e só — claro que te­clado e uma backing eram ne­ces­sários). Se­relepe e sal­ti­tante, com uma humor que varia entre o bom e o ruim. Nossa, como essa mulher é mandona no palco. Basta o técnico de som dar uma va­cilada e ela para tudo para acertar tudo. É di­vertido. Na sexta-​feira, a luz caiu na Via Funchal (culpa da Light, não da casa). Ela não deve ter ficado con­tente, mas con­tinuou can­tando a capela para o pú­blico lotado. Pú­blico esse que era meio doido, devo dizer.

Até ontem não sabia que Cyndi Lauper virara um ícone da co­mu­nidade gay. Então me dis­seram que desde 2000 a coisa anda desse jeito. Isso ex­plicou o pú­blico, com­posto de gente um-​tanto-​estranha-​pro-​meu-​gosto. Gente, aliás, não-​acostumada com um ar­tista ca­marada. Cyndi saia do palco, apertava a mão de todo mundo, mas a galera só ficou quieta e parou de pro­vocar tu­multo quando ela in­ter­rompeu o show para falar com a platéia e os se­gu­ranças. Muito disso, sei eu, é pura afe­tação dos fãs. Mas enche o saco.

E não muda nada. Ela é demais. Agora eu en­tendo a razão do Grammy. Sei porque ela foi a pri­meira ar­tista a ter 4 singles no topo da parada. Ao vivo, é muito bom. Pena que nem sempre po­demos ver grandes shows no país dos nam­bi­quaras. Pior do que isso, não ter acesso a certas coisas, cria em você pre­con­ceitos bobos e idiotas. Cyndi Lauper é demais, e es­crevo embaixo.

A noite, como sempre, ter­minou no Finnegan’s, com muito uísque e muito blues. E fiquei ima­gi­nando aquela pe­que­ni­ninha ali, no mi­crofone, no meio dos velhos be­bâdos e va­ga­bundos que nem eu, mos­trando o que sabe fazer. Pro­va­vel­mente faria um bom estrago.

Minha Biblioteca

Livros e mais livros e mais livros

Livros e mais livros e mais livros

Quando eu morava no Rio de Ja­neiro, gostava de ca­minhar e con­versar sobre livros. Muitas vezes fazia isso só, me igua­lando aos doidos que de­coram as es­quinas ca­riocas. E quando en­con­trava um amigo para ouvir minhas ma­lu­quices, coitado, sentia pena depois de nos des­pe­dirmos – pro­va­vel­mente eu o fiz passar uma das tardes mais de­sa­gra­dáveis da sua vida.

E num desses diá­logos, eu ab­sorto nos de­va­neios de final de tarde, um grande colega interrompeu-​me:

Le­febvre, es­tamos na Vieira Souto, o metro qua­drado mais caro do país. Olhe pros apar­ta­mentos e me diga o que vê.”

Bem, luzes acesas, quadros, salas, te­le­visão…” eu dizia.

Então, e o que você não vê?”, per­guntou ele.

Humm…”, pensei, “bi­bli­o­tecas?”, respondi.

Sim, exa­ta­mente. Bra­si­leiro não gosta de livros. Na Europa, a bi­bli­oteca fica sempre na sala. Não para im­pres­sionar as vi­sitas, mas porque é mais prático. A fa­mília lê. No Brasil, ninguém lê, ninguém se im­porta com isso. Livro serve para juntar pó. Agora com a in­ternet, com o com­pu­tador, aca­baram até mesmo com as en­ci­clo­pédias. Muito car­pin­teiro faliu com isso. É o que eu chamo de crise. Bra­si­leiro não lê. Não usa jornal nem para catar cocô de cachorro…”

Desde então, decidi usar a bi­bli­oteca como meu índice pessoal de de­sen­vol­vi­mento humano. Quando faço uma visita, procuro pri­meiro a bi­bli­oteca. Pouco me im­porta o que o ser lê. Se tem uma bi­bli­oteca, e os livros são “usados”, fico con­tente, á vontade. Tenho medo ao entrar numa casa sem livros. Peço logo uma água com açúcar para me acalmar.

Andei muito pelo Rio a caça de bi­bli­o­tecas pes­soais. Olhava aten­ta­mente as ja­nelas em busca de livros. “Ca­rioca não lê”, pensava. Uma vez, no Leblon, vi cinco apar­ta­mentos com bi­bli­oteca na sala. Quis me mudar para o prédio ime­di­a­ta­mente. Quando cheguei em São Paulo, co­mecei a ana­lisar os meus vi­zinhos com um binóculo.

Aqui, há cerca de 500 ja­nelas (ou mais). Em todo prédio, ao menos um ci­dadão possui uma es­tante de livros. O as­sunto deles, não sei. Nas minhas noites de insônia, muitas vezes apagava a luz do meu quarto e bis­bi­lhotava a vida alheia. Tem um ve­lhinho que mora no ter­ceiro prédio do outro lado da rua. Toda a noite ele acende o seu abajur, senta na pol­trona e lê inin­ter­rup­ta­mente por quase duas horas. Ninguém o in­comoda. Acho isso tão legal. Quero ser assim quando eu crescer.

