Não escreverei sobre política em 2010. Vejo as manchetes sobre as eleições, acompanho o bate-boca entre os candidatos e só sinto tristeza: chegamos a um ponto muito baixo no Brasil. A linha do gráfico de inteligência brasileira desceu, desceu e desceu. O Mainardi foi pra Itália. O PSDB é um partido que não me representa nem um pouco. É uma pena, mas o Brasil, pra mim, não vale nada.
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O Brasil nasceu por engano e acabará porque quis
Pois ai está seu engano, Augusto, posto que o Brasil não se sente sem pai nem mãe, mas orgulhoso do seu samba, do criolo doido, e dos amorais que ali estão, mamando em berço esplêndido, tal qual os navegantes fantasiados de soldados medievais. Grande JK, inigualável governante, homem de visão que deduziu não ser mais necessário atravessar o atlântico para encontrar as meretrizes de Paris, ou muito menos mandar importar, já que mais simples seria construir uma cidade no meio do nada para, no sigilo das pontes aéreas, ter ali a última peça da tradicional da história não contada da Pátria Brasileira, a tão alardeada Casa da Mãe Joana. Então estamos hoje na resplandecência do antigo sonho dourado da Pedra do Reino, sem a glória nem a riqueza de um Sebastião, e sim de um tião flagelado em sua mão, que achou na Pátria Amada o terreno fértil para sua profecia, e tão parecido com a da nossa primeira rainha, que nosso exército regurgitado das cinzas da história moderna nos levará para o patamar de exemplo divino de que um povo, quando sabe bem o que deve fazer, pode sempre acabar com tudo de uma forma ainda mais original, burlesca, esférica e batuta. Um dia nós saldaremos piolhos!
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O Museu da Corrupção
Através do Gil Giardelli achei a melhor idéia dos útimos tempos: O MUSEU DA CORRUPÇÃO. Clique na imagem para entrar:
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Um novo mundo é possível e sem o socialismo
Em épocas de Fórum Social Mundial, a ideologia mais feroz, desumana e assassina novamente ganha ares de salvadora. Desde que Stalin lançou sou plano mais abominável, o socialismo retoma um falso papel de “um mundo melhor”. Sem dúvida é melhor para os psicopatas, assassinos e estupradores. E adianta dizer essas coisas? Pouco provável que a visão estreita dos auto-assumidos esquerdistas mude. Difícil desfazer um mito, principalmente um que usa igualdade entre os homens como norte de uma utopia. Se essa é a premissa básica, acreditar numa descrição imaginativa de uma sociedade ideal, fundamentada em leis justas e em instituições político-econômicas verdadeiramente comprometidas com o bem-estar da coletividade, não há batalha a ser travada, não há lógica ou discussão racional que façam dois lados opostos chegarem num denominador comum. Essas pessoas já não vivem na realidade. Estão no campo da psiquiatria, não da filosofia, política, etc.
Acho muito engraçadas a brincadeiras feitas com as 600 mil camisinhas distribuídas no Fórum. É um contra-senso, já que ali na multidão a maioria defende uma sociedade mais aberta com a liberação do aborto e de algumas drogas. De tão bem informados e antenados, nem precisariam dessa ajudinha. Mas como eu disse, não adianta discutir e tentar demonstrar o absurdo dessa e de outras situações.
Também não existe nada a acrescentar no caso do assassino Battisti, que recebeu do atual Ministro da Justiça um indulto para fazer no Brasil o que um dia fez na Itália. Isso ser discutido numa mesa que quer rever a Lei da Anistia brasileiro é uma piada sem graça.
Porém, nem o Brasil, nem o mundo, é composto apenas por pessoas da esquerda. Elas só fazem “mais barulho”, principalmente porque não precisam trabalhar, tem um protecionismo exemplar (principalmente o protecionismo acadêmico no Brasil e no mundo) e muito tempo livre para alardear suas besteiras. A outra parte da população, aquela que vive a realidade, pouco se importa com as besteiras ditas nesses fóruns. O que as preocupa é o que fazer para não deixar essa gente transformar o mundo num caos?
Claro, num primeiro momento, retirar esse povo do processo social vêm à mente. Mas, no meu caso e nos de muito, isso é injusto. Quem gosta de fuzilar quem os contraria são os esquerdistas. Num Estado Democrático de Direito eles também têm voz, mesmo que essa seja uma fala louca e psicótica na maioria dos casos. É uma questão aparentemente complicada de resolver, como impedir que façam loucuras e coloquem em prática suas idéias loucas sem recorrer a recursos extremos, não é mesmo?
