Por um mundo hipocondríaco

Smart Drugs

Smart Drugs

Ci­garros são a forma per­feita de prazer: são efé­meros e deixam-​nos in­sa­ciados. Oscar Wide. Sempre fiz questão de nunca fumar quando estou dor­mindo. Mark Twain. Pensar e fumar são duas ope­rações idên­ticas que con­sistem em atirar pe­quenas nuvens ao vento. Eça de Queiroz. Nunca pus um charuto na boca antes dos nove anos. Henry Mencken. Mas a opinião de dois hi­po­con­dríacos é mais forte do que a evo­lução da humanidade.

José Serra e Drauzio Va­rella são piores do que o tal Lula, que também é minha anta. Vou lhe dizer uma coisa, é mais fácil dar cabo de câncer do que de um po­lítico na sua cola. No duro. Por isso eu fumo e não voto. O Jean Paulhan largou uma muito boa, “tudo o que peço aos po­lí­ticos é que se con­tentem em mudar o mundo sem co­meçar por mudar a verdade”. Se te im­porta tua saúde, des­confie sempre dos calvos e dos médicos.

A po­lítica nasce quando acaba o cano da es­pin­garda. É aquele “não, não, por favor, não”. Por isso nenhum po­lítico deve ser levado a sério. O que fazer se, além disso, essa gente ainda é hi­po­con­dríaca — essa crença in­fundada de se pa­decer de uma doença grave acom­pa­nhada de um medo ir­ra­cional da morte, de uma ob­sessão com sin­tomas ou de­feitos fí­sicos irrelevantes?

O medo de morrer im­pul­sionou o homem. O medo da morte nos tornou mais ir­re­le­vante do que ovos de tar­taruga. E ainda querem que eu dis­curse sobre as bes­teiras de dois manés que, cer­ta­mente, so­freram muito nas mãos da turma do fundão?

Nem eu, nem meus amigos, nos pre­o­cu­pamos com essa lei. Nas nossas casas sempre tem blues, jazz, um bom uísque no copo e um cin­zeiro limpo na mesa. Mulher bonita, ou já é esposa, ou foi en­tregue pelo de­livery (outra grande in­venção da hu­ma­nidade). Careca só entra se souber tocar gui­tarra ou cantar alguma coisa. Por que diabos vou me pre­o­cupar se posso ou não fumar no seu bar?

Eu já mandei essa gente pro in­ferno quando eu nasci.

Confissões de um fumante perigoso

Petra

Petra

Logo mais tonar-​me-​ei um fora da lei. Um cri­minoso ma­léfico que ainda ousa usar me­só­clise no mundo pós-​moderno. Eu já me re­signei com a nova lei em São Paulo. Sei que po­derei fumar e tomar meu uísque no Ra­nieri e deixo o resto da cidade para essa gente chata e idiota. Sim, chatas e idiotas. Há várias jus­ti­fi­ca­tivas para a proi­bição do fumo (de ci­garro, não de ma­conha). Mas ne­nhuma delas é fas­ci­nante.
Con­tinue Reading

Se o motoboy se matar, vc faz o quê?

A Po­lícia é uma piada. Os mo­toboys fazem o que querem e morrem por isso, se juntam em bando quando fazem merda e nós, pobres mortais que pa­gamos IPVA tempos que ficar lá, mesmo se formos es­pan­cados, ou somos presos por “omissão de so­corro”. Ridículo.

Minha Biblioteca

Livros e mais livros e mais livros

Livros e mais livros e mais livros

Quando eu morava no Rio de Ja­neiro, gostava de ca­minhar e con­versar sobre livros. Muitas vezes fazia isso só, me igua­lando aos doidos que de­coram as es­quinas ca­riocas. E quando en­con­trava um amigo para ouvir minhas ma­lu­quices, coitado, sentia pena depois de nos des­pe­dirmos – pro­va­vel­mente eu o fiz passar uma das tardes mais de­sa­gra­dáveis da sua vida.

E num desses diá­logos, eu ab­sorto nos de­va­neios de final de tarde, um grande colega interrompeu-​me:

Le­febvre, es­tamos na Vieira Souto, o metro qua­drado mais caro do país. Olhe pros apar­ta­mentos e me diga o que vê.”

Bem, luzes acesas, quadros, salas, te­le­visão…” eu dizia.

