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Tags:BBC, blogs, Brasil, erro, erros, ferramenta, globo, gramática, internet, jornalismo, Paula Oliveira, polícia, rapidez, Redação, Repórter, Rogério Simões, voltar atrás
Jornalismo e mídia "internet"
Vez ou outra, o jornalista acha uma informação apenas com a sorte. Apenas por estar no lugar certo, na hora certa. O jornalismo ainda engatinha na internet. Por enquanto, as únicas inovações da rede é a rapidez de publicação das matérias, os tais “comentários” e, mais importante, a capacidade de revisar os textos constantemente.
A revisão de textos (ou atualização, como é chamada pelos veículos) não foi iniciativa do setor. Nos primórdios desses noticiários, erros ou revisão de informação era feita sem o devido esclarecimento para o leitor. Não por má-fé, a questão era que isso de arrumar uma reportagem, realmente, era algo novo para o jornalismo, desde sempre acostumado com o fato de, uma vez publicado, não dá pra voltar atrás no texto. Jornais, antigamente, possuíam duas edições, tanto para adicionar novas matérias como para consertar erros das edições matutinas. Na era da internet, atualizar o texto já publicado era algo nunca antes pensado numa redação. Matérias eram produzidas as seis horas e, magicamente, a mesma matéria das seis tinham informações que só apareceram as nove da noite naquele dia.
Era preciso avisar que o texto recebeu uma atualização. Os leitores exigiam e, além disso, pega mal para a empresa.
Nesse começo, era difícil perceber as mudanças no texto. Agora, é difícil saber quais foram essas mudanças. Acrescentaram ou retiraram informações? Foi preciso esclarecer certos pontos do texto? Arrumar a gramática? Ou, quem sabe, omitir uma bela bola-fora que o repórter deu?
Documentar essas revisões é complicado por dois motivos. O primeiro, é a ferramenta para tornar isso realidade. Criada, como ela funcionará? Como facilitar o uso dessa ferramenta? Esses são aspectos técnicos.
O segundo motivo, e realmente o que mais incomoda os veículos, é as informações contidas nas revisões. Ali, você poderá ver o que foi alterado, retirado, acrescentado. Jornais, qualquer um, ainda não se sentem confortáveis para tamanho tipo de transparência. A Wikipédia, por exemplo, dispõe desse serviço. Através dele é possível ver como as informações de um artigo são manipuladas pelos autores/colaboradores e a intenção deles quando o fazem.
Entretanto, isso é problema dos jornais. Eu gosto mesmo é de, vez ou outra, pegar um jornalista no pulo! Dando uma informação equivocada e logo depois omitindo-a. É muito engraçado.
Ontem, foi a vez do blog da BBC. Tive a sorte de acompanhar a mudança dramática de um post enquanto a notícia acontecia.
Esse post da BBC sobre o caso da Paula Oliveira foi publicado às 17:35. O texto serve para justificar a cobertura da rede no caso, alegando que eles não se precipitaram como os jornais brasileiros. O final do penúltimo parágrafo original estava assim:
Ficamos então ainda mais atentos para não abraçá-la indevidamente. O que é um cálculo delicado, afinal o caso, se verdadeiro, era extremamente grave. Inclusive, ainda não foi totalmente esclarecido. Paula Oliveira não estava grávida, mas ainda não está provado que ela fantasiou a suposta agressão.
Ali ainda se via uma preocupação de deixar as duas histórias em destaque, não descartando as opções e ainda colocando em dúvida a perícia feita pela polícia da Suíça. Além disso, ele toca num assunto importante, o que deve fazer um jornalista com um caso explosivo na mão, o tal “cálculo delicado”. Meia hora depois, às 18:00, uma revista suíça país divulgou a informação de que a advogada brasileira tinha confessado a farsa para a polícia. Magicamente, o texto foi atualizado para isso:
Ficamos então ainda mais atentos para não abraçá-la indevidamente.
Bela redução, creio. Hoje, na versão final (acho), tal parágrafo mudou completamente:
Apesar do cuidado da noite anterior, minha tendência naquele momento era achar que a história fosse verídica. Ficamos então ainda mais atentos para não abraçá-la indevidamente. O caso segue sendo investigado na Suíça, e ainda não está provado se o suposto ataque ocorreu ou não.