Mas para um problema complicado, muitas vezes a resposta é a mais simples. Para defender o jogo justo, basta aplicar as regras do jogo. Fácil assim.
As idéias do socialismo e do comunismo vão contra as idéias de um Estado de Direito e de uma democracia. No seu núcleo, as duas ideologias são criminosas. Partindo disso, as suas idéias também terão algo fora da lei, em maior ou menor grau, não importa a maquiagem usada para disfarçar os seus fins. Também os meios utilizados pelos socialismo e o comunismo não chegam na esfera da legalidade. Para impedir essas maluquices, basta recorrer às leis.
No Governo Brasileiro, por exemplo, há inúmeras denúncias de corrupção, de mal-uso dos recursos públicos e tantos outros atos criminosos que alguém cometeu. Para parar uma máquina, basta tirar uma engrenagem e não deixar colocar outra no lugar. Como a máquina de esquerda flerta sempre com alguma ilegalidade, pela lei, poderia-se facilmente frear suas ambições fiscalizando eficientemente suas ações. Sei bem que sempre haverá juízes de primeira instância compactuando com tais idéias, mas nas esferas superiores do judiciário a ideologia não possui tanto espaço. Ali as análises técnicas valem mais. Sim, pode demorar para surtir efeitos, mas eles hão de aparecer sim. Da mesma forma que o investimento maciço em educação não mudará um país no curto prazo, zelar pela lei não trará resultados amanhã, mas depois de cinco, dez ou quinze anos as mudanças serão evidentes.
Valorizar o mérito também funciona bem para evitar um surto esquerdista. Nessa questão a realidade brasileira apresenta desafios enormes. As universidades públicas são estaleiros de embarcações destinadas ao fracasso. Infelizmente, esses barcos nunca saem das instituições, eles sabem que não constroem nada que realmente funcione, portanto nunca os vemos afundarem. Como mudar a lei do funcionalismo público é um tanto mais complicado, a saída é pegar os monstros gerados na USP, UFBA e congêneres e largá-los na realidade. Suas teses, suas pesquisas, trazê-las à luz e deixar que flutuem por ai. Não duram muito tempo. Não é a toa que as Bibliotecas Digitais dessas “grandes faculdades” nunca saem do papel. Exigir transparência no trabalho acadêmico diminuiria a sanha dessa gente.
Outro aspecto preocupante é a invasão da esquerda na cultura geral, ou “cultura de massa” como gostam de dizer. Isso já não dá para combater, mas a lei pode imperar nesse setor também. Livros, revistas, etc obedecem a lei da oferta e da cultura. Se já gente que gosta da Carta Capital, tudo bem. Mas seria preciso rever a publicidade estatal como um todo. Investigar para ver se há alguma irregularidade na distribuição dos anúncios, porque uma revista A e outra B recebem cotas diferentes se possuem o mesmo número de leitores. Caso haja alguma espécie de “discriminação ideológica” nos setores de publicidade de empresas públicas, metam a constituição em cima deles. Se há alguma espécie de “aspecto social” nessa história, ou as próprias “teorias de acesso à informação” geradas nas USPs da vida, mais fácil ainda. Isso também vale para a ANCINE e todo o ministério da cultura. Basta um bom advogado querer. Não ligue para as primeiras instâncias. A gente resolve isso é no STF.
Muitas vezes a máquina de esquerda nos faz sentir impotentes. Mas até isso é falso. Ela não é tão grande, nem tão poderosa. Aliás, essa mentira, a da sua grandiosidade, é a única defesa que ela possui. Todo e qualquer aspecto do socialismo/comunismo rui diante da realidade. E boas doses de realidade são suficientes para impedir uma “dominação” completa. Não precisa de uma força homérica, só um pouco de disposição no nosso tempo livre. Uma pessoa com bom-senso pode causar mais estrago na esquerda num domingo a tarde do que todo um Fórum Social Mundial na nossa vida. É sério. No duro.
Foto: Erik
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Bagno, Marcos - A Norma Oculta
Marcos Bagno é doutor em lingüística e professor da UNB. Seus livros são figuras certas nas aulas dos cursos de comunicação. Possivelmente, é o primeiro de discussão da língua que o graduando toma conhecimento. É inegável que A NORMA OCULTA suscita pontos importantes na reflexão, nosso modo de falar e interagir socialmente com os outros falantes.