Então, e o que você não vê?”, per­guntou ele.

Humm…”, pensei, “bi­bli­o­tecas?”, respondi.

Sim, exa­ta­mente. Bra­si­leiro não gosta de livros. Na Europa, a bi­bli­oteca fica sempre na sala. Não para im­pres­sionar as vi­sitas, mas porque é mais prático. A fa­mília lê. No Brasil, ninguém lê, ninguém se im­porta com isso. Livro serve para juntar pó. Agora com a in­ternet, com o com­pu­tador, aca­baram até mesmo com as en­ci­clo­pédias. Muito car­pin­teiro faliu com isso. É o que eu chamo de crise. Bra­si­leiro não lê. Não usa jornal nem para catar cocô de cachorro…”

Desde então, decidi usar a bi­bli­oteca como meu índice pessoal de de­sen­vol­vi­mento humano. Quando faço uma visita, procuro pri­meiro a bi­bli­oteca. Pouco me im­porta o que o ser lê. Se tem uma bi­bli­oteca, e os livros são “usados”, fico con­tente, á vontade. Tenho medo ao entrar numa casa sem livros. Peço logo uma água com açúcar para me acalmar.

Andei muito pelo Rio a caça de bi­bli­o­tecas pes­soais. Olhava aten­ta­mente as ja­nelas em busca de livros. “Ca­rioca não lê”, pensava. Uma vez, no Leblon, vi cinco apar­ta­mentos com bi­bli­oteca na sala. Quis me mudar para o prédio ime­di­a­ta­mente. Quando cheguei em São Paulo, co­mecei a ana­lisar os meus vi­zinhos com um binóculo.

Aqui, há cerca de 500 ja­nelas (ou mais). Em todo prédio, ao menos um ci­dadão possui uma es­tante de livros. O as­sunto deles, não sei. Nas minhas noites de insônia, muitas vezes apagava a luz do meu quarto e bis­bi­lhotava a vida alheia. Tem um ve­lhinho que mora no ter­ceiro prédio do outro lado da rua. Toda a noite ele acende o seu abajur, senta na pol­trona e lê inin­ter­rup­ta­mente por quase duas horas. Ninguém o in­comoda. Acho isso tão legal. Quero ser assim quando eu crescer.

No prédio atrás do meu, uma fa­mília se reúne re­li­gi­o­sa­mente todo dia para jantar. É tão bonito. Depois, con­versam um pouco na frente da te­le­visão, sempre sin­to­nizada num canal de no­tícias. Quando se se­param, fico de olho na janela do es­cri­tório, onde fica a bi­bli­oteca deles. A luz acende e apaga. Toda hora alguém pega algum volume. Penso que nessa fa­mília todo mundo é dou­to­rando. Só pode. Ou ad­vo­gados, vai saber. Mas é uma rotina vi­ciante. Quase me es­queço que dois an­dares acima mora uma das mu­lheres mais bo­nitas que já vi.

Nisso, olho para os meus pró­prios livros. Coi­tados, nem são muitos mas são que­ridos. Bem de­vagar, como um sapatinho-​de-​judia (Tum­bergia my­so­rensis), eles tentam tomar conta da parede da minha sala. Toda bi­bli­oteca é um projeto eterno. Os ar­qui­tetos devem gostar quando pegam um cliente com uma co­leção imensa, porque, além de tudo, a ela é um ótimo objeto de de­co­ração. E a bi­bli­oteca é a pupila dos olhos do dono. Nem o carro a vence.

Minha bi­bli­oteca, como as his­tórias de amor, também é um clichê. Talvez a de todo mundo seja, mesmo que ninguém admita. Eu gosto de passar por ela, e me pego, às vezes, ad­mi­rando os li­vrinhos en­fi­lei­rados. Sinto uma sen­sação tão grande de or­gulho que só pode ser pecado. “Padre, perdoe porque eu pequei. Faz 16 anos desde minha última con­fissão. Eu olho a minha bi­bli­oteca é fico todo or­gu­lhoso…”. Talvez por isso eu goste tanto desse poema do J. G. de Araújo Jorge (des­culpe a música, não é minha culpa), que nada tem de gran­dioso, mas que é tão efi­ciente quanto ri­minhas entre namorados.