Minha dúvida é, há problema nisso tudo? Creio que há.
O jornalista parece-se com o publicitário porque ambos sempre querem estar certos. Talvez seja mais fácil um médico admitir um erro do que esses dois. É o considerado normal na profissão. Talvez esteja no fermento que usam para criá-los. Os assessores de imprensa, por exemplo, não podem se dar a esse luxo, já que um erro na profissão deles pode ser fatal. Nem coloco em questão esse comportamento, já que nada irá mudá-lo. Espanto-me é como essa postura pode empobrecer um texto. A necessidade de estar sempre “ligado” e “correto” empobrece.
Se o autor, Rogério Simões, mantivesse o texto original, não seria vergonhoso. Já que ele resolveu dar uma de ombudsman, que aproveitasse a situação para exemplificar ainda mais a questão principal de toda a confusão gerada pela Paula, a dificuldade do tal “cálculo delicado”. Seria ainda mais interessante um segundo post mostrando o quão difícil é isso. Poderia ter até o mote “olha, quis mostrar os problemas de fazer jornalismo e, na mesma hora, o pior deles aconteceu de novo, entenderam a questão?”.
Porém, faltou visão ao Rogério, ou vontade, ou coragem, para mostrar que os jornalistas erram toda hora, todo dia, e consertar esses erros para não comprometer inocentes e a realidade também é peça importante no exercício da profissão. Infelizmente, só demonstrou que o corporativismo é vivo e forte no setor, que nunca aprende com seus próprios erros até que seja tarde demais. E mesmo assim, quando tentam, aprendem errado. Esse blog da BBC é para ajudar o leitor a “a entender melhor o contexto do noticiário internacional”. Já entendemos. Na BBC, na TV Brasil, TVE, na Globo ou na Carta Capital, o problema é sempre o mesmo.
Foto: Bad News
Se o motoboy se matar, vc faz o quê?
A Polícia é uma piada. Os motoboys fazem o que querem e morrem por isso, se juntam em bando quando fazem merda e nós, pobres mortais que pagamos IPVA tempos que ficar lá, mesmo se formos espancados, ou somos presos por “omissão de socorro”. Ridículo.
Tags:assassinato, bom-senso, discussão, Eloá, GATE, justiça, Lindemberg, personagem, polícia, relacionamento, Santo André, televisão
Mídia e Ética: Caso Eloá
Qual seria o verdadeiro compromisso da mídia? Seria levar a informação àqueles que a anseiam? Seria despir o mundo, na tentativa de mostrar a sua essência? Desmistificar assuntos na urgência de sua discussão? Em suma, mostrar a verdade em meio a confusão que é a vida?
Sabemos que o compromisso com a busca pela verdade é muito maior do que a verdade em si. Nem mesmo a definição de “verdade” é clara, direta, real. Um conceito abstrato, personagem principal de lutas filosóficas desde o início dos tempos. Buscá-la, ao contrário, sempre foi estimulado e valorizado. Nesse assunto, o caminho sempre foi mais importante que o destino final.
Então, qual seria a vocação ética da mídia? Podemos entrar finalmente na questão depois de descobrir o que ela significa. No bom-senso comum ética seria a imparcialidade no relato dos fatos. Mais, uma ausência de pré-julgamentos, um compromisso, antes de tudo, com a busca pelo verdadeiro. Por isso, fomentar a discussão, o debate, o senso crítico dos indivíduos é fundamental.
É ser humano se apaixonar, chorar, sentir falta, não executar duas meninas a queima roupa.
A teoria só reflete a prática se espelhar-se na última. O que entendemos por vocação ética da mídia é mais um pensamento abstrato, filosófico, do que uma realidade. Informar, acima de tudo, é selecionar. A imparcialidade não está na divisão equivalente entre os pontos-de-vista distintos. Muito menos na linguagem estéril que, ultimamente, é tão comum na imprensa. A imparcialidade é uma mentira. Ela não existe. É apenas um mito. E como todos, cada vez que o destruímos, automaticamente o reforçamos.