Entretanto, assim como é provocadora, a obra pode enganar os menos acostumados ao tema (e que por sinal, é maioria dos alunos de universidades). Talvez o melhor momento para abordá-lo fosse a partir do 3º semestre, quando o estudante já adquiriu o mínimo da bagagem teórica. Nem sempre o desejável é o rotineiro, por isso tomo a autoridade dada a mim por Bagno (afinal, como ele diz, sou um falante da língua e, portanto, especialista no assunto) para destrinchar os preconceitos e erros que aparecem constantemente dentro do livro. De outra forma, os deslizes poderiam simplificar demais o raciocínio dos que desejam conhecer mais os estranhos sons que pronunciamos diariamente.
Antes de mais nada, devemos observar que Marcos Bagno de A NORMA OCULTA não é um professor interessado em desenvolver o senso crítico de ninguém. Ele está mais para um combatente. Está em guerra com os gramáticos. E como das guerras só saem perdedores, Bagno destrói tudo e a todos, não deixando pedra sobre pedra para a democracia que visa instaurar. Na tentativa de acabar com um preconceito real, ele impossibilita o leitor de adquirir algo muito mais importante do que um simples panfleto doutrinário: pensar direito – a única arma eficaz contra o mundo injusto traçado pelo autor.
O VALOR DA LETRA “S”
A NORMA OCULTA pretende raciocinar sobre língua e poder na sociedade brasileira. De acordo com o autor, o último reduto do comportamento preconceituoso é a discriminação através da língua: falar ou não errado, usar ou não a norma culta gramatical. Ao criticar falhas de morfossintaxe no discurso ou texto de uma pessoa, o que está por trás desse “correcionismo” é a tentativa da classe dominante brasileira em manter a desigualdade econômico-social no país.
O livro começa e termina utilizando como exemplo a recepção do presidente brasileiro Luiz Inácio na grande imprensa. Vários articulistas relacionam o “relaxismo lingüístico” do presidente com uma possível falta de cultura e capacidade para comandar a nação.
Eles insistem em focalizar os erros de concordância de Lula e sua forma simples (ou simplória?) de se expressar. Para Bagno, isso nada mais é uma estratégia política contra a imagem daquele e o que ele representa (politicamente) na história brasileira. É fácil ver isso no tom do discurso de Bagno, enaltecendo a vitória nas eleições de 2002: (os grifos são meus, a não ser que eu diga o contrário)
“Seria uma ilusão supor que uma vitória como foi a de Lula nas eleições de 2002 bastaria para que o preconceito lingüístico desaparecesse de vez da nossa sociedade” – Pag. 15
“A história pessoal de Lula é, sem dúvida, uma revolução “quase mágica”, mas é uma revolução individual, particular, digna de assombro, é claro, num país tão injusto quanto o nosso.” – Pag 38
Para mostrar o erro da imprensa, Bagno usa como exemplo pessoas consideradas “letradas” – como outras matérias “respeitadas” veiculadas em jornais (pág 26) – que também cometem os mesmos “erros”, provando, em tese, a nulidade desses julgamentos.
“Em ambas as colunas, Dora Kramer deixa bem claro seu total despreparo para tratar desses assuntos, uma vez que fala de “plural e concordância verbal” e de “lições de plural e concordância” como se fossem duas coisas distintas, como se as regras de plural não fizessem parte das regras de concordância (verbal e nominal), como de fato fazem.” – Pág 22.
Porém, lembremos que Bagno tenta desacreditar a opinião dos jornalistas usando o mesmo julgamento: eles também comentem erros e não sabem do que falam. As críticas negativas contra o Lula valem-se do mesmo teor: lula não tem conhecimento para isso ou aquilo, portanto é incapaz de fazer isso ou aquilo. O que o autor não explica é por que formas de análise semelhantes são válidas no caso dele, mas não nos dos jornalistas. Por que Lula pode governar o Brasil na base de trapalhadas e o jornalista não pode, também atrapalhado, tentar analisar a língua? Mais, por que levaríamos a sério em livro cheio de trapalhadas mesmo de um autor doutorado e vacinado?
“As observações da jornalista, portanto, demonstram a atitude autoritária de quem se acha com o direito de opinar e propor legislação sobre o que desconhece, apenas por reverenciar o senso comum, sem criticá-lo com instrumento teórico adequado: não sendo lingüista nem pedagoga, com que fundamentação ela pode sustentar suas propostas de revisão dos currículos escolares?” – Pág. 23.
O mais incrível é o Lula ter pleno domínio da norma culta. No dia a dia, ele atua nos palanques usando a linguagem dos menos educados. Entretanto, nos discursos em 2005, depois da crise no governo, quando inflamado e sem roteiros para seguir, Lula demonstra saber falar muito bem, flexionando os verbos corretamente, usando os conectivos de forma apropriada, etc, etc, etc. Lula não é mais parte do povo comum: ele se educou lingüisticamente, ainda que tenhamos sérias dúvidas se o fez culturalmente. A qualidade veio depois da autoridade.
