Michael Jackson (1958-2009)

No Moonwalk

Rebel Without a Cause — Joel Willis

Fui pego de sur­presa com a no­tícia da morte de Jackson. Vi, sim, que ele fora levado ao hos­pital com uma parada car­díaca. Acho até que de­morou demais para o cara fi­nal­mente ter um pi­ri­paque sério. Também sabia que a morte era mais certa do que a re­cu­pe­ração, devido ao seu estado de saúde nos últimos anos. Mesmo assim, fiquei sur­preso com a quan­tidade de bes­teiras es­critas nesse meio tempo. O mundo pa­raria quando Mi­chael Jackson mor­resse. E parou mesmo.

Eu gosto de música desde que nasci. Lembro de ouvir Dire Straits no SBT e achar aquilo o máximo, e nem sequer saber o nome da banda. Lembro de passar horas no meu gra­vador de fita pro­cu­rando no rádio mú­sicas legais para es­cutar no walkman. Tive a sorte de nascer antes do MP3, por isso aprendi o que era som. Meu tio possui uma bela co­leção de música clássica em vinil. Ainda não sei dis­tinguir di­reito um si­bemol de um dó, mas quando todos saiam do apar­ta­mento, pegava os lps para des­cobrir porque aquele disco do Be­ethoven era mais “caro” do que o outro com a mesma “música”. Como sabem, a qua­lidade sonora do vinil é muito su­perior, e mesmo que fa­lassem que “Disco é Cultura”, o bom mesmo era pegar coisa im­portada quando possível.

Foi nesse con­texto que des­cobri Mi­chael Jackson. Eu as­sistia o Show da Xuxa pelos de­senhos e não pelas pa­quitas. Meu pai era in­des­tru­tível e o MJ era o melhor cara do mundo.

Vamos lá, eu tinha cinco, seis anos. Nem ima­ginava que sa­beria tanta coisa. No discos do Mi­chael, eu gostava do fato dele estar “can­tando do lado”. O som era tão bom que você jurava que ele estava logo ali. Claro que a pro­dução do disco era ma­ra­vi­lhosa, obra do Quincy Jones, que levou o ar “live” do jazz para a gra­vação do MJ. Sim, Proteus não existia. Tal per­feição não existia nos discos bra­si­leiros. Se o ritmo não bas­tasse para ficar re­pe­tindo as mú­sicas ao infinito.

MJ 45

MJ 45

Muitas pessoas ti­veram a mesma ex­pe­ri­ência que a minha. Outras pe­garam o MJ en­quanto “es­tavam” ado­les­centes. Dois gui­tar­ristas amigos co­nhe­ceram Van Halen na música Beat It. Dá pra ter um mo­saico in­te­res­sante dos 80 se pe­garmos as di­fe­rentes faixas etárias dessa década e reuni-​las num livro. Seja como for, muitos até hoje se lembram do “nas­ci­mento” do video-​cassete e es­perar para gravar os clipes do Jackson da tv para depois tentar fazer o mo­onwalk. Então tudo era mais di­fícil.

Claro, cada es­cândalo do Mi­chael Jackson me deixava triste. Mas isso é parte do cres­ci­mento, ver nossos ídolos se de­te­ri­o­rarem e chegar na mor­ta­lidade. Mi­chael Jackson era um cara cheio de pro­blemas, muitos fi­carão sempre em se­gredo. Mas no fundo, como um fã, custa acre­ditar que ele fez coisas tão hor­ríveis. Pri­meiro, porque a doença dele era tão pro­funda e es­tranha que pa­drões normais de análise não pro­duzem bons re­sul­tados. Se­gundo, di­fícil crer que uma pessoa má teria tantos ad­mi­ra­dores e pessoas que o amam in­con­di­ci­o­nal­mente. Ami­zades que duram dé­cadas.

Sua morte só serve para fi­nal­mente so­li­di­ficar o mito. Quem gos­taria de defende-​lo em vida e não o fez, agora pode voltar a ad­mirar o ar­tista. Quem não gosta dele agora tem como dis­cutir, já que não obtém como re­torno aquele si­lêncio re­signado. Sua grandeza mu­sical pode ser in­ver­sa­mente pro­por­cional à sua sa­nidade mental. Mesmo assim ele faz su­cesso e sempre será um ícone e uma re­fe­rência, unindo mundo tão dis­tantes quanto opostos. E isso, nem os crí­ticos nem os pró­prios erros de Mi­chael podem destruir.