A bi­bli­oteca é toda do dono, é uma da­quelas coisas que ninguém pode fazer por você. Quer dizer, até pode, em casos ex­tremos. Mas de nada adianta se os livros fi­carem por lá. Livros não servem apenas para pegar pó. Livros servem para dar vida, prin­ci­pal­mente para nós, homens. É que nós não po­demos gerar filhos, e essa deve ser uma ex­pe­ri­ência ma­ra­vi­lhosa. Mas através dos livros, talvez che­guemos bem perto disso. Junto com outra pessoa, o autor, através da leitura, trans­for­mamos em re­a­lidade algo que até então não existia para nós. É por isso que fico tão or­gu­lhoso e cheio de mim. Assim como meu ca­chorro, a bi­bli­oteca faz parte da fa­mília e é insubstituível.

Publicidade: Um desafio para o PT

Quem sabe os candidatos devam comprar um néon?

Quem sabe os can­di­datos devam comprar um néon?

A vida do PT não está fácil. Mas se­guindo a tra­dição do Breves Notas, vou dar a eles o pulo do gato para a pu­bli­cidade nas cam­panhas elei­torais vin­douras. Eu sei, no­va­mente tra­ba­lhando de graça (e dessa vez aju­dando o inimigo). Nem tanto. Não há es­pe­rança alguma que os pe­tistas leiam isso aqui e re­solvam mudar. Eles não aprendem nada, eles não es­quecem nada. A análise serve mais como cu­ri­o­sidade, quem sabe um aviso. Então, chega de lenga-​lenga e vamos ao que interessa.

Ao con­trário do que pensam os ana­listas po­lí­ticos de porta de cadeia, os es­cân­dalos de cor­rupção nunca vistos antes nesse país fi­zeram um belo es­trago para o Partido dos Tra­ba­lha­dores, mesmo não atin­gindo o lider-​mor do partido, Lula. A po­pu­lação, claro, não deu de ombros como muitos alegam. Alguns po­lí­ticos juram de pé junto que o men­salão não existiu, que compras de votos não acon­te­ceram e por aí vai. Isso fun­ciona para a justiça (in­crível, não?), mas o povo é mais des­con­fiado. Para eles, acon­teceu e talvez ainda esteja acon­te­cendo. Basta per­guntar pela rua. E por que isso não atingiu a imagem do ape­deuta? Por que ele ainda é pre­si­dente da República?

Porque Lula é um semi-​analfabeto como todos nós”. Essa é a res­posta. Cuidado, eu não afirmo que o barbudo é ou não isso ou aquilo, digo que: no ima­gi­nário po­pular, Lula é um homem com baixa for­mação in­te­lectual, mas com um bom co­ração, como a po­pu­lação brasileira.

Esse é o apelo de Lula, bem ex­plorado nas últimas duas dis­putas elei­torais. Um homem do povo e blá-​blá-​blá. Ti­rando a mi­li­tância pe­tista, que o ama acima de todas as coisas, o ci­dadão comum vê um ser que en­frentou a ad­ver­sidade e, por isso, “co­nhece” os reais pro­blemas do país. Claro que isso é uma bes­teira mons­truosa, mas fun­ciona na pu­bli­cidade. A imagem do Ape­deuta é essa, foi cons­truída assim e, devo ad­mitir, dá certo demais na ba­na­nânia. Quem se lascou com essa his­tória foi o resto do Partido.

Os di­versos es­cân­dalos en­vol­vendo o go­verno não “gru­daram” em Lula porque

  1. A opo­sição quis ex­pli­citar para o Brasil o que re­al­mente acontecia.
  2. O povo re­al­mente acre­ditou que Lula de nada sabia

Mas, aí, o leitor se per­gunta “como o povo pôde ser tão burro e acre­ditar que o pre­si­dente não sabia de nada que acon­tecia de­baixo do seu nariz?”. A res­posta é fácil, mas longe de ser simples: porque Lula também é um homem do povo, logo, seria tão, di­gamos, in­gênuo como todos eles.