Mas o caso Eloá trouxe algumas mudanças, só não sei se serão definitivas ou não. Há anos não vejo os veículos de comunicação chamarem assassinos pelo nome. Normalmente são “suspeitos”, mesmo quando presos em flagrante delito. A mídia não é procuradoria, nem juiz ou júri para condenar ou absolver quem quer que seja. “Assassino” é apenas o que Lindemberg escolheu para sua vida. Não é problema do Jornal Nacional as escolhas que ele fez, mas é preciso sim, sem sombras de dúvida, chamar pelo nome a verdade que aparece.
Fomentar o debate nunca foi tarefa da mídia. Ela usou esse artifício quando as pessoas o requisitavam como peça fundamental do discurso.
Não há uma justiça a se procurar na mídia, ela só exististe no indivíduo. Uma sinceridade da mídia está no fato dela mostrar que, acima de tudo, só seleciona e compila. Gostamos de acreditar que esse profissional trabalha por nós – que ele busca a verdade enquanto o cidadão comum preocupa-se com trabalho, casa, filhos. Mas isso é um ato solitário e não pode ser delegado a outros. Acontece dentro da mente de cada um, e somente nela. É um exercício individual e intransferível.
Em casos como esse, fica fácil achar essa verdade, especialmente quando ela está gravada em vídeo. Ainda assim, não faltarão analistas para culpar a mesma mídia pelo desfecho da história. São apenas teorias ignomiosas, de jornalistas que pouco fazem e muito dedicam a causas ideológicas.
A única vocação ética da mídia é manter-se, é o compromisso com sua sobrevivência. Houve um tempo no qual essa vocação era explícita – era manifesta porque urgente. Aqueles que buscavam a informação o faziam para poder pensar sobre determinado assunto e buscar por si sua essência. A parcialidade latente era necessária para mostrar a que a mídia defendia, contra quem lutava, qual verdade buscava. Só assim poderiam levá-la a sério.
Fomentar o debate nunca foi tarefa da mídia. Ela usou esse artifício quando as pessoas o requisitavam como peça fundamental do discurso. Não foi ela quem mudou, mas o público. Hoje, a urgência é de processos acabados, explicados, finitos em si. Há muito pouca disposição para refletir sobre um assunto. Para sobreviver, a mídia se adaptou.
Mas alguma coisa aconteceu agora. Num ano cheio de tragédias, os verdadeiros jornalistas parecem ter acordado. Viram que a escola do Alberto Dines não consegue apreender a realidade tal como ela é. O “jornalismo imparcial” serve a interesses, não à verdade. O público precisa mais do que meias palavras. E também fica difícil fazer eufemismos quando a vida real é tão cruel, tão mau, tão asquerosa.
A questão não é explicar como a mídia não estimula o debate, nem o senso crítico do seu público – nunca foi seu papel. Agora, se quisermos explicar como a sociedade baniu a vontade de pensar e raciocinar, podemos buscar a verdade dentro desses limites estabelecidos. E essa verdade é uma das mais fáceis de se descobrir. O problema é acreditarem nela — mesmo ela aparecendo ao vivo e a cores em cadeia nacional de rádio e televisão.
PS: Para quem não entendeu a foto com o texto, leia isso.
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Orkut de Lindemberg?
Vai saber se é real ou algum maluco, mas o google já poderia ter retirado do ar esse orkut do Lindemberg e mandado os dados pra justiça, não? O Google Inc também não ajuda…
Tags:Crime, justiça, polícia, STF, tarso genro
Um bode no Rio Grande Do Sul
Tarso Genro é um imbecil. Como advogado ele é um asno. Só mesmo num período de loucura tal cidadão (porque ele é) pode ser chefe de qualquer coisa. Sobre o uso de algemas, o ilustre declarou:
“Isso aí [a restrição ao uso de algemas] pode gerar uma reação mais violenta na pessoa [um eventual preso], o que leva a Polícia Civil a ter mais violência para se proteger”, disse o ministro, antes de proferir uma palestra para estudantes.
Tarso Genro afirmou também que, “por ser bem preparada, por ser uma elite treinada”, a Polícia Federal terá mais facilidade para se adaptar à decisão do STF.