Miss Saigon: Um Opereta de Malandro

Kim e Chris

Kim e Chris

Ino­cente, as­sisti ao mu­sical Miss Saigon, a pro­dução in­ter­na­cional, em cartaz no Teatro Abril em São Paulo. Foram três horas de tortura e mas­sacre. Três horas as­sis­tindo ao pior que a raça bra­si­leira têm a ofe­recer. Três horas de mar­tírio, tristeza e me­lan­colia. E isso nada tem com a his­tória. Miss Saigon, obra ba­seada em Madame But­terfly, é uma tra­gédia linda. Mas a adap­tação bra­si­leira (que só pre­cisou tra­duzir o texto ori­ginal e mais nada) é me­díocre, baixa, vil, gay e por aí vai.

Mas eu de­veria des­confiar. Cláudio Bo­telho, o tal “mago dos mu­sicais” (leia-​se trans­forma tudo em merde, com di­reito a um eu­fe­mismo afran­cesado), já des­truíra My Fair Lady. O Eduardo me con­vidou para as­sistir, mas nem morto eu iria. Nessa apre­sen­tação no Teatro Alfa, meu bom amigo já an­tevia o que eu en­fren­taria essa semana no Teatro Abril:

E agora, a peça My fair lady ganhou uma adap­tação bra­si­leira, que me pa­receu meio in­sensata. É di­fícil adaptar peças da Bro­adway sim­ples­mente porque eles fazem peças per­feitas. E quando se imita algo que é per­feito, suas duas opções são: fazer igual ou fazer pior. É risco demais. — Eduardo Mineo

E Bo­telho sempre es­colhe a se­gunda opção.

Então o leitor se per­gunta “mas Le­febvre, eu não acredito que você foi as­sistir isso pen­sando no ori­ginal. Não foi, né?”. E eu res­pondo, fui sim. Estava lá na si­nopse bra­si­leira. Olha lá, no final, depois de in­for­mações im­por­tantes como os 500 fi­gu­rinos con­fec­ci­o­nados no Brasil, as oito trocas de ce­nário, os 336 sa­patos feitos sob medida, além de apro­xi­ma­da­mente 500 aces­sórios como chapéus e cintos. Diz: “Miss Saigon já ganhou 30 dos maiores prêmios te­a­trais do mundo, in­cluindo três Tony Awards, quatro Drama Desk Awards, três Outer Critics Circle Awards e um Theatre World Award. O mu­sical ficou mais de uma década em cartaz no West Wend e na Broadway.”

Mas não era nada disso. Não foi como eu pensei.

Essas pro­duções in­ter­na­ci­onais são com­pli­cadas. Tudo precisa ser igual ao ori­ginal. As atu­ações, os ce­nários, as mu­sicas. Tudo, tudo. De três em três meses os ame­ri­canos vêm ins­pe­cionar a adap­tação. In­fe­liz­mente, o texto precisa ser tra­duzido (por mim deixava no ori­ginal também, sou contra até le­gendas no cinema) e novos atores entram em cena. Bem, vamos de­vagar ou perco a pena.

Toda tra­dução não é a obra ori­ginal. É uma obra de co-​autoria entre o autor ori­ginal (morto ou não) e o tra­dutor. Toda tra­dução pode ser ava­liada. Boas tra­duções são aquelas que pegam o es­pírito da obra, o estilo do autor, as brin­ca­deiras lingüís­ticas do texto e con­seguem trans­mitir todos esses as­pectos em outra língua. Não é fácil. O tra­dutor precisa ser muito bom, mas bom mesmo, nos dois idiomas para ter su­cesso. Não pode ter pre­guiça. Precisa ler e reler tudo um monte de vezes. Isso só na li­te­ratura. Em mu­sicais, além de tudo isso, o cara também precisa saber de música. Não é só tra­duzir, mas adaptar a tra­dução à música, o que é mais di­fícil ainda. 

Cláudio Bo­telho não parece ter ne­nhuma das ca­rac­te­rís­ticas para o tra­balho. Em Miss Saigon as­sis­timos a uma prova da pre­guiça tro­pical e do mal-​gosto de certos se­tores da cultura brasileira. 

The American Dream - Miss Saigon

The Ame­rican Dream — Miss Saigon Brasil

Pri­meiro, a falta de cultura. Miss Saigon é uma tra­gédia. Sim, há mo­mentos cô­micos, mas é uma tra­gédia, Cristo Santo. E, além de tra­gédia, é uma triste his­tória de amor he­te­ros­sexual. No Brasil aparece homem vestido de sado-​maso bei­jando outro cara no palco. Fica ter­rível ver um monte de sol­dados mais pra lá do que pra cá dentro de um bordel. Os gays de­mo­raram anos para con­quis­tarem o res­peito que me­recem. Mas agora, aqui, in­sistem em co­locar algo que pensam ser uma certa cultura gay onde não cabe. Tenham dó. Vão en­cenar Oscar Wide então. 

