Um novo mundo é possível e sem o socialismo

Sim, um simples estilingue pode fazer muito estrago

Sim, um simples es­ti­lingue pode fazer muito estrago

Em épocas de Fórum Social Mundial, a ide­o­logia mais feroz, de­sumana e as­sassina no­va­mente ganha ares de sal­vadora. Desde que Stalin lançou sou plano mais abo­mi­nável, o so­ci­a­lismo retoma um falso papel de “um mundo melhor”. Sem dúvida é melhor para os psi­co­patas, as­sas­sinos e es­tu­pra­dores. E adianta dizer essas coisas? Pouco pro­vável que a visão es­treita dos auto-​assumidos es­quer­distas mude. Di­fícil des­fazer um mito, prin­ci­pal­mente um que usa igualdade entre os homens como norte de uma utopia. Se essa é a pre­missa básica, acre­ditar numa des­crição ima­gi­nativa de uma so­ci­edade ideal, fun­da­mentada em leis justas e em ins­ti­tuições político-​econômicas ver­da­dei­ra­mente com­pro­me­tidas com o bem-​estar da co­le­ti­vidade, não há ba­talha a ser travada, não há lógica ou dis­cussão ra­cional que façam dois lados opostos che­garem num de­no­mi­nador comum. Essas pessoas já não vivem na re­a­lidade. Estão no campo da psi­qui­atria, não da fi­lo­sofia, po­lítica, etc.

Acho muito en­gra­çadas a brin­ca­deiras feitas com as 600 mil ca­mi­sinhas dis­tri­buídas no Fórum. É um contra-​senso, já que ali na mul­tidão a maioria de­fende uma so­ci­edade mais aberta com a li­be­ração do aborto e de al­gumas drogas. De tão bem in­for­mados e an­te­nados, nem pre­ci­sariam dessa aju­dinha. Mas como eu disse, não adianta dis­cutir e tentar de­monstrar o ab­surdo dessa e de outras situações.

Também não existe nada a acres­centar no caso do as­sassino Bat­tisti, que re­cebeu do atual Mi­nistro da Justiça um in­dulto para fazer no Brasil o que um dia fez na Itália. Isso ser dis­cutido numa mesa que quer rever a Lei da Anistia bra­si­leiro é uma piada sem graça. 

Porém, nem o Brasil, nem o mundo, é com­posto apenas por pessoas da es­querda. Elas só fazem “mais ba­rulho”, prin­ci­pal­mente porque não pre­cisam tra­balhar, tem um pro­te­ci­o­nismo exemplar (prin­ci­pal­mente o pro­te­ci­o­nismo aca­dêmico no Brasil e no mundo) e muito tempo livre para alardear suas bes­teiras. A outra parte da po­pu­lação, aquela que vive a re­a­lidade, pouco se im­porta com as bes­teiras ditas nesses fóruns. O que as pre­ocupa é o que fazer para não deixar essa gente trans­formar o mundo num caos?

Claro, num pri­meiro mo­mento, re­tirar esse povo do pro­cesso social vêm à mente. Mas, no meu caso e nos de muito, isso é in­justo. Quem gosta de fu­zilar quem os con­traria são os es­quer­distas. Num Estado De­mo­crático de Di­reito eles também têm voz, mesmo que essa seja uma fala louca e psi­cótica na maioria dos casos. É uma questão apa­ren­te­mente com­plicada de re­solver, como im­pedir que façam lou­curas e co­loquem em prática suas idéias loucas sem re­correr a re­cursos ex­tremos, não é mesmo?

Mas para um pro­blema com­plicado, muitas vezes a res­posta é a mais simples. Para de­fender o jogo justo, basta aplicar as regras do jogo. Fácil assim.

As idéias do so­ci­a­lismo e do co­mu­nismo vão contra as idéias de um Estado de Di­reito e de uma de­mo­cracia. No seu núcleo, as duas ide­o­logias são cri­mi­nosas. Par­tindo disso, as suas idéias também terão algo fora da lei, em maior ou menor grau, não im­porta a ma­quiagem usada para dis­farçar os seus fins. Também os meios uti­li­zados pelos so­ci­a­lismo e o co­mu­nismo não chegam na esfera da le­ga­lidade. Para im­pedir essas ma­lu­quices, basta re­correr às leis.