No prédio atrás do meu, uma fa­mília se reúne re­li­gi­o­sa­mente todo dia para jantar. É tão bonito. Depois, con­versam um pouco na frente da te­le­visão, sempre sin­to­nizada num canal de no­tícias. Quando se se­param, fico de olho na janela do es­cri­tório, onde fica a bi­bli­oteca deles. A luz acende e apaga. Toda hora alguém pega algum volume. Penso que nessa fa­mília todo mundo é dou­to­rando. Só pode. Ou ad­vo­gados, vai saber. Mas é uma rotina vi­ciante. Quase me es­queço que dois an­dares acima mora uma das mu­lheres mais bo­nitas que já vi.

Nisso, olho para os meus pró­prios livros. Coi­tados, nem são muitos mas são que­ridos. Bem de­vagar, como um sapatinho-​de-​judia (Tum­bergia my­so­rensis), eles tentam tomar conta da parede da minha sala. Toda bi­bli­oteca é um projeto eterno. Os ar­qui­tetos devem gostar quando pegam um cliente com uma co­leção imensa, porque, além de tudo, a ela é um ótimo objeto de de­co­ração. E a bi­bli­oteca é a pupila dos olhos do dono. Nem o carro a vence.

Minha bi­bli­oteca, como as his­tórias de amor, também é um clichê. Talvez a de todo mundo seja, mesmo que ninguém admita. Eu gosto de passar por ela, e me pego, às vezes, ad­mi­rando os li­vrinhos en­fi­lei­rados. Sinto uma sen­sação tão grande de or­gulho que só pode ser pecado. “Padre, perdoe porque eu pequei. Faz 16 anos desde minha última con­fissão. Eu olho a minha bi­bli­oteca é fico todo or­gu­lhoso…”. Talvez por isso eu goste tanto desse poema do J. G. de Araújo Jorge (des­culpe a música, não é minha culpa), que nada tem de gran­dioso, mas que é tão efi­ciente quanto ri­minhas entre namorados.

A bi­bli­oteca é toda do dono, é uma da­quelas coisas que ninguém pode fazer por você. Quer dizer, até pode, em casos ex­tremos. Mas de nada adianta se os livros fi­carem por lá. Livros não servem apenas para pegar pó. Livros servem para dar vida, prin­ci­pal­mente para nós, homens. É que nós não po­demos gerar filhos, e essa deve ser uma ex­pe­ri­ência ma­ra­vi­lhosa. Mas através dos livros, talvez che­guemos bem perto disso. Junto com outra pessoa, o autor, através da leitura, trans­for­mamos em re­a­lidade algo que até então não existia para nós. É por isso que fico tão or­gu­lhoso e cheio de mim. Assim como meu ca­chorro, a bi­bli­oteca faz parte da fa­mília e é insubstituível.

Publicidade: Um desafio para o PT

Quem sabe os candidatos devam comprar um néon?

Quem sabe os can­di­datos devam comprar um néon?

A vida do PT não está fácil. Mas se­guindo a tra­dição do Breves Notas, vou dar a eles o pulo do gato para a pu­bli­cidade nas cam­panhas elei­torais vin­douras. Eu sei, no­va­mente tra­ba­lhando de graça (e dessa vez aju­dando o inimigo). Nem tanto. Não há es­pe­rança alguma que os pe­tistas leiam isso aqui e re­solvam mudar. Eles não aprendem nada, eles não es­quecem nada. A análise serve mais como cu­ri­o­sidade, quem sabe um aviso. Então, chega de lenga-​lenga e vamos ao que interessa.

Ao con­trário do que pensam os ana­listas po­lí­ticos de porta de cadeia, os es­cân­dalos de cor­rupção nunca vistos antes nesse país fi­zeram um belo es­trago para o Partido dos Tra­ba­lha­dores, mesmo não atin­gindo o lider-​mor do partido, Lula. A po­pu­lação, claro, não deu de ombros como muitos alegam. Alguns po­lí­ticos juram de pé junto que o men­salão não existiu, que compras de votos não acon­te­ceram e por aí vai. Isso fun­ciona para a justiça (in­crível, não?), mas o povo é mais des­con­fiado. Para eles, acon­teceu e talvez ainda esteja acon­te­cendo. Basta per­guntar pela rua. E por que isso não atingiu a imagem do ape­deuta? Por que ele ainda é pre­si­dente da República?

Porque Lula é um semi-​analfabeto como todos nós”. Essa é a res­posta. Cuidado, eu não afirmo que o barbudo é ou não isso ou aquilo, digo que: no ima­gi­nário po­pular, Lula é um homem com baixa for­mação in­te­lectual, mas com um bom co­ração, como a po­pu­lação brasileira.