Es­clareço. Um homem comum, sentado no Pa­lácio do Pla­nalto, teria sérias di­fi­cul­dades em co­mandar um país. De­legar res­pon­sa­bi­li­dades, con­tratar as­ses­sores, mi­nistros, es­pe­ci­a­listas. Lidar com po­lí­ticos, par­tidos, em­prei­teiros, em­pre­sários e “toda essa gente”. O Seu Zé, na ca­deira do Pre­si­dente, sem ter ex­pe­ri­ência nessa his­tória, faria muitas bur­radas. O homem comum sabe que nem todo amigo é amigo, e se você lida com muita gente, alguns trai­dores acabam in­fil­trados no seu círculo pessoal. Faz parte da vida.

Isso fica muito pior quando se tem “poder”. Para o homem comum, Lula até tenta fazer tudo certo, mas como ele é “gente como a gente”, não dá pra es­perar muita coisa do su­jeito, não é? Os ana­listas po­lí­ticos fes­te­jaram a eleição do Ape­deuta como a su­pe­ração de pre­con­ceitos. Não foi, apenas é a re­a­fir­mação de todos eles. Já ouvi várias vezes (de elei­tores do Ape­deuta) a frase “es­perar o que do Lula, meio burro né, vão tirar van­tagem dele, lógico”.

Lula é um homem in­te­li­gente e ma­qui­a­vélico. Mas a “blin­dagem” de sua imagem mais deve ao ar or­di­nário, de homem comum, do que às es­tra­tégias ar­ti­cu­ladas pela sua cúpula, iden­ti­fi­cação par­ti­dária ou outras aná­lises do pessoal da USP ou da UNB. Po­pu­lista como é, não dá para con­vencer alguém que Lula é um gênio po­lítico, não um ci­dadão igual aos outros. E nas eleições de 2008, essa sua van­tagem virou contra o próprio partido. A ironia nunca morre, como diz o Mainardi.

O Partido dos Trabalhadores nas Eleições

As eleições 2006 foram mar­cadas por es­cân­dalos, sim. Nenhum outro can­didato pas­saria in­cólume a essa onda de acu­sações. Lula passou, e já ex­pliquei a razão. Ele é “or­di­nário como a gente”. Na­quela época, uma ba­gunça foi ins­taurada no ce­nário po­lítico. Os pró­prios pe­tistas se en­vol­veram em si­tu­ações nada hon­rosas. O Ape­deuta, es­perto, falou e não disse nada, esquivou-​se das acu­sações, usou a tática do “fui traído, meu erro foi es­perar o melhor das pessoas”. Disse que “cor­taria da própria carne”. Lógico que não cortou, mas, nas cam­panhas a pro­messa sempre vale mais. Como não apa­receu nenhum lasco por aí, os elei­tores fi­caram com sua es­pe­rança e vo­taram como fi­zeram em 2004.

Dois anos depois, os bra­si­leiros re­sol­veram ajudar Lula. No duro. A idéia é mais ou menos essa: “Lula não sabe es­colher ami­zades, isso a gente já sabe, então não vamos votar nos amigos deles, oras, porque são trai­dores”. Não é a toa que o número de votos do PT di­minuiu. Qualquer ana­lista de­cente já teria aberto o bico para o Partido. “Cuidado, Lula pode afundar o resto de vocês”. Mas imagina falar isso para uma Martha Su­plicy. Nunca, nun­quinha. Eu diria, relaxa e goza minha filha, vocês fi­zeram a ba­gunça e eu não tenho nem idéia de como ar­rumar isso. Não é um tra­balho fácil, não. A cada es­cândalo ao qual Lula so­brevive, o resto do PT su­cumbe. É preciso ter um culpado para tantos crimes. Se a Justiça pega ou não os cul­pados, isso é ir­re­le­vante para a po­pu­lação. Eles também julgam e acham os ban­didos que querem.

No ima­gi­nário po­pular, todo partido é um covil de lobos, gente ga­nan­ciosa que querem ganhar muito di­nheiro nas costas do país. Tanto que o “rouba mas faz” é um slogan po­sitivo no Brasil. Maluf ainda seria um campeão de votos hoje se não ti­vesse feito uma bes­teira com­pleta: o Pitta. Não se lembram?

O Dr. Paulo hoje foi varrido do mapa elei­toral por causa do ex-​prefeito Celso Pitta. O povo de São Paulo não esquece.