No Go­verno Bra­si­leiro, por exemplo, há inú­meras de­núncias de cor­rupção, de mal-​uso dos re­cursos pú­blicos e tantos outros atos cri­mi­nosos que alguém co­meteu. Para parar uma má­quina, basta tirar uma en­gre­nagem e não deixar co­locar outra no lugar. Como a má­quina de es­querda flerta sempre com alguma ile­ga­lidade, pela lei, poderia-​se fa­cil­mente frear suas am­bições fis­ca­li­zando efi­ci­en­te­mente suas ações. Sei bem que sempre haverá juízes de pri­meira ins­tância com­pac­tuando com tais idéias, mas nas es­feras su­pe­riores do ju­di­ciário a ide­o­logia não possui tanto espaço. Ali as aná­lises téc­nicas valem mais. Sim, pode de­morar para surtir efeitos, mas eles hão de apa­recer sim. Da mesma forma que o in­ves­ti­mento maciço em edu­cação não mudará um país no curto prazo, zelar pela lei não trará re­sul­tados amanhã, mas depois de cinco, dez ou quinze anos as mu­danças serão evidentes.

Va­lo­rizar o mérito também fun­ciona bem para evitar um surto es­quer­dista. Nessa questão a re­a­lidade bra­si­leira apre­senta de­safios enormes. As uni­ver­si­dades pú­blicas são es­ta­leiros de em­bar­cações des­ti­nadas ao fra­casso. In­fe­liz­mente, esses barcos nunca saem das ins­ti­tuições, eles sabem que não cons­troem nada que re­al­mente fun­cione, por­tanto nunca os vemos afun­darem. Como mudar a lei do fun­ci­o­na­lismo pú­blico é um tanto mais com­plicado, a saída é pegar os monstros ge­rados na USP, UFBA e con­gê­neres e largá-​los na re­a­lidade. Suas teses, suas pes­quisas, trazê-​las à luz e deixar que flutuem por ai. Não duram muito tempo. Não é a toa que as Bi­bli­o­tecas Di­gitais dessas “grandes fa­cul­dades” nunca saem do papel. Exigir trans­pa­rência no tra­balho aca­dêmico di­mi­nuiria a sanha dessa gente.

Outro as­pecto pre­o­cu­pante é a in­vasão da es­querda na cultura geral, ou “cultura de massa” como gostam de dizer. Isso já não dá para com­bater, mas a lei pode im­perar nesse setor também. Livros, re­vistas, etc obe­decem a lei da oferta e da cultura. Se já gente que gosta da Carta Ca­pital, tudo bem. Mas seria preciso rever a pu­bli­cidade es­tatal como um todo. In­ves­tigar para ver se há alguma ir­re­gu­la­ridade na dis­tri­buição dos anúncios, porque uma re­vista A e outra B re­cebem cotas di­fe­rentes se possuem o mesmo número de lei­tores. Caso haja alguma es­pécie de “dis­cri­mi­nação ide­o­lógica” nos se­tores de pu­bli­cidade de em­presas pú­blicas, metam a cons­ti­tuição em cima deles. Se há alguma es­pécie de “as­pecto social” nessa his­tória, ou as pró­prias “te­orias de acesso à in­for­mação” ge­radas nas USPs da vida, mais fácil ainda. Isso também vale para a ANCINE e todo o mi­nis­tério da cultura. Basta um bom ad­vogado querer. Não ligue para as pri­meiras ins­tâncias. A gente re­solve isso é no STF.

Muitas vezes a má­quina de es­querda nos faz sentir im­po­tentes. Mas até isso é falso. Ela não é tão grande, nem tão po­derosa. Aliás, essa mentira, a da sua gran­di­o­sidade, é a única defesa que ela possui. Todo e qualquer as­pecto do socialismo/​comunismo rui diante da re­a­lidade. E boas doses de re­a­lidade são su­fi­ci­entes para im­pedir uma “do­mi­nação” com­pleta. Não precisa de uma força ho­mérica, só um pouco de dis­po­sição no nosso tempo livre. Uma pessoa com bom-​senso pode causar mais es­trago na es­querda num do­mingo a tarde do que todo um Fórum Social Mundial na nossa vida. É sério. No duro.

Foto: Erik

Publicidade: Um desafio para o PT

Quem sabe os candidatos devam comprar um néon?

Quem sabe os can­di­datos devam comprar um néon?

A vida do PT não está fácil. Mas se­guindo a tra­dição do Breves Notas, vou dar a eles o pulo do gato para a pu­bli­cidade nas cam­panhas elei­torais vin­douras. Eu sei, no­va­mente tra­ba­lhando de graça (e dessa vez aju­dando o inimigo). Nem tanto. Não há es­pe­rança alguma que os pe­tistas leiam isso aqui e re­solvam mudar. Eles não aprendem nada, eles não es­quecem nada. A análise serve mais como cu­ri­o­sidade, quem sabe um aviso. Então, chega de lenga-​lenga e vamos ao que interessa.