Esse é o apelo de Lula, bem ex­plorado nas últimas duas dis­putas elei­torais. Um homem do povo e blá-​blá-​blá. Ti­rando a mi­li­tância pe­tista, que o ama acima de todas as coisas, o ci­dadão comum vê um ser que en­frentou a ad­ver­sidade e, por isso, “co­nhece” os reais pro­blemas do país. Claro que isso é uma bes­teira mons­truosa, mas fun­ciona na pu­bli­cidade. A imagem do Ape­deuta é essa, foi cons­truída assim e, devo ad­mitir, dá certo demais na ba­na­nânia. Quem se lascou com essa his­tória foi o resto do Partido.

Os di­versos es­cân­dalos en­vol­vendo o go­verno não “gru­daram” em Lula porque

  1. A opo­sição quis ex­pli­citar para o Brasil o que re­al­mente acontecia.
  2. O povo re­al­mente acre­ditou que Lula de nada sabia

Mas, aí, o leitor se per­gunta “como o povo pôde ser tão burro e acre­ditar que o pre­si­dente não sabia de nada que acon­tecia de­baixo do seu nariz?”. A res­posta é fácil, mas longe de ser simples: porque Lula também é um homem do povo, logo, seria tão, di­gamos, in­gênuo como todos eles.

Es­clareço. Um homem comum, sentado no Pa­lácio do Pla­nalto, teria sérias di­fi­cul­dades em co­mandar um país. De­legar res­pon­sa­bi­li­dades, con­tratar as­ses­sores, mi­nistros, es­pe­ci­a­listas. Lidar com po­lí­ticos, par­tidos, em­prei­teiros, em­pre­sários e “toda essa gente”. O Seu Zé, na ca­deira do Pre­si­dente, sem ter ex­pe­ri­ência nessa his­tória, faria muitas bur­radas. O homem comum sabe que nem todo amigo é amigo, e se você lida com muita gente, alguns trai­dores acabam in­fil­trados no seu círculo pessoal. Faz parte da vida.

Isso fica muito pior quando se tem “poder”. Para o homem comum, Lula até tenta fazer tudo certo, mas como ele é “gente como a gente”, não dá pra es­perar muita coisa do su­jeito, não é? Os ana­listas po­lí­ticos fes­te­jaram a eleição do Ape­deuta como a su­pe­ração de pre­con­ceitos. Não foi, apenas é a re­a­fir­mação de todos eles. Já ouvi várias vezes (de elei­tores do Ape­deuta) a frase “es­perar o que do Lula, meio burro né, vão tirar van­tagem dele, lógico”.

Lula é um homem in­te­li­gente e ma­qui­a­vélico. Mas a “blin­dagem” de sua imagem mais deve ao ar or­di­nário, de homem comum, do que às es­tra­tégias ar­ti­cu­ladas pela sua cúpula, iden­ti­fi­cação par­ti­dária ou outras aná­lises do pessoal da USP ou da UNB. Po­pu­lista como é, não dá para con­vencer alguém que Lula é um gênio po­lítico, não um ci­dadão igual aos outros. E nas eleições de 2008, essa sua van­tagem virou contra o próprio partido. A ironia nunca morre, como diz o Mainardi.

O Partido dos Trabalhadores nas Eleições

As eleições 2006 foram mar­cadas por es­cân­dalos, sim. Nenhum outro can­didato pas­saria in­cólume a essa onda de acu­sações. Lula passou, e já ex­pliquei a razão. Ele é “or­di­nário como a gente”. Na­quela época, uma ba­gunça foi ins­taurada no ce­nário po­lítico. Os pró­prios pe­tistas se en­vol­veram em si­tu­ações nada hon­rosas. O Ape­deuta, es­perto, falou e não disse nada, esquivou-​se das acu­sações, usou a tática do “fui traído, meu erro foi es­perar o melhor das pessoas”. Disse que “cor­taria da própria carne”. Lógico que não cortou, mas, nas cam­panhas a pro­messa sempre vale mais. Como não apa­receu nenhum lasco por aí, os elei­tores fi­caram com sua es­pe­rança e vo­taram como fi­zeram em 2004.

Dois anos depois, os bra­si­leiros re­sol­veram ajudar Lula. No duro. A idéia é mais ou menos essa: “Lula não sabe es­colher ami­zades, isso a gente já sabe, então não vamos votar nos amigos deles, oras, porque são trai­dores”. Não é a toa que o número de votos do PT di­minuiu. Qualquer ana­lista de­cente já teria aberto o bico para o Partido. “Cuidado, Lula pode afundar o resto de vocês”. Mas imagina falar isso para uma Martha Su­plicy. Nunca, nun­quinha. Eu diria, relaxa e goza minha filha, vocês fi­zeram a ba­gunça e eu não tenho nem idéia de como ar­rumar isso. Não é um tra­balho fácil, não. A cada es­cândalo ao qual Lula so­brevive, o resto do PT su­cumbe. É preciso ter um culpado para tantos crimes. Se a Justiça pega ou não os cul­pados, isso é ir­re­le­vante para a po­pu­lação. Eles também julgam e acham os ban­didos que querem.

No ima­gi­nário po­pular, todo partido é um covil de lobos, gente ga­nan­ciosa que querem ganhar muito di­nheiro nas costas do país. Tanto que o “rouba mas faz” é um slogan po­sitivo no Brasil. Maluf ainda seria um campeão de votos hoje se não ti­vesse feito uma bes­teira com­pleta: o Pitta. Não se lembram?