PRECONCEITO DE QUEM, CARA PÁLIDA?
O preconceito oculto detrás do purismo gramatical é verdadeiro. Ele existe, ponto. Entretanto, pensar que todo purismo é um ato dissimulado de preconceito é logicamente errado. E também vemos isso na prática. Defender a língua não significa menosprezar quem não pôde concluir os estudos ou não teve condições ou vontade de se instruir por conta própria. Imagine se a literatura fosse engajada na universalização do falar mal.
“Que ninguém se iluda: só a leitura intensa permite conhecer os múltiplos recursos da língua e usá-los com eficiência, sem a decoreba gramatiqueira“
Marcos Bagno
Porém, durante a obra, somos levados a crer que se não o é sempre, na maioria dos casos é preconceito (consciente ou inconsciente).
“(…) em boa medida, nós somos a língua que falamos, e acusar alguém de não saber falar sua própria língua materna é tão absurdo quanto acusar essa pessoa de não saber “usar”corretamente a visão (isto é, afirmar o absurdo de que alguém é capaz de enxergar, mas não é capaz de ver) ou o olfato (isto é, afirmar o absurdo de que alguém é capaz de sentir o cheiro, mas não de aspirá-lo).” Pág. 17 [grifos do autor].
Se Marcos Bagno é doutor em lingüística, deveria comprar um livro de lógica básica (bem como um de filosofia). As duas analogias são erradas de qualquer ponto de vista. Primeiro, elas não se equivalem. Se assim fosse, o “absurdo” seria alguém ver e não ser capaz de deixar a luz entrar na retina; ou alguém ser capaz de aspirar e não conseguir identificar o cheiro.
Isso porque “enxergar” não é sinônimo de “ver”. Quando as palavras perdem o seu poder simbólico (fruto da falta de leitura e cultura) criam, aí sim, proposições absurdas como essas.
Enxergar se relaciona com o ato fisiológico. Se você tem o globo, a retina e demais partes do sistema ocular bem formados, você poderá enxergar. Entretanto, um daltônico recebe a luz verde na retina. Por uma série de fatores, vê vermelho. Ou um esquizofrênico, que vê alucinações mas não enxerga os monstros (não há fisicamente nenhuma imagem na retina).
Falar e dizer seguem a mesma linha. Lula, por exemplo. Fala que foi traído, mas não diz quem foi. Uma pessoa pode falar durante horas mas não dizer nada, i.e., seu discurso não tem nenhuma intenção, não transmite qualquer dado relevante para o assunto em questão. Também ler. Qualquer pessoa alfabetizada é capaz de interpretar os caracteres em um livro do Sartre, mas só alguns terão a bagagem necessária para entender o que ele quis dizer.
LÍNGUA É PODER
A NORMA OCULTA não consegue acabar com os problemas que se propõe a explicitar. Muito menos desnudá-los de forma correta. Durante todo o livro Bagno usa as mesmas situações para ilustrar valores opostos. Tudo parece ser relativo. Sua missão é justificar sua luta contra os gramáticos e, no fim, também justificar uma postura política pessoal.
Ao acusar uma “elite privilegiada” de “oprimir” os brasileiros “vítimas de anos de desigualdade”, Marcos deixa de analisar os problemas estruturais que levaram e levam o povo a desconhecer as regras gramaticais da língua portuguesa.
Na página 124, lê-se que nas sociedades onde a cultura escrita é onipresente, existem instituições que inibem as forças de mudança da língua. O autor esquece de dizer (intencionalmente?) que essas sociedades são as mais ricas, democráticas e justas – além de terem enorme influência econômica, social e cultural nos países de terceiro mundo.
Esse poder nasce quando há oportunidades para povo ter acesso a uma boa educação. Ao tentar justificar a falta dessa educação no Brasil, Bagno presta um desserviço ao país. Ao invés de lutar para que as pessoas evoluam, ele parece querer que as respeitem pela sua ignorância, e não “apesar da”. Neste caso, não é só válido – é fundamental esse respeito para existir uma democracia. Mas naquele, ao poupar alguém pela sua incapacidade, tomamos um caminho muito perigoso. Não é apenas uma questão gramatical. Em última instância, é uma questão de integridade física: se duas pessoas não sabem se expressar, se eles não se compreendem, terminam sempre usando a violência.