Se­gundo, o bra­si­leiro trans­forma tudo em co­média. Credo. Isso está en­raizado na gente. Não tem como Escapar.

E há outras falhas gro­tescas, essa a minha prima pegou. A Kim (a pro­ta­go­nista), é vi­et­namita e bu­dista. Mas lá pelos tantos diz “pela Cruz, bla bla bla”. Como assim, “pela Cruz”? Desde quando nos anos 70 o Bu­dismo ab­sorveu o Cris­ti­a­nismo? Será esse o musical-​do-​crioulo-​doido?

En­tre­tanto, so­frível mesmo é a tra­dução de Bo­telho. Parece in­com­pe­tência mudar tanto o sentido ori­ginal. Quem sabe, o coi­ta­dinho apenas não é capaz de en­tender inglês di­reito. Ok. Mas nas rimas ele mostra que re­al­mente nada en­tende de por­tuguês. Nas rimas é onde a pe­quenêz bo­te­lhana salta aos olhos (ou ou­vidos, escolha).

Se a pri­meira rima termina em “mim”, saiba que se­guirão as se­guintes pa­lavras du­rante mi­nutos in­teiros: enfim, assim, sim, “verbos con­ju­gados com ter­mi­nação em im”, mim (de novo, várias vezes), enfim-​assim-​sim (de novo várias vezes). Se termina em “eu” (pronome), lá vai “meu”, “seu” e verbos con­ju­gados com ter­mi­nação em “eu”. Se termina em “Deus” (oh, god, aposto muito usado em inglês), as opções acabam e al­ternam as pa­lavras “meus”, “eus”, “seus” indefinidamente.

Depois de dez mi­nutos o meu cé­rebro desligou.

Um mu­sical é a com­bi­nação de música, canto, diá­logos fa­lados e dança. A emoção (humor, alegria, tristeza, drama, etc.) é trans­mitida através da própria his­tória, da música, das canções, dos mo­vi­mentos e dos as­pectos téc­nicos (como ilu­mi­nação, ce­nário, efeitos vi­suais, etc.). Isso é o básico.

Rimar em inglês parece mais prático. É da na­tureza da língua. Já em por­tuguês, talvez seja mais tra­ba­lhoso, nunca mais fácil. Rimas como essas usadas por Bo­telho são cha­madas de “rimas pobres”. Isso porque não mudam as funções das pa­lavras ri­madas e sempre no fim da sen­tença, não porque é ruim. “Rima rica” são aquelas que juntam pa­lavras de funções di­fe­rentes, em partes di­fe­rentes da frase. Essas são mais tra­ba­lhosas, mas não quer dizer que são me­lhores que as outras. 

Em mu­sicais e óperas as rimas são bem tra­ba­lhadas. Muito tempo de uma ou de outra cansa os ou­vidos. Não há esse cuidado em Miss Saigon. Fico ima­gi­nando razões hi­po­té­ticas. Se Bo­telho tiver um ca­chorro, será que este queria fazer xixi e logo ele pensou “vou enfiar uns mim’s aqui que tá bom, já fui pago mesmo”. Para ve­ri­ficar a mé­trica dos versos será que ele pegou as par­ti­turas e gritou “amor, pega a régua pra mim”? Não gosto de ser agressivo, mas diante do que vi e ouvi, so­mente um de­sapego com­pleto do pro­fis­sional ex­pe­riente pode ex­plicar tantos erros. Ele deu de ombros. Ou isso ou Bo­telho nem é pro­fis­sional, nem têm ex­pe­ri­ência de verdade. Não de­veria ter aceito a tra­dução do mu­sical. Mas não adianta, os pro­fis­si­onais de cultura no Brasil pa­recem mais membros de um cartel.

E como isso atra­palhou os atores. Eles estão até de pa­rabéns. Não perdem uma deixa. “Fazem das tripas, co­ração, para cantar a ter­rível tra­dução”. In­di­vi­du­al­mente, fazem o seu papel com emoção e energia.