O Dr. Paulo hoje foi varrido do mapa elei­toral por causa do ex-​prefeito Celso Pitta. O povo de São Paulo não esquece.

A car­reira do Maluf não acabou por causa de es­cân­dalos. Não mesmo. O Dr. Paulo hoje foi varrido do mapa elei­toral por causa do ex-​prefeito Celso Pitta. O povo de São Paulo não es­quece. Dr. Paulo as­se­gurou que Pitta seria o pre­feito ideal para a cidade e, do dia para a noite, aquele des­co­nhecido acabou eleito. Esse sim se meteu num belo es­cândalo, com di­reito a ex-​mulher e tudo. Mas o Maluf tinha pro­metido que o cara era bom. Não era e o pau­listano não confia mais no Dr. Paulo. Um erro de cálculo ina­cre­di­tável do maior gênio po­lítico do Brasil. E o Maluf até hoje não con­segue sair desse buraco que ele próprio se meteu.

Os pe­tistas hoje buscam essa in­di­cação de con­fiança de Lula, sem a qual todos eles ficam em maus-​lençóis. Sim, porque até hoje não se sabe quem é a ovelha negra do pe­tismo, não há um bode-​expiatório. Sem essa re­fe­rência, todos eles estão vir­tu­al­mente no mesmo saco. Lula sabe bem disso, aprendeu di­reito com a lição po­lítica do Maluf. Os ana­listas dizem que Lula não quer usar a má­quina. Mentira. Lula não quer é em­barcar num pos­sível barco-​furado. Ele sabe. Pitta foi eleito em 1997. Dez anos depois, o Maluf não sabe o que fazer.

Em Cu­ritiba, o PT tentou em­placar a Dilma como porta-​voz. Era uma prova de fogo vi­sando a eleição pre­si­dencial de 2010. PT levou uma lavada do PSDB. A es­tra­tégia não deu certo. Em Natal, Lula foi mais pre­sente, mais agressivo e mesmo assim o PT se lascou. Em São Paulo, Kassab venceu o pri­meiro turno contra todas as ex­pec­ta­tivas. Em Porto Alegre, o PT quase não passa para o se­gundo. Passou perto de perder para uma co­mu­nista de pri­meira viagem que de con­creto mesmo, só tem a beleza. É uma si­tuação bem preocupante.

O Marketing Petista para o Futuro

As tá­ticas pu­bli­ci­tárias do pe­tismo estão longe de serem ino­va­doras. Para tentar re­verter o quadro de Martha em São Paulo, Gil­berto Car­valho de­sem­barca na ca­pital para tentar fazer o que eu acabo de dizer acima, tentar colar Kassab no Maluf. Di­minuir a re­jeição da pe­tista é uma missão im­pos­sível, prin­ci­pal­mente depois do seu papel na crise aérea. Eles estão de­ses­pe­rados. Só restou essa saída.

Porém, em jogo está as eleições de 2010. O que eles farão quando ela chegar? Quem tem alguma dica?

O quadro não é fa­vo­rável. Nenhum can­didato do PT tem con­dições de entrar numa disputa pre­si­dencial. A Dilma Rousseff é uma per­so­nagem ainda em cons­trução, mas falta a ela a em­patia ne­ces­sária aos grandes po­lí­ticos. Não que mu­lheres fortes es­tejam fora das dis­putas. A ba­ronesa Thatcher foi de­cisiva para a his­tória da In­gla­terra, e a ela sempre faltou ca­risma com o povo. En­tre­tanto, Thatcher era um cé­rebro ma­ra­vi­lhoso e uma ótima primeira-​ministra, papel que Dilma não chega nem perto, tanto em termos de im­por­tância como de competência.

Uma dica para os pe­tistas: mu­lheres são di­retas, res­pondem na lata. Isso é es­sencial para vida po­lítica delas. Mas como o PT adora uma tan­gente, di­fi­cil­mente Dilma será uma can­didata a se temer, da mesma forma que Martha não é mais. O PT perde os ca­belos porque, em seus quadros, não há um único po­lítico coma ficha mais ou menos in­cólume (po­li­ti­ca­mente fa­lando, não ju­di­ci­al­mente). E se Lula apoiá-​los, poderá por em xeque a sua própria can­di­datura em 2014.

A si­tuação é tão séria que não me es­pan­taria o PT pro­curar um can­didato em outros par­tidos. Mas isso vai contra a his­tória pe­tista, e di­fi­cil­mente um can­didato de fora con­se­guiria passar pela in­ter­mi­náveis prévias que eles adoram fazer. Só com o apoio in­di­vidual de Lula. Mas co­ragem não é a prin­cipal ca­rac­te­rística do atual presidente.