“O arbítrio do agente aumentou. O juízo do agente de usar ou não algema ficou mais forte, ele fica mais senhor da custódia”, afirmou o ministro.
“Se tivesse uma decisão, por exemplo, não se pode algemar ninguém ou pode algemar determinadas pessoas, aí o policial teria uma norma mais direta sobre a sua conduta.”
O que é isso? quer dizer que não devemos confiar na polícia civil porque ele é mal treinada? Digamos, se qualquer um for abordado, o policial civil é um brucutu que não conhece as leis? Portanto, diante de uma situação de vida ou morte (pois policiais civis podem usar armas), o cidadão precisa se defender de agentes públicos que não conhecem as leis e seus limites?
Tarso genro está dizendo, no âmago, que os cidadãos devem reagir à polícia porque eles não tem capacidade de abordar um cidadão de bem. Onde já se viu isso?
Como ele disse, o uso de algemas, de acordo com o STF, é ilegal em certos casos. Como um cidadão de bem, posso me opor ao abuso de autoridade (que é crime), portanto, a reação à polícia está regulamentada no código penal.
Bruce Lee?
Não falei aqui sobre o assassinato da Cara Marie Burke, 17 anos. Eu sou um chato. Eu acho que meninas deveriam ser mais espertas, entender direito com quem andam. Eu sei, sou um chatão. É óbvio que eu nnao desejo a morte de ninguém que anda em más companhias. Mas é um risco. Gosto de mostrar esses riscos para as mulheres que encontro. Sou um namorado bem chato por isso.
Mas enfim, a tal Cara foi morta e esquartejada por um cidadão chamado Mohammed D’Ali Santos. Isso é bem surreal. Mas pior ficou quando vi o nome do irmão desse psicopata: Bruce Lee. São as pequenas coisas que mostram a maluquice do povo brasileiro.
O Brasil fica mais doido a cada dia.
A quem servem os bafômetros
O Shikida lançou um e-book sobre a Lei Seca (péssimo nome, por sinal, que demonstra a falta de cultura do brasileiro). Esse assunto me dá tanta preguiça… E discutir com economistas destrói completamente minha libido. Eles são o pau-pra-toda-obra da atualidade. Várias profissões já subiram nesse pedestal: religiosos, aristocracia, cientistas, darwinistas, jornalistas, positivistas, humanistas. O negócio é não entrar no embate, por isso ou vou fazer um monólogo, sem conversas, muito menos vou entrar na dialética porcaria de qualquer corrente ideológica.
Panorama Histórico o Termo “Lei Seca”
Isso é um resumo. Em 1917 os Estados Unidos declararam guerra à Alemanha. Nesse mesmo ano, o congresso americano aprovou uma emenda à constituição que tornava ilegal a venda de bebida alcóolica no país. Ao contrário do Brasil, que adora aprovar leis da noite para o dia, o congresso americano apenas sancionou uma lei que teve muito apoio popular antes de chegar ao Senado Americano.
Culpem os metodistas. Mas também os cientistas. Culpem um monte de gente, por via das dúvidas. Essa ladainha ronda a cultura americana desde os 1700’s, ganhou força nos 1800’s e no começo dos 1900’s virou lei. Ah, o álcool faz mal a saúde. Ah, o álcool transforma um bom pai de família num bebum. Ah, o álcool denigre os bons costumes. Imagina os defensores dessa lei hoje, quando provamos que uma taça de vinho por dia faz bem ao coração. Aliás, se eu tiver um enfarto (infarto, infarte, foda-se), processem o estado. Voltemos. A lei foi aprovada pelo senado devido a um clamor da sociedade.
E todo mundo sabe o que aconteceu (vocês vêem filmes, não?).
A bebida continuou a ser vendida no mercado negro, criando uma classe de criminosos tão perigosa quanto charmosa nos anos 20 e 30. A figura máxima era Al Capone. E envolveu políticos, policiais, fazendeiros, bares, enfim… Depois de quase duas décadas de proibição, finalmente chegaram à conclusão que o melhor era moderar o consumo, mas nunca mais proibí-lo completamente. Esse é o resumo da ópera.