Ao con­trário do que pensam os ana­listas po­lí­ticos de porta de cadeia, os es­cân­dalos de cor­rupção nunca vistos antes nesse país fi­zeram um belo es­trago para o Partido dos Tra­ba­lha­dores, mesmo não atin­gindo o lider-​mor do partido, Lula. A po­pu­lação, claro, não deu de ombros como muitos alegam. Alguns po­lí­ticos juram de pé junto que o men­salão não existiu, que compras de votos não acon­te­ceram e por aí vai. Isso fun­ciona para a justiça (in­crível, não?), mas o povo é mais des­con­fiado. Para eles, acon­teceu e talvez ainda esteja acon­te­cendo. Basta per­guntar pela rua. E por que isso não atingiu a imagem do ape­deuta? Por que ele ainda é pre­si­dente da República?

Porque Lula é um semi-​analfabeto como todos nós”. Essa é a res­posta. Cuidado, eu não afirmo que o barbudo é ou não isso ou aquilo, digo que: no ima­gi­nário po­pular, Lula é um homem com baixa for­mação in­te­lectual, mas com um bom co­ração, como a po­pu­lação brasileira.

Esse é o apelo de Lula, bem ex­plorado nas últimas duas dis­putas elei­torais. Um homem do povo e blá-​blá-​blá. Ti­rando a mi­li­tância pe­tista, que o ama acima de todas as coisas, o ci­dadão comum vê um ser que en­frentou a ad­ver­sidade e, por isso, “co­nhece” os reais pro­blemas do país. Claro que isso é uma bes­teira mons­truosa, mas fun­ciona na pu­bli­cidade. A imagem do Ape­deuta é essa, foi cons­truída assim e, devo ad­mitir, dá certo demais na ba­na­nânia. Quem se lascou com essa his­tória foi o resto do Partido.

Os di­versos es­cân­dalos en­vol­vendo o go­verno não “gru­daram” em Lula porque

  1. A opo­sição quis ex­pli­citar para o Brasil o que re­al­mente acontecia.
  2. O povo re­al­mente acre­ditou que Lula de nada sabia

Mas, aí, o leitor se per­gunta “como o povo pôde ser tão burro e acre­ditar que o pre­si­dente não sabia de nada que acon­tecia de­baixo do seu nariz?”. A res­posta é fácil, mas longe de ser simples: porque Lula também é um homem do povo, logo, seria tão, di­gamos, in­gênuo como todos eles.

Es­clareço. Um homem comum, sentado no Pa­lácio do Pla­nalto, teria sérias di­fi­cul­dades em co­mandar um país. De­legar res­pon­sa­bi­li­dades, con­tratar as­ses­sores, mi­nistros, es­pe­ci­a­listas. Lidar com po­lí­ticos, par­tidos, em­prei­teiros, em­pre­sários e “toda essa gente”. O Seu Zé, na ca­deira do Pre­si­dente, sem ter ex­pe­ri­ência nessa his­tória, faria muitas bur­radas. O homem comum sabe que nem todo amigo é amigo, e se você lida com muita gente, alguns trai­dores acabam in­fil­trados no seu círculo pessoal. Faz parte da vida.

Isso fica muito pior quando se tem “poder”. Para o homem comum, Lula até tenta fazer tudo certo, mas como ele é “gente como a gente”, não dá pra es­perar muita coisa do su­jeito, não é? Os ana­listas po­lí­ticos fes­te­jaram a eleição do Ape­deuta como a su­pe­ração de pre­con­ceitos. Não foi, apenas é a re­a­fir­mação de todos eles. Já ouvi várias vezes (de elei­tores do Ape­deuta) a frase “es­perar o que do Lula, meio burro né, vão tirar van­tagem dele, lógico”.

Lula é um homem in­te­li­gente e ma­qui­a­vélico. Mas a “blin­dagem” de sua imagem mais deve ao ar or­di­nário, de homem comum, do que às es­tra­tégias ar­ti­cu­ladas pela sua cúpula, iden­ti­fi­cação par­ti­dária ou outras aná­lises do pessoal da USP ou da UNB. Po­pu­lista como é, não dá para con­vencer alguém que Lula é um gênio po­lítico, não um ci­dadão igual aos outros. E nas eleições de 2008, essa sua van­tagem virou contra o próprio partido. A ironia nunca morre, como diz o Mainardi.

O Partido dos Trabalhadores nas Eleições

As eleições 2006 foram mar­cadas por es­cân­dalos, sim. Nenhum outro can­didato pas­saria in­cólume a essa onda de acu­sações. Lula passou, e já ex­pliquei a razão. Ele é “or­di­nário como a gente”. Na­quela época, uma ba­gunça foi ins­taurada no ce­nário po­lítico. Os pró­prios pe­tistas se en­vol­veram em si­tu­ações nada hon­rosas. O Ape­deuta, es­perto, falou e não disse nada, esquivou-​se das acu­sações, usou a tática do “fui traído, meu erro foi es­perar o melhor das pessoas”. Disse que “cor­taria da própria carne”. Lógico que não cortou, mas, nas cam­panhas a pro­messa sempre vale mais. Como não apa­receu nenhum lasco por aí, os elei­tores fi­caram com sua es­pe­rança e vo­taram como fi­zeram em 2004.