A es­querda tem uma ten­dência na­tural para di­fa­mação nas cam­panhas. Acusam, acusam e acusam, com ou sem provas. Foi assim que eles che­garam ao poder. Mas para mantê-​lo, em um regime de­mo­crático, o dis­curso pre­ci­saria mudar. Mas o PT não sabe fazer nada mais. Falta a esse partido o res­peito pelo regime de­mo­crático, coisa que não consta em seu DNA.

A aposta deles con­ti­nuará no po­pu­lismo ras­teiro. E se in­ten­si­ficará nos pró­ximos dois anos. Quase seis anos de pre­si­dência e Lula não deu mais que uma ou duas co­le­tivas, todas con­tro­ladas. En­quanto isso, farão a cam­panha pau­tando o jor­na­lismo, como fazem hoje. Acre­ditam ser essa uma boa técnica. Nem tanto, eu diria. Mesmo o Brasil sendo um ter­ceiro mundo, hoje é uma boa classe média, e ela também influi nos re­sul­tados. Ela acaba ir­ra­diando suas opi­niões para as pessoas de nível social acima ou abaixo delas. É um pú­blico que o PT não con­segue lidar, nunca con­seguiu e di­fi­cil­mente conseguirá.

Con­cluindo, dias som­brios virão. Bate-​bocas sem con­teúdo se es­pa­lharão pela cena po­lítica na­cional. Como o PT é in­capaz de subir o nível, tentará re­baixar a todos para os termos con­for­táveis para eles. Ve­remos se a opo­sição cairá nessa ar­ma­dilha. Aguardem as grandes de­núncias de fraudes e cor­rupção. Haverá uma ten­tativa de po­la­ri­zação entre mo­cinhos e ban­didos ainda mais ra­dical. Eles gri­tarão, fa­larão grosso porque, no fim, nada tem a dizer. Suas res­postas os in­cri­mi­nariam. Será muito feio…

Resta aos homens de bem não acei­tarem essas con­dições. Res­ponder a rudeza com a verdade. As dis­si­mu­lações com a certeza. Ser direto ao invés de se es­quivar. Apesar do Partido dos Tra­ba­lha­dores possuir tanto poder hoje, uma única coisa pode acabar com sua he­ge­monia: quem aceitar as res­pon­sa­bi­li­dades terá muito mais força do que toda a má­quina pe­tista pode pro­duzir. Trazer o debate para o campo de­mo­crático sempre fará os pe­tistas per­derem o chão, porque eles não ca­minham pela trilha do res­peito, do bom-​senso e da hon­radez. Não, não. As es­tradas deles são feitas com as me­lhores das in­tenções, sim, mas são as­fal­tadas com as piores qua­li­dades que a hu­ma­nidade já produziu.

Agora, muitos mi­li­tantes en­tendem isso e não sabem mais o que fazer. In­te­res­sante, não?

Lispector, Clarice. Uma aprendizagem ou o livro dos prazeres.

Estilo é tudo…

Eu de­testo os livros da Clarice, desde que li o pri­meiro. Sempre vi neles não uma es­critora, mas apenas uma autora, ta­lentosa, que não queria ir até onde po­deria. Mas eu tinha algo em comum com ela, o dia do nas­ci­mento. Ela nasceu no dia 10 de de­zembro, eu no dia 11. Por essa “pro­xi­midade”, sempre me in­te­ressei mais pela sua vida do que por suas obras. Pode ima­ginar quão pro­ble­mático é des­gostar de uma das “es­cri­toras” mais im­por­tantes do Brasil? Ainda não é fácil.

Na­quela época, eu só tinha os meus achismos e a minha per­cepção dos seus textos. Do outro lado, di­fe­rente tipos de pro­fes­sores, uns que res­pei­tavam minha opinião, outros que as des­de­nhavam. De qualquer forma, o tempo passou (como diz a Clarice). Minha opinião não mudou, nem a dos outros. Porém, em tempos de Youtube, é fácil ver que eu tinha razão, e não eles. O jeito blasé dela, mis­turado com um ner­vo­sismo in­con­tro­lável atiça a minha ima­gi­nação. Gosto de semear a idéia de que po­de­ríamos ter sido bons amigos, se ti­vés­semos vivido na mesma época. Di­vidir um ci­garro com ela de­veria ser uma ex­pe­ri­ência e tanto. Vamos ao livro.

Uma apren­di­zagem… conta a his­tória de Lo­reley – ou Lóri, como é chamada na maior parte do livro –, uma jovem pro­fessora pri­mária que se es­ta­belece no Rio De ja­neiro depois de sair da casa de sua rica fa­mília na cidade de Campos. Ali, vive de­sin­te­res­sa­da­mente entre as suas aulas e os oca­si­onais na­moros quando então co­nhece Ulisses, pro­fessor de fi­lo­sofia. Então, ele começa a guiar Lóri por uma jornada de auto-​conhecimento, na busca pelo sua ver­da­deira iden­tidade para po­derem co­meçar um re­la­ci­o­na­mento ba­seado em amor e não em aparências.