O novo texto do código brasileiro de trânsito não faz nada disso aí. Apenas proíbe que você dirija um veículo automotor se tiver consumido qualquer quantidade de álcool. Além de ser um pé no saco, pode te mandar pra cadeia assim, num estalar de dedos (ou numa soprada, ou numa recusa, enfim).
Eu detesto esse termo desde o princípio.
O Novo Código Brasileiro de Trânsito
Pouca gente se lembra de quando ele entrou em vigor. Mudou completamente a nossa vida. Além de multas bem pesadas por ter, por exemplo, uma lanterna queimada, instituiu a obrigatoriedade do cinto de segurança e capacete, por exemplo. Lembro bem da discussão na época. Se eu quiser dirigir sem cinto, problema meu. Sem capacete, problema meu. O lado oposto dessa discussão era as manchetes de jornal: Número de mortos cai em hospital. Cinto e capacetes salvam vidas (assim, sem concordância nos termos). Alguma semelhança com o debate hoje? Humm, depois de alguns anos o número de acidentes aumentou, estabilizou ou diiminuiu? Hummm…
Mas também teve outras coisas bem divertidas, como a obrigatoriedade de ter no carro um Kit de Primeiros Socorros. Lembram deles? Uma bolsinha branca, com uma cruz vermelha que só servia para acumular poeira no porta malas? Tinha que ter uma luva descartável, esparadrapo, gazes e outras coisinhas bem úteis quando uma caminhonete passa por cima da sua cabeça ou você está preso nas ferragens. Ao mesmo tempo tínhamos novos cursos para tirar a carteira de motorista, como o de primeiros socorros que era mais ou menos assim: tente deixar a vítima imobilizada, sem ninguém tocar nela até a chegada da ambulância. Aí um aluno brilhante perguntava, “mas e o kit do carro?”. Eu ainda lembro das risadas.
Muita gente ganhou dinheiro com isso, vendendo os kits. E muita gente ganhou dinheiro fiscalizando os kits. Médicos iam a televisão falar que nem todos os kits eram estéreis, que continham bactérias, isso e aquilo. Melhor nem usá-los. Ao mesmo tempo, nas estradas, perto dos postos policiais, apareceram kombis vendendo toda sorte de equipamentos. Um kit que custava 5 reais na cidade ia pra 50 do lado da PRF. O dolár era um pra um, ok? Ah, essas kombis… elas ainda existem até hoje, vendendo lâmpadas de farol a módicas quantias. Bela herança. Mas o grosso mesmo foram as empresas que montavam o tal kit. Da mesma forma que surgiram, desapareceram quando essa exigência caiu.
Isso então é estranho pra você, leitor?
Pra mim não é.
Atuação da Polícia na Fiscalização do Trânsito
No primeiro ano do Código de Trânsito tivemos que nos acostumar com as Blitz. E eram piores do que hoje. Não era raro pegar umas três antes de chegar em casa. A polícia apareceu da noite pro dia. Compraram novos guinchos tamanha era a quantidade de carros irregulares. Até o tio da Kombi ter a brilhante idéia de estacionar perto delas. Seu carro não era guinchado se você arrumasse a coisa na hora. A polícia te abordava por causa de uma lâmpada queimada. Meu Deus, parece os Estados Unidos, as pessoas comemoravam. E como terminou a fiscalização? Bem, a lâmpada do freio de um amigo meu está queimada faz uns 3 anos e ele tem uma novinha no porta-luvas. Não troco porque quero ver quando vão me parar por isso. Só por diversão. No duro. Não foram poucas vezes que os policiais até quiseram cobrar uma propina dele para esquecer o caso. Tem hora que a carteira vale o esforço.
Hoje, novamente, vejo a mesma história. As pessoas comemoram porque parece que elas estão nos Estados Unidos, na Europa. Eu tento lembrá-las que não, elas vivem no BRASIL. Imagine o poder na mão do polícial que agora, por nada (desculpa, mas o happy hour ainda é uma cultura brasileira), pode te mandar pra prisão! Quem teme a lei não é o bêbado (ele já é louco por natureza), mas o tio da Kombi. Não precisam mais dela (sujeito indeterminado ou oculto, hein? hein?). Se mesmo depois de anos os radares pegam um carro a 800 Km/h e o Detran não admite sua parcela de culpa, imagina os bafômetros em, digamos, 2010?