Dois anos depois, os bra­si­leiros re­sol­veram ajudar Lula. No duro. A idéia é mais ou menos essa: “Lula não sabe es­colher ami­zades, isso a gente já sabe, então não vamos votar nos amigos deles, oras, porque são trai­dores”. Não é a toa que o número de votos do PT di­minuiu. Qualquer ana­lista de­cente já teria aberto o bico para o Partido. “Cuidado, Lula pode afundar o resto de vocês”. Mas imagina falar isso para uma Martha Su­plicy. Nunca, nun­quinha. Eu diria, relaxa e goza minha filha, vocês fi­zeram a ba­gunça e eu não tenho nem idéia de como ar­rumar isso. Não é um tra­balho fácil, não. A cada es­cândalo ao qual Lula so­brevive, o resto do PT su­cumbe. É preciso ter um culpado para tantos crimes. Se a Justiça pega ou não os cul­pados, isso é ir­re­le­vante para a po­pu­lação. Eles também julgam e acham os ban­didos que querem.

No ima­gi­nário po­pular, todo partido é um covil de lobos, gente ga­nan­ciosa que querem ganhar muito di­nheiro nas costas do país. Tanto que o “rouba mas faz” é um slogan po­sitivo no Brasil. Maluf ainda seria um campeão de votos hoje se não ti­vesse feito uma bes­teira com­pleta: o Pitta. Não se lembram?

O Dr. Paulo hoje foi varrido do mapa elei­toral por causa do ex-​prefeito Celso Pitta. O povo de São Paulo não esquece.

A car­reira do Maluf não acabou por causa de es­cân­dalos. Não mesmo. O Dr. Paulo hoje foi varrido do mapa elei­toral por causa do ex-​prefeito Celso Pitta. O povo de São Paulo não es­quece. Dr. Paulo as­se­gurou que Pitta seria o pre­feito ideal para a cidade e, do dia para a noite, aquele des­co­nhecido acabou eleito. Esse sim se meteu num belo es­cândalo, com di­reito a ex-​mulher e tudo. Mas o Maluf tinha pro­metido que o cara era bom. Não era e o pau­listano não confia mais no Dr. Paulo. Um erro de cálculo ina­cre­di­tável do maior gênio po­lítico do Brasil. E o Maluf até hoje não con­segue sair desse buraco que ele próprio se meteu.

Os pe­tistas hoje buscam essa in­di­cação de con­fiança de Lula, sem a qual todos eles ficam em maus-​lençóis. Sim, porque até hoje não se sabe quem é a ovelha negra do pe­tismo, não há um bode-​expiatório. Sem essa re­fe­rência, todos eles estão vir­tu­al­mente no mesmo saco. Lula sabe bem disso, aprendeu di­reito com a lição po­lítica do Maluf. Os ana­listas dizem que Lula não quer usar a má­quina. Mentira. Lula não quer é em­barcar num pos­sível barco-​furado. Ele sabe. Pitta foi eleito em 1997. Dez anos depois, o Maluf não sabe o que fazer.

Em Cu­ritiba, o PT tentou em­placar a Dilma como porta-​voz. Era uma prova de fogo vi­sando a eleição pre­si­dencial de 2010. PT levou uma lavada do PSDB. A es­tra­tégia não deu certo. Em Natal, Lula foi mais pre­sente, mais agressivo e mesmo assim o PT se lascou. Em São Paulo, Kassab venceu o pri­meiro turno contra todas as ex­pec­ta­tivas. Em Porto Alegre, o PT quase não passa para o se­gundo. Passou perto de perder para uma co­mu­nista de pri­meira viagem que de con­creto mesmo, só tem a beleza. É uma si­tuação bem preocupante.

O Marketing Petista para o Futuro

As tá­ticas pu­bli­ci­tárias do pe­tismo estão longe de serem ino­va­doras. Para tentar re­verter o quadro de Martha em São Paulo, Gil­berto Car­valho de­sem­barca na ca­pital para tentar fazer o que eu acabo de dizer acima, tentar colar Kassab no Maluf. Di­minuir a re­jeição da pe­tista é uma missão im­pos­sível, prin­ci­pal­mente depois do seu papel na crise aérea. Eles estão de­ses­pe­rados. Só restou essa saída.

Porém, em jogo está as eleições de 2010. O que eles farão quando ela chegar? Quem tem alguma dica?