Para Clarice, não há como viver ple­na­mente sem o au­to­co­nhe­ci­mento. Lis­pector tenta mostrar du­rante a nar­rativa o pro­cesso de ama­du­re­ci­mento psi­co­lógico da per­so­nagem prin­cipal, Lóri. Ori­entada e in­cen­tivada por Ulisses, seu pre­ten­dente, Lo­reley começa a pensar sobre quem ela foi, é e quer ser, em um ca­minho confuso e, para ela, do­loroso. Por fim, Lóri des­cobre o seu Eu, re­sol­vendo im­por­tante parte das dú­vidas que a pre­o­cu­pavam e pode entregar-​se de corpo e alma para Ulisses. Simples assim, rápido mesmo. Clarice não ia nem pedir a minha opinião sobre o livro, porque sa­beria bem o que eu lhe diria.

Vargas Llosa divide a li­te­ratura mo­derna em dois blocos in­qui­e­tantes. O pri­meiro é formado pela li­te­ratura de consumo, aquela que os au­tores só re­petem formas e his­tórias: interessam-​se pela ven­dagem. O outro é a pa­tri­otera, tran­si­gente, que se fecha em si mesma, na crença de que só o iso­la­mento im­pedirá a con­ta­mi­nação do mundo con­su­mista – es­crevem para e entre eles. Clarice Lis­pector encontra-​se no se­gundo grupo, é ela mesma quem diz, mas en­tendi isso de primeira.

Uma apren­di­zagem… faz parte da tra­dição de Clarice. Ela é es­tudada e elo­giada sempre em con­junto, como se um livro au­to­ma­ti­ca­mente le­vasse a outro. Qualquer crítica é obrigada a des­tacar que sua li­te­ratura é in­ti­mista e psi­co­lógica, es­crita para dentro, que se de­sen­volve de obra para obra, mas sempre como um todo. Um livro para ser con­si­derado clássico precisa sustentar-​se por si mesmo. Aí en­tramos na fra­gi­lidade desta obra. A própria Clarice dá de ombros para essas in­ter­pre­tações. Legal. Mas os tais dou­tores adoram esses por me­nores. Vamos lá.

O número de ele­mentos teó­ricos na nar­rativa são muitos e, na maioria das vezes, re­dun­dantes. O tema central é a vida de Lóri e sua re­lação com Ulisses. Ok. Em uma re­fe­rência direta a Homero, Clarice pega o epi­sódio das se­reias para compor uma his­tória às avessas: Lóri, a sereia, não traga Ulisses, mas é res­gatada por ele. Uma obra Clássica possui in­gre­di­entes fáceis de se iden­ti­ficar, mas que dão um tra­balho ho­mérico para o autor es­crever. Clarice padece de pre­guiça crônica.

Linda, lindíssima!

Linda, lin­díssima!

Clarice não se im­porta com o leitor. Eu digo isso e ela sus­tenta a minha opinião (chorem fãs…). O re­co­nhe­ci­mento de sua obra baseia-​se em uma le­gi­ti­midade au­toral vinda de uma cre­di­bi­lidade cons­truída pelos ad­mi­ra­dores. O efeito ima­gi­nário é grande, mas devido aos vácuos no enredo. O mo­mento psi­co­lógico de Lóri é ex­plorado à exaustão, mas não a sua psi­co­logia. Sua re­lação com a fa­mília, prin­cipal pro­pulsor para sua mu­dança de vida, é re­velado su­per­fi­ci­al­mente. Ulisses, o pro­fessor de fi­lo­sofia, o prin­cipal res­pon­sável pela jornada de Lo­reley, não passa de um es­te­reótipo de ana­lista. Todos os ali­cerces dos per­so­nagens devem ser ima­gi­nados pelo leitor, mas pela ótica de Clarice. Pra­ti­ca­mente; qualquer coisa cabe nessas la­cunas, mas so­mente a ima­gi­nação do leitor vin­culada a da autora com­pletam o quadro. Para ler Clarice, precisa-​se ser Clarice. Por isso, Otto Lara Re­sende disse que suas obras não são li­te­ratura, mas bru­xaria. O leitor como leitor precisa perder o seu eu para poder en­contrar o eu da obra: Clarice Lispector.

A alta li­te­ratura permite ao leitor par­ti­cipar da vida. Mas é a vida em seu sentido uni­versal, não bi­o­gráfico. Julien Sorel e Gina Pi­e­tranera, de Stendhal; Anna Ka­renina, de Toltói; Mademe Bovary, de Flaubert – todos esses per­so­nagens res­piram em nossos ou­vidos sem pre­ci­sarmos re­correr a nada mais que o livro. São per­so­nagens mag­ni­fi­ca­mente cons­truídos, com uma pro­fun­didade psi­co­lógica tão grande que po­demos jurar co­nhecer seus pen­sa­mentos mais ocultos. Ao con­trário de Lóri, que, para ser com­pre­endida em sua to­ta­lidade, precisa da ajuda ou dos outros livros da autora, ou da própria.

Ao fazer cons­truir sua his­tória sobre a pas­sagem da Odisséia de Homero, Clarice descuida-​se de re­la­cionar sua nar­ração com aquela. Por que Ulisses de Clarice apaixona-​se pela algoz, ao con­trário do ori­ginal, que busca de­ses­pe­ra­da­mente re­tornar para casa?