O Que O Futuro Nos Promete
Economistas, pra voltar ao livro depois de tanta ladainha, tem uma séria deficiência: eles não passam da matemática básica. Tudo bem que eles tem fórmulas enormes, mas deviam se aprofundar em matemática antes de emitir opinião. Trabalhar com X e Y é fácil. A natureza humana está mais para cálculo avançado. É como acreditar que alunos medianos da escola pública podem construir uma nave espacial.
Não só os co-autores do livro “esqueceram” da abrangência de certas externalidades negativas.
Digamos, sei lá, que um agente público mal-intencionado compre um bafômetro no E-Bay (o mesmo comprado pela polícia por SETE MIL REAIS, nos Estados Unidos custa 150 DÓLARES) e resolva adulterar o número pra cima (bem, para os céticos, alguém já precisou desbloquear um celular?)? Olha só eu dando idéia pra marmanjo. Até você resolver a situação, meu bem…
Ou pior, como o álcool sai do organismo rapidamente, e o IML não é um exemplo de competência, logo logo irá criar uma situação jurídica mais ou menos assim: o bafômetro acusou positivo, mas o sujeito precisou esperar no IML, tomou um monte de refrigerante e água e o exame de sangue deu negativo ou abaixo do número acusado no bafômetro. Vale qual leitura? Ah, no meu dia o IML fez o exame em cinco minutos, mas o outro sujeito teve 6 horas, a justiça é igual para todos ou o quê?
Eu não estou louco. Como a lei estabelece limites tão baixos, um copo de cerveja, ou uma hora a mais ou a menos podem decidir entre liberdade e CADEIA. Pela lei, eu posso me recusar a fazer tudo isso aí, bafômetro, exame de sangue. Como o Estado vai diferenciar os bêbados habituais do pai de família que, sei lá, resolveu tomar uma latinha a mais? Eu posso entrar com recursos contestando o tempo de espera, os equipamentos, qualquer coisa. Isso beneficia, unicamente, os piores elementos. E não dá pra colocar todo mundo no mesmo saco como o novo texto da lei fala.
Ou coisas bem engraçadas como, um muy amigo teu resolve te pregar uma peça e diz que a cerveja que ele te ofereceu é sem álcool, mas não é. Ou sua empresa faz uma festa politicamente correta sem álcool e um engraçadinho resolve zoar com todo mundo. O cara toma duas e nem sente, vai pra casa e cai na blitz, faz o teste do bafômetro todo contente e vai pra Cadeia. Todo mundo vai na delegacia dizer que foi um mal entendido (olha eu de novo dando idéia pra marmanjo…), mas o promotor é meio protógenes e resolve te processar mesmo assim. Levando em consideração a lei, que diz que beber é potencialmente colocar outros em perigo de forma dolosa; e a loucura do promotor, claro – teremos no Brasil o primeiro caso mundial, em outras letras, de Tentativa de Homicídio sem a Intenção de Matar.
O que eu tento dizer é: legislar pelo medo ou pelas emoções só traz conseqüências maléficas a médio e longo prazo. Hoje, é notório que as blitz param muito mais os mais jovens do que os mais velhos. E quando um “mais velho”, bêbado, passar pelos policiais e matar algumas pessoas no próximo cruzamento? O polícia tem o dever de evitar coisas como essa. Com melhor treinamento, com uma ação efetiva, com método, eles poderiam acabar com o crime organizado no Rio de Janeiro. Mas do jeito que é, é dar muito crédito a uma corporação que ainda não o merece, mas tenta merecer.
E O Futuro Próximo?
Bem, com o passar do tempo a fiscalização diminuirá. É um fato comprovado, porque o efetivo usado até as três ou quatro da manhã fará falta no resto do dia, ou em outros pontos da cidade. Bandido sabe onde tem blitz, onde policiais são requisitados e deixando de lado outras atribuições. Não é uma situação sustentável (e os economistas apostam num futuro exemplar onde haverá contratação de mais pessoal — gente, olha o orçamento da segurança e acordem!). Mas o medo já estará instaurado.