A car­reira do Maluf não acabou por causa de es­cân­dalos. Não mesmo. O Dr. Paulo hoje foi varrido do mapa elei­toral por causa do ex-​prefeito Celso Pitta. O povo de São Paulo não es­quece. Dr. Paulo as­se­gurou que Pitta seria o pre­feito ideal para a cidade e, do dia para a noite, aquele des­co­nhecido acabou eleito. Esse sim se meteu num belo es­cândalo, com di­reito a ex-​mulher e tudo. Mas o Maluf tinha pro­metido que o cara era bom. Não era e o pau­listano não confia mais no Dr. Paulo. Um erro de cálculo ina­cre­di­tável do maior gênio po­lítico do Brasil. E o Maluf até hoje não con­segue sair desse buraco que ele próprio se meteu.

Os pe­tistas hoje buscam essa in­di­cação de con­fiança de Lula, sem a qual todos eles ficam em maus-​lençóis. Sim, porque até hoje não se sabe quem é a ovelha negra do pe­tismo, não há um bode-​expiatório. Sem essa re­fe­rência, todos eles estão vir­tu­al­mente no mesmo saco. Lula sabe bem disso, aprendeu di­reito com a lição po­lítica do Maluf. Os ana­listas dizem que Lula não quer usar a má­quina. Mentira. Lula não quer é em­barcar num pos­sível barco-​furado. Ele sabe. Pitta foi eleito em 1997. Dez anos depois, o Maluf não sabe o que fazer.

Em Cu­ritiba, o PT tentou em­placar a Dilma como porta-​voz. Era uma prova de fogo vi­sando a eleição pre­si­dencial de 2010. PT levou uma lavada do PSDB. A es­tra­tégia não deu certo. Em Natal, Lula foi mais pre­sente, mais agressivo e mesmo assim o PT se lascou. Em São Paulo, Kassab venceu o pri­meiro turno contra todas as ex­pec­ta­tivas. Em Porto Alegre, o PT quase não passa para o se­gundo. Passou perto de perder para uma co­mu­nista de pri­meira viagem que de con­creto mesmo, só tem a beleza. É uma si­tuação bem preocupante.

O Marketing Petista para o Futuro

As tá­ticas pu­bli­ci­tárias do pe­tismo estão longe de serem ino­va­doras. Para tentar re­verter o quadro de Martha em São Paulo, Gil­berto Car­valho de­sem­barca na ca­pital para tentar fazer o que eu acabo de dizer acima, tentar colar Kassab no Maluf. Di­minuir a re­jeição da pe­tista é uma missão im­pos­sível, prin­ci­pal­mente depois do seu papel na crise aérea. Eles estão de­ses­pe­rados. Só restou essa saída.

Porém, em jogo está as eleições de 2010. O que eles farão quando ela chegar? Quem tem alguma dica?

O quadro não é fa­vo­rável. Nenhum can­didato do PT tem con­dições de entrar numa disputa pre­si­dencial. A Dilma Rousseff é uma per­so­nagem ainda em cons­trução, mas falta a ela a em­patia ne­ces­sária aos grandes po­lí­ticos. Não que mu­lheres fortes es­tejam fora das dis­putas. A ba­ronesa Thatcher foi de­cisiva para a his­tória da In­gla­terra, e a ela sempre faltou ca­risma com o povo. En­tre­tanto, Thatcher era um cé­rebro ma­ra­vi­lhoso e uma ótima primeira-​ministra, papel que Dilma não chega nem perto, tanto em termos de im­por­tância como de competência.

Uma dica para os pe­tistas: mu­lheres são di­retas, res­pondem na lata. Isso é es­sencial para vida po­lítica delas. Mas como o PT adora uma tan­gente, di­fi­cil­mente Dilma será uma can­didata a se temer, da mesma forma que Martha não é mais. O PT perde os ca­belos porque, em seus quadros, não há um único po­lítico coma ficha mais ou menos in­cólume (po­li­ti­ca­mente fa­lando, não ju­di­ci­al­mente). E se Lula apoiá-​los, poderá por em xeque a sua própria can­di­datura em 2014.

A si­tuação é tão séria que não me es­pan­taria o PT pro­curar um can­didato em outros par­tidos. Mas isso vai contra a his­tória pe­tista, e di­fi­cil­mente um can­didato de fora con­se­guiria passar pela in­ter­mi­náveis prévias que eles adoram fazer. Só com o apoio in­di­vidual de Lula. Mas co­ragem não é a prin­cipal ca­rac­te­rística do atual presidente.