O quadro não é fa­vo­rável. Nenhum can­didato do PT tem con­dições de entrar numa disputa pre­si­dencial. A Dilma Rousseff é uma per­so­nagem ainda em cons­trução, mas falta a ela a em­patia ne­ces­sária aos grandes po­lí­ticos. Não que mu­lheres fortes es­tejam fora das dis­putas. A ba­ronesa Thatcher foi de­cisiva para a his­tória da In­gla­terra, e a ela sempre faltou ca­risma com o povo. En­tre­tanto, Thatcher era um cé­rebro ma­ra­vi­lhoso e uma ótima primeira-​ministra, papel que Dilma não chega nem perto, tanto em termos de im­por­tância como de competência.

Uma dica para os pe­tistas: mu­lheres são di­retas, res­pondem na lata. Isso é es­sencial para vida po­lítica delas. Mas como o PT adora uma tan­gente, di­fi­cil­mente Dilma será uma can­didata a se temer, da mesma forma que Martha não é mais. O PT perde os ca­belos porque, em seus quadros, não há um único po­lítico coma ficha mais ou menos in­cólume (po­li­ti­ca­mente fa­lando, não ju­di­ci­al­mente). E se Lula apoiá-​los, poderá por em xeque a sua própria can­di­datura em 2014.

A si­tuação é tão séria que não me es­pan­taria o PT pro­curar um can­didato em outros par­tidos. Mas isso vai contra a his­tória pe­tista, e di­fi­cil­mente um can­didato de fora con­se­guiria passar pela in­ter­mi­náveis prévias que eles adoram fazer. Só com o apoio in­di­vidual de Lula. Mas co­ragem não é a prin­cipal ca­rac­te­rística do atual presidente.

A es­querda tem uma ten­dência na­tural para di­fa­mação nas cam­panhas. Acusam, acusam e acusam, com ou sem provas. Foi assim que eles che­garam ao poder. Mas para mantê-​lo, em um regime de­mo­crático, o dis­curso pre­ci­saria mudar. Mas o PT não sabe fazer nada mais. Falta a esse partido o res­peito pelo regime de­mo­crático, coisa que não consta em seu DNA.

A aposta deles con­ti­nuará no po­pu­lismo ras­teiro. E se in­ten­si­ficará nos pró­ximos dois anos. Quase seis anos de pre­si­dência e Lula não deu mais que uma ou duas co­le­tivas, todas con­tro­ladas. En­quanto isso, farão a cam­panha pau­tando o jor­na­lismo, como fazem hoje. Acre­ditam ser essa uma boa técnica. Nem tanto, eu diria. Mesmo o Brasil sendo um ter­ceiro mundo, hoje é uma boa classe média, e ela também influi nos re­sul­tados. Ela acaba ir­ra­diando suas opi­niões para as pessoas de nível social acima ou abaixo delas. É um pú­blico que o PT não con­segue lidar, nunca con­seguiu e di­fi­cil­mente conseguirá.

Con­cluindo, dias som­brios virão. Bate-​bocas sem con­teúdo se es­pa­lharão pela cena po­lítica na­cional. Como o PT é in­capaz de subir o nível, tentará re­baixar a todos para os termos con­for­táveis para eles. Ve­remos se a opo­sição cairá nessa ar­ma­dilha. Aguardem as grandes de­núncias de fraudes e cor­rupção. Haverá uma ten­tativa de po­la­ri­zação entre mo­cinhos e ban­didos ainda mais ra­dical. Eles gri­tarão, fa­larão grosso porque, no fim, nada tem a dizer. Suas res­postas os in­cri­mi­nariam. Será muito feio…

Resta aos homens de bem não acei­tarem essas con­dições. Res­ponder a rudeza com a verdade. As dis­si­mu­lações com a certeza. Ser direto ao invés de se es­quivar. Apesar do Partido dos Tra­ba­lha­dores possuir tanto poder hoje, uma única coisa pode acabar com sua he­ge­monia: quem aceitar as res­pon­sa­bi­li­dades terá muito mais força do que toda a má­quina pe­tista pode pro­duzir. Trazer o debate para o campo de­mo­crático sempre fará os pe­tistas per­derem o chão, porque eles não ca­minham pela trilha do res­peito, do bom-​senso e da hon­radez. Não, não. As es­tradas deles são feitas com as me­lhores das in­tenções, sim, mas são as­fal­tadas com as piores qua­li­dades que a hu­ma­nidade já produziu.

Agora, muitos mi­li­tantes en­tendem isso e não sabem mais o que fazer. In­te­res­sante, não?

A quem servem os bafômetros

Livro econômico, que traz pouco sobre a nova lei

Livro econômico, que traz pouco sobre a nova lei

O Shikida lançou um e-​book sobre a Lei Seca (péssimo nome, por sinal, que de­monstra a falta de cultura do bra­si­leiro). Esse as­sunto me dá tanta pre­guiça… E dis­cutir com eco­no­mistas destrói com­ple­ta­mente minha libido. Eles são o pau-​pra-​toda-​obra da atu­a­lidade. Várias pro­fissões já su­biram nesse pe­destal: re­li­giosos, aris­to­cracia, ci­en­tistas, darwi­nistas, jor­na­listas, po­si­ti­vistas, hu­ma­nistas. O ne­gócio é não entrar no embate, por isso ou vou fazer um mo­nólogo, sem con­versas, muito menos vou entrar na di­a­lética por­caria de qualquer cor­rente ideológica. 