Eu por exemplo, moro no Jardins, e não vou me arriscar bebendo no centro, onde a delegacia é outra, o perfil é outro. Eu não me arrisco nem aqui, mas tem gente que pensa, HOJE, POR CAUSA DA LEI, no custo-benefício de cruzar a cidade. E é um pensamento normal. As batidas de trânsito voltarão aos níveis “normais”, sim, mas estarão espalhadas, e não mais concentradas onde normalmente tínhamos maior movimento de bares, boates, etc. Enquanto a lei ficar como está, tudo ficará mais local, o que ajudará a maquiar os números por muito tempo.
E a mesma lei, que em suma poderia criar discussões produtivas, como a melhora da polícia, dos direitos dos cidadãos comuns e tanta coisa que ainda falta no país vai se transformar numa batalha entre os ditos anjos e os condenados a serem demônios. Tal como no desarmamento, a turma do paz e amor quer usar nossas emoções para uma agenda. Hoje, ninguém, salvo raras exceções, pode andar armado. O crime não diminuiu, aumentou e ficou ainda pior. Policiais hoje disparam a esmo, porque sabem se é bandido num carro, numa casa, ele vai estar armado. Hoje, bandido não leva mais 38 da casa do pai de família, andam com 765, 354, fuizis de assalto, armas sempre foram de uso exclusivo e restrito às forças armadas e a esquecida polícia federal.
Novamente, otários são recrutados, pensando terem as melhores intenções, para abrir uma lacuna perigosa na vida, na justiça e no direito brasileiro. Chuvas causam 35% mais acidentes. Só quando aprovarem uma lei que te mande pra cadeia por dirigir com mal tempo as pessoas acordarão? Acho que nem assim o bom-senso do brasileiro despertará.
E muito menos dos economistas.
Tags:Crime, José Mariano Beltrame, Morte, People + Arts, polícia, rio de janeiro, Segurança, Vídeos Incríveis
Cala a boca, Beltrame!
Em qualquer outro lugar do mundo civilizado (o Brasil não pertence a esse grupo) o Secretário de Segurança do Rio de Janeiro já estaria com sua carreira pública enterrada. Já falei aqui da morte do João, e hoje mais um inocente é morto em tiroteio com a polícia. O mais incrível por cá são as imbecilidades proferidas pela autoridades. A da vez é o Beltrame afirmando que “em qualquer lugar do mundo a polícia responde a esmo quando é alvejada”. Sr. Secretário, recomendo assistir aos Vídeos Incríveis, no People + Arts. Quem sabe ali você aprende algo sobre segurança e ações da polícia.
Em qualquer lugar do mundo civilizado, Sr. Secretário, a polícia antes zela pelos inocentes envolvidos nas confusões. Os policiais, Sr. Secretário, são pagos para isso. A integridade física dos homens da lei vêm depois da integridade física dos inocentes no local. Eu nunca vi um caso nos Estados Unidos que o policial pegou uma das vítimas e a usou como escudo humano. Alguém ai já ouviu ou leu algo do tipo? Hein? Hein? Agora, se o marginal usa a vítima como escudo, a força policial normalmente faz a segurança do local até a chegada da SWAT. Não atira em carros sem saber quem dentro dele é bandido ou vítima.
O Rio de Janeiro é realmente um realismo fantástico. O que acontece naquela cidade precisa de um capítulo próprio nos livros de antropologia. Vai ver, sei lá, não é apelas cultural a diferença daquele povo. Talvez envolva hormônios, algo já biológico, que faça o carioca ver um simulacro da realidade.
Fatos não são tão fáceis de manipular como as versões. O que o Beltrame quer é mudar a realidade mundial para salvar a própria pele e o cargo. Eu digo para ele não se preocupar. Quem foi a última autoridade condenada pelos crimes de responsabilidade? Não me lembro. Mas por amor ao mínimo de humanidade e inteligência que nos resta, o Secretário de Segurança do Rio de Janeiro poderia cultiva o silêncio. Cala a boca, Beltrame!