A es­querda tem uma ten­dência na­tural para di­fa­mação nas cam­panhas. Acusam, acusam e acusam, com ou sem provas. Foi assim que eles che­garam ao poder. Mas para mantê-​lo, em um regime de­mo­crático, o dis­curso pre­ci­saria mudar. Mas o PT não sabe fazer nada mais. Falta a esse partido o res­peito pelo regime de­mo­crático, coisa que não consta em seu DNA.

A aposta deles con­ti­nuará no po­pu­lismo ras­teiro. E se in­ten­si­ficará nos pró­ximos dois anos. Quase seis anos de pre­si­dência e Lula não deu mais que uma ou duas co­le­tivas, todas con­tro­ladas. En­quanto isso, farão a cam­panha pau­tando o jor­na­lismo, como fazem hoje. Acre­ditam ser essa uma boa técnica. Nem tanto, eu diria. Mesmo o Brasil sendo um ter­ceiro mundo, hoje é uma boa classe média, e ela também influi nos re­sul­tados. Ela acaba ir­ra­diando suas opi­niões para as pessoas de nível social acima ou abaixo delas. É um pú­blico que o PT não con­segue lidar, nunca con­seguiu e di­fi­cil­mente conseguirá.

Con­cluindo, dias som­brios virão. Bate-​bocas sem con­teúdo se es­pa­lharão pela cena po­lítica na­cional. Como o PT é in­capaz de subir o nível, tentará re­baixar a todos para os termos con­for­táveis para eles. Ve­remos se a opo­sição cairá nessa ar­ma­dilha. Aguardem as grandes de­núncias de fraudes e cor­rupção. Haverá uma ten­tativa de po­la­ri­zação entre mo­cinhos e ban­didos ainda mais ra­dical. Eles gri­tarão, fa­larão grosso porque, no fim, nada tem a dizer. Suas res­postas os in­cri­mi­nariam. Será muito feio…

Resta aos homens de bem não acei­tarem essas con­dições. Res­ponder a rudeza com a verdade. As dis­si­mu­lações com a certeza. Ser direto ao invés de se es­quivar. Apesar do Partido dos Tra­ba­lha­dores possuir tanto poder hoje, uma única coisa pode acabar com sua he­ge­monia: quem aceitar as res­pon­sa­bi­li­dades terá muito mais força do que toda a má­quina pe­tista pode pro­duzir. Trazer o debate para o campo de­mo­crático sempre fará os pe­tistas per­derem o chão, porque eles não ca­minham pela trilha do res­peito, do bom-​senso e da hon­radez. Não, não. As es­tradas deles são feitas com as me­lhores das in­tenções, sim, mas são as­fal­tadas com as piores qua­li­dades que a hu­ma­nidade já produziu.

Agora, muitos mi­li­tantes en­tendem isso e não sabem mais o que fazer. In­te­res­sante, não?

Fumo proibido em São Paulo

Cristo Santo, acabou. São Paulo agora entrou no hall de ci­dades im­becis que proíbem o fumo em qualquer lugar. Em 2010 farei cam­panha contra o Serra. Essa his­tória está indo longe demais.

A maior causa de morte evi­tável (coisa es­tranha) é a FOME! Morre muito mais gente no mundo de fome. Fu­mante não é cri­minoso. Metade da po­pu­lação mundial fuma. Isso é in­crível, como é que os po­lí­ticos con­seguem aplicar leis contra a metade de uma população? 

Olha só, de acordo com o Mi­nistro da Saúde Tem­porão, 250 mil mu­lheres fi­zeram abortos e cor­reram pro SUS dar um jeito na merda que fi­zeram. Isso é a metade das pessoas que, SUPOSTAMENTE, morrem nos EUA por causa de ci­garro. No en­tanto, o maluco quer le­ga­lizar o aborto e trans­formar o ci­garro num crime. Re­al­mente o mundo está do avesso. 

Óbvio que estou de­fen­dendo o meu. Eu fumo, eu voto e por isso tenho o di­reito de de­fender as coisas que acredito e gosto. Pena que o eleitor não pode pedir o mandato de volta dos po­lí­ticos quando eles fazem bes­teiras que vão contra os an­seios dos seus eleitores.

E não vou pu­blicar co­men­tário de anti-​tabagistas.