Pa­norama His­tórico o Termo “Lei Seca”

Isso é um resumo. Em 1917 os Es­tados Unidos de­cla­raram guerra à Ale­manha. Nesse mesmo ano, o con­gresso ame­ricano aprovou uma emenda à cons­ti­tuição que tornava ilegal a venda de bebida al­cóolica no país. Ao con­trário do Brasil, que adora aprovar leis da noite para o dia, o con­gresso ame­ricano apenas san­cionou uma lei que teve muito apoio po­pular antes de chegar ao Senado Americano.

Culpem os me­to­distas. Mas também os ci­en­tistas. Culpem um monte de gente, por via das dú­vidas. Essa la­dainha ronda a cultura ame­ricana desde os 1700’s, ganhou força nos 1800’s e no começo dos 1900’s virou lei. Ah, o álcool faz mal a saúde. Ah, o álcool trans­forma um bom pai de fa­mília num bebum. Ah, o álcool de­nigre os bons cos­tumes. Imagina os de­fen­sores dessa lei hoje, quando pro­vamos que uma taça de vinho por dia faz bem ao co­ração. Aliás, se eu tiver um en­farto (in­farto, in­farte, foda-​se), pro­cessem o estado. Vol­temos. A lei foi aprovada pelo senado devido a um clamor da sociedade. 

E todo mundo sabe o que acon­teceu (vocês vêem filmes, não?).

A bebida con­tinuou a ser vendida no mercado negro, criando uma classe de cri­mi­nosos tão pe­rigosa quanto charmosa nos anos 2030. A figura máxima era Al Capone. E en­volveu po­lí­ticos, po­li­ciais, fa­zen­deiros, bares, enfim… Depois de quase duas dé­cadas de proi­bição, fi­nal­mente che­garam à con­clusão que o melhor era mo­derar o consumo, mas nunca mais proibí-​lo com­ple­ta­mente. Esse é o resumo da ópera.

O novo texto do código bra­si­leiro de trânsito não faz nada disso aí. Apenas proíbe que você dirija um veículo au­to­motor se tiver con­sumido qualquer quan­tidade de álcool. Além de ser um pé no saco, pode te mandar pra cadeia assim, num es­talar de dedos (ou numa so­prada, ou numa recusa, enfim).

Eu de­testo esse termo desde o princípio.

O Novo Código Bra­si­leiro de Trânsito

Pouca gente se lembra de quando ele entrou em vigor. Mudou com­ple­ta­mente a nossa vida. Além de multas bem pe­sadas por ter, por exemplo, uma lan­terna queimada, ins­tituiu a obri­ga­to­ri­edade do cinto de se­gu­rança e ca­pacete, por exemplo. Lembro bem da dis­cussão na época. Se eu quiser di­rigir sem cinto, pro­blema meu. Sem ca­pacete, pro­blema meu. O lado oposto dessa dis­cussão era as man­chetes de jornal: Número de mortos cai em hos­pital. Cinto e ca­pa­cetes salvam vidas (assim, sem con­cor­dância nos termos). Alguma se­me­lhança com o debate hoje? Humm, depois de alguns anos o número de aci­dentes au­mentou, es­ta­bi­lizou ou di­i­minuiu? Hummm…

Mas também teve outras coisas bem di­ver­tidas, como a obri­ga­to­ri­edade de ter no carro um Kit de Pri­meiros So­corros. Lembram deles? Uma bol­sinha branca, com uma cruz ver­melha que só servia para acu­mular poeira no porta malas? Tinha que ter uma luva des­car­tável, es­pa­ra­drapo, gazes e outras coi­sinhas bem úteis quando uma ca­mi­nhonete passa por cima da sua cabeça ou você está preso nas fer­ragens. Ao mesmo tempo tí­nhamos novos cursos para tirar a car­teira de mo­to­rista, como o de pri­meiros so­corros que era mais ou menos assim: tente deixar a vítima imo­bi­lizada, sem ninguém tocar nela até a chegada da am­bu­lância. Aí um aluno bri­lhante per­guntava, “mas e o kit do carro?”. Eu ainda lembro das risadas.