Triste e decepcionante é a obra de Marcos Bagno. A NORMA OCULTA é um livro cheio de erros infantis de discurso, raciocínio e análise. Não deveria ser levado a sério, como o fazem várias pessoas. É antes de tudo, para aqueles que sabem pensar, a fagulha inicial de uma reflexão profunda sobre o povo brasileiro. Se bem feita, dará grandes frutos. Do contrário, se seguirmos a lógica do autor, voltaremos ao jardim de infância, quando discutíamos ferozmente para decidir se o mais feio era eu ou você.
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Fumo proibido em São Paulo
Cristo Santo, acabou. São Paulo agora entrou no hall de cidades imbecis que proíbem o fumo em qualquer lugar. Em 2010 farei campanha contra o Serra. Essa história está indo longe demais.
A maior causa de morte evitável (coisa estranha) é a FOME! Morre muito mais gente no mundo de fome. Fumante não é criminoso. Metade da população mundial fuma. Isso é incrível, como é que os políticos conseguem aplicar leis contra a metade de uma população?
Olha só, de acordo com o Ministro da Saúde Temporão, 250 mil mulheres fizeram abortos e correram pro SUS dar um jeito na merda que fizeram. Isso é a metade das pessoas que, SUPOSTAMENTE, morrem nos EUA por causa de cigarro. No entanto, o maluco quer legalizar o aborto e transformar o cigarro num crime. Realmente o mundo está do avesso.
Óbvio que estou defendendo o meu. Eu fumo, eu voto e por isso tenho o direito de defender as coisas que acredito e gosto. Pena que o eleitor não pode pedir o mandato de volta dos políticos quando eles fazem besteiras que vão contra os anseios dos seus eleitores.
E não vou publicar comentário de anti-tabagistas.
Não somos diferentes e nem tão iguais para eles
Como é bonito ver o Marcos Pontes (o turista-espacial-patrocinado-pela-petrobrás) falando no Discovery Channel como se realmente fez algo além de ficar sentado no foguete. Mas isso é só uma divagação.
Voltemos. Não sei se estão acompanhando o noticiário, mas aconteceu dois assassinatos nos quais as vítimas, “de classe média”, foram mortas por policiais em situações imbecis. A primeira do Daniel Duque, alvejado a queima-roupa por um policial. A segunda aconteceu hoje, um menino de 3 anos, alvejado na nuca.
Antes disso, 3 rapazes foram covardemente deixados por militares numa favela rival e, bem, executados por traficantes. Três crimes horríveis, sim. Os culpados devem ser punidos, sejam eles policiais, militares ou os sempre foragidos traficantes. Entretanto, enoja-me a atitude das tais autoridades, tão diferentes nos casos acima citados.
Os rapazes do morro da providência morreram entre os dias 14⁄15 de junho. Já no dia 17, dois dias depois, o ministro Nelson Jobim já estava no morro pedindo desculpas em nome do estado para os parentes. Uma semana depois, o Apedeuta Lula também estava lá pedindo desculpas. Nenhuma das vítimas “de classe média” recebeu nem um memorando dessas autoridades. Por que será?
Eu vou tentar responder a essa pergunta. Parece que tanto o Jobim quanto o Luís Inácio não gostam de encarar pessoas esclarecidas. O desabafo do pai do menino de 3 anos é desesperador. Mesmo ainda na dor de saber que seu filho estava morto, ele consegue fazer as perguntas certas. Eu quero ver Jobim e Lula explicarem para esse pai por que ele paga seus impostos e tem sua família executada “por engano”. Como os policiais confundem um Tipo com um Palio Weekend? Da mesma forma que gostaria de ver eles explicarem porque Daniel morreu supostamente por causa de uma garota. Como um policial militar, que fazia garantia a segurança da família de uma promotora há oito anos viu numa briga de bar uma ameaça tão séria quanto um grupo de extermínio do Comando Vermelho?
Lula e Jobim não aparecem porque só há uma resposta para tudo isso: ineficiência estatal, corrupção e crime de responsabilidade, no mínimo. E o Rio de Janeiro (o cenário de todas essas tragédias) é o ápice dessa violência contra o cidadão comum. Não bastassem os marginais, criminosos que infestam as favelas cariocas, ainda precisam lidar com uma polícia regular que produz tanto mal quanto os bandidos mais ordinários.
É incrível a terrível capacidade do Brasil produzir tragédias desse porte. Mais macabro ainda é ver a morte sem sentido de uma criança marcar o primeiro dia das campanhas eleitorais. O que essa gente prometerá nessas eleições? Mais segurança? Mais rigor? Quem acredita nisso? Ao que parece, a força pública, em especial a carioca, só sabe combater dois tipos de bandidos e colocá-los na cadeia: as pessoas que fumam e as que bebem dois copos de chopp. Estamos lascados.