Por que Ulisses de Clarice re­solve res­gatar a sereia se o Ulisses de Homero faz o im­pos­sível para derrotá-​la? E, mais im­por­tante, por que Lóri aceita buscar seu ver­da­deiro eu de uma hora para outra, já que ela era uma se­dutora predadora?

A busca do Eu é com­plexa e exige muito do aven­tu­reiro. A vírgula e o dois pontos que, res­pec­ti­va­mente, abrem e fecham o livro não de­li­mitam so­mente um pe­ríodo na vida da per­so­nagem. Eles de­li­mitam o en­ten­di­mento do leitor. A mag­nitude de Fer­nando Pessoa, outro es­critor in­ti­mista, esmaga qualquer pre­tensão de Uma apren­di­zagem… se com­pa­rados. E os clás­sicos devem ser com­pa­rados com clás­sicos, não é co­vardia fazê-​lo. Tanto que a forma de Clarice aproxima-​se da de James Joyce. Embora não haja razão para acre­ditar que Clarice co­nhecia a obra do es­critor – e os his­to­ri­a­dores in­sistem que não – é preciso re­la­cionar um com o outro e se per­guntar qual deles de­sen­volveu melhor o estilo.

Clarice precisa ser lido por Clarice. Pa­lavras como “in­di­zível” ou “intraduzível” – vistas no livro – são pe­cados dos quais os bons es­cri­tores fogem como o diabo da cruz. Suas obras fazem sentido dentro de sua bi­o­grafia. Talvez, quando esta for es­crita, cada livro possa fazer parte de seu anexo, ou até mesmo do enredo. Mas Uma apren­di­zagem.,., por si só, é in­su­fi­ciente para um clássico. Talvez, o autor que en­carar a his­tória de Clarice Lis­pector (por que ela nunca quis ser uma pro­fis­sional), se com­pe­tente, a trans­formará em obra-​prima. Mas o mérito não será dela, mas do es­critor que ousar escrevê-​la.

Mas eu gosto dela. Assim como al­gumas amigas minhas, é pre­guiçosa e não voa tão alto quanto po­deria. Eu des­culpo isso, afinal, são me­ninas e ma­ra­vi­lho­sa­mente lindas. Se isso soar ma­chista para você leitor, aprenda a ler. A adoro a falsa fu­ti­lidade de al­gumas mu­lheres, o seu de­sapego. Dá pra ver que é mentira, e isso faz nossa paixão por elas au­mentar cada vez mais. Isso é uma apren­di­zagem. Irônico, não?

Quer começar seu website?

Quer co­meçar seu website?

Quer co­meçar um novo site? É fácil. A Dre­amHost é o melhor serviço de hos­pe­dagem do mundo. Basta clicar no banner e co­locar o código bre­ves­notas para ter 10% de des­conto e do­mínio grátis por um ano.

Ajude com­prando pelo site!

Maldito Feminismo, mataram a sedução.

Kat Von D

Kat Von D

Toda vez que tocam nesse as­sunto, é po­lêmica certa. Mas a dis­cussão só acontece quando há uma re­pre­sen­tante deste grupo na mesa. Aí, qualquer crítica à fi­lo­sofia vira um ataque pessoal. Quem nunca topou com uma feminista?

Eu não gosto de fe­mi­nismo, nem de fe­mi­nistas, muito menos do The L Word. Di­reitos iguais? Tudo bem, mas ao menos com um pouco de batom. Mulher nunca foi in­ferior, nem quando cos­tu­mavam tratá-​la como um animal do­méstico. Du­vidas? Depois de or­ga­ni­zadas, elas con­se­guiram mais di­reitos do que o homem e, ainda, man­ti­veram todas as re­galias. Tudo bem, parece que elas re­cebem sa­lários 20% me­nores do que os homens. Eu abriria mão de 20% do meu só para ter múl­tiplos or­gasmos. Cada um com suas prioridades.

In­vente de con­vidar uma mulher para um jantar hoje em dia. Tente, no pri­meiro en­contro, rachar a conta (prin­ci­pal­mente se ela não tocou no as­sunto). Se qui­sesse levá-​la para a cama, pode es­quecer. O fe­mi­nismo tem suas li­mi­tações. Al­gumas acre­ditam ser não só iguais, mas su­perior a qualquer homem. “Sou dona do meu nariz, mas faça o favor de abrir a porta”. Acho isso tão feio, talvez eu esteja ultrapassado.

Para mim, o pior as­pecto não é a ar­ro­gância des­medida ou as con­tra­dições evi­dentes dessa ori­en­tação (e refiro-​me às fe­mi­nistas, não às mu­lheres em geral – pois, aquelas lêem qualquer crítica como um ataque ao sexo fe­minino). O que irrita é a falta de batom, não o blá­bláblá te­dioso delas. Sei eu lá quantas vezes pre­cisei ouvir con­versas piores só porque não con­seguia parar de ad­mirar a beleza de uma garota. Tem mulher se es­que­cendo da sua maior virtude, aquela mais di­a­bólica – mas prefiro con­si­derar como a mais divina: sedução.