Muita gente ganhou di­nheiro com isso, ven­dendo os kits. E muita gente ganhou di­nheiro fis­ca­li­zando os kits. Mé­dicos iam a te­le­visão falar que nem todos os kits eram es­téreis, que con­tinham bac­térias, isso e aquilo. Melhor nem usá-​los. Ao mesmo tempo, nas es­tradas, perto dos postos po­li­ciais, apa­re­ceram kombis ven­dendo toda sorte de equi­pa­mentos. Um kit que custava 5 reais na cidade ia pra 50 do lado da PRF. O dolár era um pra um, ok? Ah, essas kombis… elas ainda existem até hoje, ven­dendo lâm­padas de farol a mó­dicas quantias. Bela he­rança. Mas o grosso mesmo foram as em­presas que mon­tavam o tal kit. Da mesma forma que sur­giram, de­sa­pa­re­ceram quando essa exi­gência caiu.

Isso então é es­tranho pra você, leitor?

Pra mim não é.

Atuação da Po­lícia na Fis­ca­li­zação do Trânsito

No pri­meiro ano do Código de Trânsito ti­vemos que nos acos­tumar com as Blitz. E eram piores do que hoje. Não era raro pegar umas três antes de chegar em casa. A po­lícia apa­receu da noite pro dia. Com­praram novos guinchos ta­manha era a quan­tidade de carros ir­re­gu­lares. Até o tio da Kombi ter a bri­lhante idéia de es­ta­cionar perto delas. Seu carro não era guin­chado se você ar­ru­masse a coisa na hora. A po­lícia te abordava por causa de uma lâmpada queimada. Meu Deus, parece os Es­tados Unidos, as pessoas co­me­mo­ravam. E como ter­minou a fis­ca­li­zação? Bem, a lâmpada do freio de um amigo meu está queimada faz uns 3 anos e ele tem uma no­vinha no porta-​luvas. Não troco porque quero ver quando vão me parar por isso. Só por di­versão. No duro. Não foram poucas vezes que os po­li­ciais até qui­seram cobrar uma propina dele para es­quecer o caso. Tem hora que a car­teira vale o esforço.

Hoje, no­va­mente, vejo a mesma his­tória. As pessoas co­me­moram porque parece que elas estão nos Es­tados Unidos, na Europa. Eu tento lembrá-​las que não, elas vivem no BRASIL. Imagine o poder na mão do po­lícial que agora, por nada (des­culpa, mas o happy hour ainda é uma cultura bra­si­leira), pode te mandar pra prisão! Quem teme a lei não é o bêbado (ele já é louco por na­tureza), mas o tio da Kombi. Não pre­cisam mais dela (su­jeito in­de­ter­minado ou oculto, hein? hein?). Se mesmo depois de anos os ra­dares pegam um carro a 800 Km/​h e o Detran não admite sua parcela de culpa, imagina os bafô­metros em, di­gamos, 2010?

O Que O Futuro Nos Promete

Eco­no­mistas, pra voltar ao livro depois de tanta la­dainha, tem uma séria de­fi­ci­ência: eles não passam da ma­te­mática básica. Tudo bem que eles tem fór­mulas enormes, mas deviam se apro­fundar em ma­te­mática antes de emitir opinião. Tra­balhar com X e Y é fácil. A na­tureza humana está mais para cálculo avançado. É como acre­ditar que alunos me­dianos da escola pú­blica podem cons­truir uma nave espacial.

Não só os co-​autores do livro “es­que­ceram” da abran­gência de certas ex­ter­na­li­dades negativas.

Di­gamos, sei lá, que um agente pú­blico mal-​intencionado compre um bafô­metro no E-​Bay (o mesmo com­prado pela po­lícia por SETE MIL REAIS, nos Es­tados Unidos custa 150 DÓLARES) e re­solva adul­terar o número pra cima (bem, para os cé­ticos, alguém já pre­cisou des­blo­quear um ce­lular?)? Olha só eu dando idéia pra mar­manjo. Até você re­solver a si­tuação, meu bem… 

Ou pior, como o álcool sai do or­ga­nismo ra­pi­da­mente, e o IML não é um exemplo de com­pe­tência, logo logo irá criar uma si­tuação ju­rídica mais ou menos assim: o bafô­metro acusou po­sitivo, mas o su­jeito pre­cisou es­perar no IML, tomou um monte de re­fri­ge­rante e água e o exame de sangue deu ne­gativo ou abaixo do número acusado no bafô­metro. Vale qual leitura? Ah, no meu dia o IML fez o exame em cinco mi­nutos, mas o outro su­jeito teve 6 horas, a justiça é igual para todos ou o quê?

Eu não estou louco. Como a lei es­ta­belece li­mites tão baixos, um copo de cerveja, ou uma hora a mais ou a menos podem de­cidir entre li­berdade e CADEIA. Pela lei, eu posso me re­cusar a fazer tudo isso aí, bafô­metro, exame de sangue. Como o Estado vai di­fe­renciar os bê­bados ha­bi­tuais do pai de fa­mília que, sei lá, re­solveu tomar uma la­tinha a mais? Eu posso entrar com re­cursos con­tes­tando o tempo de espera, os equi­pa­mentos, qualquer coisa. Isso be­ne­ficia, uni­ca­mente, os piores ele­mentos. E não dá pra co­locar todo mundo no mesmo saco como o novo texto da lei fala.