Atualização: Diz a Constituição:
Art. 144. A segurança pública, dever do Estado, direito e responsabilidade de todos, é exercida para a preservação da ordem pública e da incolumidade das pessoas e do patrimônio, através dos seguintes órgãos: (entre eles a polícia militar)
Bom, só depois disso que todas as outras disposições da Policia Militar vêm. Elas precisam respeitar o parágrafo a cima. Já que os policiais militares do RJ tem deficiência pra entender o que está escrito, vamos lá:
Incolumidade
Datação
1713 cf. RBAcepções
■ substantivo feminino
1 qualidade ou condição de incólume
1.1 isenção de perigo, de dano; segurança
1.2 Rubrica: direito penal.
situação do que está protegido e seguro (falando de bens que se quer proteger)
Mais:
Incólume
Datação
1702 cf. NumVocAcepções
■ adjetivo de dois gêneros
1 sem lesão ou ferimento; livre de dano ou perigo; são e salvo; intato, ileso
Ex.: voltou da batalha i.
2 que permanece igual, sem alteração; bem conservado, inalterado
Ex.: saiu do negócio com a reputação i.
Bom… vamos ver como o Beltrame escapa dessa.
Não somos diferentes e nem tão iguais para eles
Como é bonito ver o Marcos Pontes (o turista-espacial-patrocinado-pela-petrobrás) falando no Discovery Channel como se realmente fez algo além de ficar sentado no foguete. Mas isso é só uma divagação.
Voltemos. Não sei se estão acompanhando o noticiário, mas aconteceu dois assassinatos nos quais as vítimas, “de classe média”, foram mortas por policiais em situações imbecis. A primeira do Daniel Duque, alvejado a queima-roupa por um policial. A segunda aconteceu hoje, um menino de 3 anos, alvejado na nuca.
Antes disso, 3 rapazes foram covardemente deixados por militares numa favela rival e, bem, executados por traficantes. Três crimes horríveis, sim. Os culpados devem ser punidos, sejam eles policiais, militares ou os sempre foragidos traficantes. Entretanto, enoja-me a atitude das tais autoridades, tão diferentes nos casos acima citados.
Os rapazes do morro da providência morreram entre os dias 14⁄15 de junho. Já no dia 17, dois dias depois, o ministro Nelson Jobim já estava no morro pedindo desculpas em nome do estado para os parentes. Uma semana depois, o Apedeuta Lula também estava lá pedindo desculpas. Nenhuma das vítimas “de classe média” recebeu nem um memorando dessas autoridades. Por que será?
Eu vou tentar responder a essa pergunta. Parece que tanto o Jobim quanto o Luís Inácio não gostam de encarar pessoas esclarecidas. O desabafo do pai do menino de 3 anos é desesperador. Mesmo ainda na dor de saber que seu filho estava morto, ele consegue fazer as perguntas certas. Eu quero ver Jobim e Lula explicarem para esse pai por que ele paga seus impostos e tem sua família executada “por engano”. Como os policiais confundem um Tipo com um Palio Weekend? Da mesma forma que gostaria de ver eles explicarem porque Daniel morreu supostamente por causa de uma garota. Como um policial militar, que fazia garantia a segurança da família de uma promotora há oito anos viu numa briga de bar uma ameaça tão séria quanto um grupo de extermínio do Comando Vermelho?
Lula e Jobim não aparecem porque só há uma resposta para tudo isso: ineficiência estatal, corrupção e crime de responsabilidade, no mínimo. E o Rio de Janeiro (o cenário de todas essas tragédias) é o ápice dessa violência contra o cidadão comum. Não bastassem os marginais, criminosos que infestam as favelas cariocas, ainda precisam lidar com uma polícia regular que produz tanto mal quanto os bandidos mais ordinários.
É incrível a terrível capacidade do Brasil produzir tragédias desse porte. Mais macabro ainda é ver a morte sem sentido de uma criança marcar o primeiro dia das campanhas eleitorais. O que essa gente prometerá nessas eleições? Mais segurança? Mais rigor? Quem acredita nisso? Ao que parece, a força pública, em especial a carioca, só sabe combater dois tipos de bandidos e colocá-los na cadeia: as pessoas que fumam e as que bebem dois copos de chopp. Estamos lascados.