Há sérios con­tra­tempos em sair com uma fe­mi­nista. Pri­meiro é o dis­curso, uma chatice. É preciso con­cordar sempre. O homem mesmo já sente di­fi­culdade de acom­panhar o pen­sa­mento de uma menina in­te­res­sante, que baita es­forço é ne­ces­sário de nossa parte. Somos meio burros. Mas uma con­versa cretina que se es­tende por horas e horas a fio é um castigo divino. E tanto es­forço para o quê?

Vá lá se a tal fe­mi­nista for uma mulher lin­díssima, o que é falso na maioria das vezes. Ela nunca são deusas. Eis o se­gundo pro­blema. Mal sabem se com­portar, te se­duzir com o leve toque dos lábios no ci­garro. Cristo, talvez sejam todas anti-​tabagistas. Salto-​alto? É ma­chismo, dizem. Agora, in­vestir tanto em alguém para não poder se de­liciar nem com uma lin­gerie sensual? Tem coisa mais bro­chante do que cal­cinha velha e furada?

Antes era tão mais fácil para elas, com apenas um olhar a mulher do­minava com­ple­ta­mente um homem. Hoje pre­cisam gritar pelos co­to­velos. E não con­seguem o mesmo efeito.

De­testo baixar o nível, mas não posso fazer nada. É di­fícil achar beleza no fe­mi­nismo. Po­deria listar as­pectos ne­ga­tivos dessa his­tória até o in­finito. Mas aí é demais. Basta só o último ponto que faz correr da mesa de fe­mi­nistas: elas falam que nem homem!

Mulher com voz grossa não. Se quero isso, vou ir no pub com meus amigos (ao menos eles sabem até brigar sem perder a ternura). Era o que faltava. Daqui a pouco vão querer que eu discuta fu­tebol só para de­monstrar que res­peito a igualdade dos sexos.

Não res­peito, não nesses as­pectos. E também não gosto de futebol.

A mulher difere do homem não pela força física, ou por ser mais in­te­li­gente e menos de­sas­trada. A mulher é mestre na se­dução, isso é im­ba­tível. Junte a pre­dis­po­sição mas­culina a “cair feito um pa­tinho” e a in­te­li­gência meio ma­qui­a­vélica e temos o pa­raíso na terra. Com essa arma já des­truíram e criaram im­périos, for­tunas, his­tória. Ou você ainda acha Julio César mais im­por­tante que Cleó­patra? Ah, como o mundo foi mais in­te­res­sante um dia…

Pena que o fe­mi­nismo está aca­bando com isso. Olha que a Igreja Ca­tólica tentou, e tentou mesmo, nos seus pe­ríodos mais ter­ríveis, acabar com o po­derio fe­minino. E não con­seguiu o que esse mo­vi­mento parece fazer: re­duzir a mulher à in­sig­ni­fi­cância do ma­chismo masculino.

Boa parte das mu­lheres agora são ma­chistas. Tratam outros como ob­jetos, pensam ex­clu­si­va­mente na car­reira, não to­leram ser con­tra­riadas, acre­ditam ser es­pe­ciais. Usam seus pro­blemas para jus­ti­ficar as bes­teiras que co­mentem. Desde aquela be­bi­dinha a mais na festa ao “estou casada demais do tra­balho para agüentar cha­teação em casa”. Essas aí ter­minam mal na his­tória. Uma ca­rac­te­rística pe­culiar do homem é isso de não agüentar de­saforo por muito tempo. Mulher pode falar alto, mas homem fala grosso. E de grossura o homem en­tende. Se tentar vencer a dis­cussão nos termos mas­cu­linos, mu­lheres, tenham certeza de que sempre perderão.

Antes era tão mais fácil para elas, com apenas um olhar a mulher do­minava com­ple­ta­mente um homem. Hoje pre­cisam gritar pelos co­to­velos. E não con­seguem o mesmo efeito.

Os homens não re­clamam dessa ten­dência, também, homem é jóia rara. Há, claro, os caras (maioria?) que adoram so­mente ficar em pé: as mu­lheres tomam todas as ini­ci­a­tivas (e tomam mesmo) e eles só pre­cisam estar lá. An­ti­ga­mente o homem, ao menos, pre­cisava tra­balhar para pagar a sua one night stand. E uma mu­lherada acha o máximo dar uma de pre­dador. Burrice. Todos per­deram aquele que de de­li­cioso. Flerte agora demora menos do que pedir comida em fast-​food. Pior para eles.

Já o homem mo­derno precisa aprender com a arte de se­duzir, dele e dela, ao menos se quiser so­bre­viver nesse mundo. Mas não os me­andros, ma­lícias ou truques das me­ninas. A única ca­rac­te­rística que nos in­te­ressa é a sa­ga­cidade. Pre­ci­samos aprender a apre­ender com um simples olhar. Hoje todos se con­fundem. Só assim pra di­fe­renciar as mu­lheres de verdade das fe­mi­nistas, es­tejam estas de calça ou não.