Ou coisas bem en­gra­çadas como, um muy amigo teu re­solve te pregar uma peça e diz que a cerveja que ele te ofe­receu é sem álcool, mas não é. Ou sua em­presa faz uma festa po­li­ti­ca­mente correta sem álcool e um en­gra­ça­dinho re­solve zoar com todo mundo. O cara toma duas e nem sente, vai pra casa e cai na blitz, faz o teste do bafô­metro todo con­tente e vai pra Cadeia. Todo mundo vai na de­le­gacia dizer que foi um mal en­tendido (olha eu de novo dando idéia pra mar­manjo…), mas o pro­motor é meio pro­tó­genes e re­solve te pro­cessar mesmo assim. Le­vando em con­si­de­ração a lei, que diz que beber é po­ten­ci­al­mente co­locar outros em perigo de forma dolosa; e a loucura do pro­motor, claro – te­remos no Brasil o pri­meiro caso mundial, em outras letras, de Ten­tativa de Ho­mi­cídio sem a In­tenção de Matar.

O que eu tento dizer é: le­gislar pelo medo ou pelas emoções só traz con­seqüências ma­lé­ficas a médio e longo prazo. Hoje, é no­tório que as blitz param muito mais os mais jovens do que os mais velhos. E quando um “mais velho”, bêbado, passar pelos po­li­ciais e matar al­gumas pessoas no próximo cru­za­mento? O po­lícia tem o dever de evitar coisas como essa. Com melhor trei­na­mento, com uma ação efetiva, com método, eles po­deriam acabar com o crime or­ga­nizado no Rio de Ja­neiro. Mas do jeito que é, é dar muito crédito a uma cor­po­ração que ainda não o merece, mas tenta merecer.

E O Futuro Próximo?

Bem, com o passar do tempo a fis­ca­li­zação di­mi­nuirá. É um fato com­provado, porque o efetivo usado até as três ou quatro da manhã fará falta no resto do dia, ou em outros pontos da cidade. Bandido sabe onde tem blitz, onde po­li­ciais são re­qui­si­tados e dei­xando de lado outras atri­buições. Não é uma si­tuação sus­ten­tável (e os eco­no­mistas apostam num futuro exemplar onde haverá con­tra­tação de mais pessoal — gente, olha o or­ça­mento da se­gu­rança e acordem!). Mas o medo já estará instaurado.

Eu por exemplo, moro no Jardins, e não vou me ar­riscar be­bendo no centro, onde a de­le­gacia é outra, o perfil é outro. Eu não me ar­risco nem aqui, mas tem gente que pensa, HOJE, POR CAUSA DA LEI, no custo-​benefício de cruzar a cidade. E é um pen­sa­mento normal. As ba­tidas de trânsito vol­tarão aos níveis “normais”, sim, mas es­tarão es­pa­lhadas, e não mais con­cen­tradas onde nor­mal­mente tí­nhamos maior mo­vi­mento de bares, boates, etc. En­quanto a lei ficar como está, tudo ficará mais local, o que ajudará a ma­quiar os nú­meros por muito tempo.

E a mesma lei, que em suma po­deria criar dis­cussões pro­du­tivas, como a me­lhora da po­lícia, dos di­reitos dos ci­dadãos comuns e tanta coisa que ainda falta no país vai se trans­formar numa ba­talha entre os ditos anjos e os con­de­nados a serem demônios. Tal como no de­sar­ma­mento, a turma do paz e amor quer usar nossas emoções para uma agenda. Hoje, ninguém, salvo raras ex­ceções, pode andar armado. O crime não di­minuiu, au­mentou e ficou ainda pior. Po­li­ciais hoje dis­param a esmo, porque sabem se é bandido num carro, numa casa, ele vai estar armado. Hoje, bandido não leva mais 38 da casa do pai de fa­mília, andam com 765, 354, fuizis de as­salto, armas sempre foram de uso ex­clusivo e res­trito às forças ar­madas e a es­quecida po­lícia federal.

No­va­mente, otários são re­cru­tados, pen­sando terem as me­lhores in­tenções, para abrir uma lacuna pe­rigosa na vida, na justiça e no di­reito bra­si­leiro. Chuvas causam 35% mais aci­dentes. Só quando apro­varem uma lei que te mande pra cadeia por di­rigir com mal tempo as pessoas acor­darão? Acho que nem assim o bom-​senso do bra­si­leiro despertará.

E muito menos dos economistas.