Claro que isso seria per­feito se Miss Saigon não fosse com­posto por duetos e corais

Duetto é quando dois can­tores exe­cutam juntos a canção. Em Miss Saigon temos mo­nó­logos so­bre­postos. Di­fícil prestar atenção no outro cantor? Parece que sim. Nenhum dos atores parece ter o co­nhe­ci­mento técnico para ali estar. Aliás, nenhum ator con­se­guiria com­pletar um étude simples. Mas aí é querer demais, Le­febvre. Mu­sical no Brasil é coisa para Ju­liana Paes.

Enfim, Miss Saigon é qualquer coisa bra­si­leira, mas nada que po­deria re­ceber o nome ori­ginal. O texto é ruim, as danças não possuem sin­cro­nismo, os atores não con­vencem, os corais não trans­mitem emoção.

O ponto máximo da peça, a música The Ame­ricam Dream, fica com­ple­ta­mente sem sentido por causa da péssima tra­dução. Para en­tender os passos da co­re­o­grafia é preciso re­correr à versão ori­ginal, ou você nada en­tende. Miss Saigon, aqui, é apenas mais um es­pe­táculo vulgar (muito vulgar), ape­lativo e caro. Sinto como se ainda vi­vesse em 1700, quando os In­gleses nos vendiam esquis no Rio de Ja­neiro. Um par de esqui é bem bonito, mas qual é a uti­lidade para nós? E para ar­ranjar alguma forma de se mostrar, e de mostrar o ta­manho do poder aqui­sitivo, alguns bra­si­leiros fazem coisas bi­zarras. Miss Saigon é uma delas. Miss Saigon é uma ex­pe­ri­ência humana bizarra.

E, in­fe­liz­mente, não é a última.

Coldplay plagia Satriani

Pois é, a ban­dinha que­ri­dinha copiou des­ca­ra­da­mente uma música do Sa­triani. Vê se pode. Coldplay vs. Satriani

Aqui, as duas mú­sicas in­teiras uma do lado da outra.

Cyndi Lauper na Via Funchau?

Cyndi Lauper

Cyndi Lauper

Cyndi passa no dia 15 por Belo Ho­ri­zonte, 17 em Cu­ritiba, e 20 em Porto Alegre. Se você quer gastar uma grana num ótimo show (e acha que para fazer cover do REM é ne­ces­sário ter um derrame), vá ver. Aos 55 cinco anos, Cyndi Lauper dá um show em muita Maria Rita que aparece por aí.
 
“Mas, Le­febvre, que diabos você foi fazer num show da Cyndi Lauper”, per­gunta o leitor mais ino­cente. Não é da sua conta, res­pondo, só apareci lá e re­al­mente não me arrependi. 

Para quem não co­nhece (ou nasceu tarde demais), Cyndi Lauper foi uma das musas dos anos oi­tenta. Sim, eu nunca res­peitei muito a música dela, não sabia porque achavam a mulher demais e só gostava de Time After Time, já que a música é legal e fica demais em versão blues. Sei que a trilha sonora de The Go­onies é dela, vi ma­térias te­ne­brosas como essa do duelo com a Ma­donna. Hoje em dia, ser ícone gay é mais im­por­tante do que ter uma bela voz e saber o que faz com um mi­crofone. Mundo cruel, esse, para os que ainda têm ouvidos.

Mas Cyndi mostra porque ganhou um Grammy. Vai de dó a dó num gri­tinho. Sobe e desce nas mo­du­lações, sempre dentro do tom. Sim­ples­mente te hip­notiza no palco. E isso com uma banda crua (leia-​se gui­tarra, baixo, ba­teria e só — claro que te­clado e uma backing eram ne­ces­sários). Se­relepe e sal­ti­tante, com uma humor que varia entre o bom e o ruim. Nossa, como essa mulher é mandona no palco. Basta o técnico de som dar uma va­cilada e ela para tudo para acertar tudo. É di­vertido. Na sexta-​feira, a luz caiu na Via Funchal (culpa da Light, não da casa). Ela não deve ter ficado con­tente, mas con­tinuou can­tando a capela para o pú­blico lotado. Pú­blico esse que era meio doido, devo dizer.

Até ontem não sabia que Cyndi Lauper virara um ícone da co­mu­nidade gay. Então me dis­seram que desde 2000 a coisa anda desse jeito. Isso ex­plicou o pú­blico, com­posto de gente um-​tanto-​estranha-​pro-​meu-​gosto. Gente, aliás, não-​acostumada com um ar­tista ca­marada. Cyndi saia do palco, apertava a mão de todo mundo, mas a galera só ficou quieta e parou de pro­vocar tu­multo quando ela in­ter­rompeu o show para falar com a platéia e os se­gu­ranças. Muito disso, sei eu, é pura afe­tação dos fãs. Mas enche o saco.

E não muda nada. Ela é demais. Agora eu en­tendo a razão do Grammy. Sei porque ela foi a pri­meira ar­tista a ter 4 singles no topo da parada. Ao vivo, é muito bom. Pena que nem sempre po­demos ver grandes shows no país dos nam­bi­quaras. Pior do que isso, não ter acesso a certas coisas, cria em você pre­con­ceitos bobos e idiotas. Cyndi Lauper é demais, e es­crevo embaixo.

A noite, como sempre, ter­minou no Finnegan’s, com muito uísque e muito blues. E fiquei ima­gi­nando aquela pe­que­ni­ninha ali, no mi­crofone, no meio dos velhos be­bâdos e va­ga­bundos que nem eu, mos­trando o que sabe fazer. Pro­va­vel­mente faria um bom estrago.

Se o mundo está louco, eu não preciso estar não

Amy Wi­nehouse re­clamou semana passada da pre­sença do rapper Jay alguma coisa num fes­tival de rock na In­gla­terra. O pessoal do Oasis também. O rapper Jay alguma coisa deu de ombros, se apre­sentou e, de acordo com a im­prensa, fez o melhor show do evento.

Corta. Nova cena. Brasil.

A Flip, Festa Li­te­rária In­ter­na­cional de Paraty, con­vidou para a edição desse ano o Neil Gaiman (ótima es­colha, sempre acom­panho o blog do cara), a ci­neasta ar­gentina Lu­crecia Martel, o dra­ma­turgo bri­tânico Tom Stoppard e a psi­ca­na­lista francesa Eli­sabeth Rou­di­nesco. A im­prensa bra­si­leira festeja o diálogo pro­posto pelo evento.

Corta. Volto pro meu blog.

God­damnit!!! Re­sol­veram di­ver­si­ficar não só as opções se­xuais, mas até mesmo eventos de­di­cados? Que merda. Eu posso querer ir ver Iron Maiden, mas preciso aturar o Car­linhos Brown? Aliás, o que o Rock’n’RIO faz em PORTUGAL? Não será mais pos­sível ver o show só de rock? Qualquer ci­dadão se apre­sen­tando em qualquer casa de Jazz no Brasil in­venta de co­locar Bossa Nova por quê? Desde quando se vai num PUB para ouvir Pop-​Rock?

Eu não tenho as res­postas para as per­guntas a cima. Aliás, eu mesmo prefiro ficar em casa sozinho.

En­tre­tanto, eu gosto de botar meu dedo nessas te­orias. A razão disso tudo acon­tecer é: a hu­ma­nidade está com­ple­ta­mente aco­vardada. As pessoas vi­raram uns co­var­de­zinhos, não comem mais carne ver­melha, aca­riciam ve­getais. Acham um ab­surdo alguém fumar um simples ci­garro (até mesmo em ta­ba­carias), mas não estão nem aí com a ma­rihuana . De acordo com uma amiga minha, falar do que re­al­mente im­porta é con­si­derado uma gafe. Eu já vejo eles con­si­de­rarem a verdade como um pecado. São uns pu­ri­tanos de meia tigela.

E por serem, assim, tão sen­síveis, não re­clamam de nada. Por exemplo, rapper em show de rock não. Eu fico mas se for pra jogar alguma coisa nele. Eu não vou nos guetos me meter em as­suntos alheios. Aliás, eles nem mais con­vidam outros para os seus as­suntos. Sau­dades do Run DMC. Já não basta hoje em dia a li­te­ratura estar na UTI da cultura, tem que piorar o estado do pa­ciente con­vo­cando psi­ca­na­lista e ci­neasta pro evento? Aliás, esse pessoal do cinema não tem vários eventos de­di­cados para eles? Já fui a alguns con­gressos psi­quiá­tricos, de­veriam con­vidar um grupo de dança tra­di­ci­o­na­lista po­lonês para esses eventos. Por que não? E se o 50 cent con­vi­dasse uma co­mu­nidade Amish para seu próximo vídeo-​clipe?

Vai en­tender a cabeça dessa gente… eu prefiro ficar com a minha. Sou meio con­ver­sador, sabe. Se uma coisa é bem boa, não vejo razão para deixá-​la de lado e ex­pe­ri­mentas novas coisas. Levo a minha ex­pe­ri­ência comigo, e não tenho ver­gonha ne­nhuma de mostrar. Não troco de alma toda semana feito alguns. Se isso soa mal, pro­blema dos outros. Não vivo pela cabeça deles, prefiro meu sistema de vida e morte.

Corta.