Ministério Público, Maísa, SBT

Maísa

Maísa

Dois mil e nove é o ano do cansaço. No duro, não tenho vontade e nem pique para es­crever. Tudo é re­peteco. Não adianta dizer, falar, ex­plicar. O Brasil fica mais burro a cada dia. E na vida não existe control-​z. O povo tem o dever cívico de ser ali­enado em certas áreas. Por exemplo, um povo que muito se in­te­ressa por po­lítica acaba fa­zendo merda. Veja a Ale­manha pós Pri­meira Guerra Mundial, ou a Rússia antes da URSS. Por causa disso, os Ame­ri­canos le­vavam van­tagem sobre o resto do mundo: po­lítica era pre­o­cu­pação de poucos. Bastou o poveco se in­te­ressar (afinal, o di­nheiro não falta para eles) para ele­gerem um Hussein nos USA.

Pois bem, nos tempos de far­mácia com “ph”, as fa­mílias es­tavam ten­tando educar bem seus filhos. Houve acertos e erros nessa his­tória (veja o caso do Zi­raldo e do Jaguar), mas tudo bem. Ao menos eles não es­tavam pre­o­cu­pados em co­locar o Mi­nis­tério Pú­blico no pé de gente bem criada e de su­cesso. Isso acabou também. A moda agora e criar cam­panhas para li­berar a Maísa. Um dos Los Her­manos re­solveu criar uma cam­panha. A banda de­veria co­locar um selo da ABRINQ nos discos e es­taria fa­zendo melhor.

As­sisti aos tais vídeos, eles estão no YouTube. Não vi ali nenhum abuso contra a criança, pelo con­trário. Sei lá como esses “pro­te­tores de cri­an­cinhas” cuidam ou deixam de cuidar de seus filhos, mas não deve ser a melhor in­fância já que viram algum abuso na in­te­ração Sílvio Santos–Maísa. Milha fa­mília é ita­liana, alemã e índia. Sempre que qualquer um fazia pirraça, tios e tias agiam do mesmo modo, brin­cando até a gente parar de manha. Tem gente que bate. Errado. Tem gente que lambe os filhos e acaba criando De­pu­tados e De­pu­tadas mi­mados – gente que chama se­gu­rança pra re­solver briga de co­légio e depois atropela e mata inocentes.

Essa falta de senso em re­lação a cri­anças não é a causa, mas a con­seqüência de uma ide­o­logia edu­ca­cional. E ela é ex­tre­ma­mente ri­dícula e pa­ra­doxal. No pri­meiro lado, a criança e o ado­les­cente tem tantos di­reitos que, na prática, anulam qualquer dever deles. Isso se ma­ni­festa na falta de edu­cação e res­peito que eles têm diante do pro­fessor, pai, qualquer adulto. Basta ver os pro­gramas de babás e afins que passam no GNT. Basta ver a si­tuação das es­colas em qualquer lugar do mundo. As cri­anças são in­ca­pazes de di­fe­renciar o certo e o errado, e de de­co­di­ficar os sinais so­ciais. Maísa, ao con­trário, é melhor do que todos. Ela pode ter medo, dar berros, mas con­segue es­ta­be­lecer uma re­lação com Sílvio e, mi­nutos depois, es­quecer o choro e voltar a ser uma menina alegra. Criança buscar o colo da mãe e do pai é normal. Criança bater a cabeça é normal. É dessa forma que apren­demos a não cair da árvore e quebrar o pescoço. É assim que de­du­zimos na mais tenra idade que fogos de ar­ti­fício ex­plode e pode ar­rancar as mãos.

A edu­cação na base da con­versa pura é pre­ju­dicial porque retira da criança os exemplos. A criança aprende que cair de bi­ci­cleta ma­chuca porque vêem os mais velhos se es­tri­bu­chando no chão. Quando perdem a re­fe­rência, acre­ditam que sacos plás­ticos podem ser para-​quedas e pulam do 13º andar. A mãe deixar uma criança de 13 anos so­zinha e ir fazer compras é normal, porque, enfim, para essa gente alguém com 13º anos é uma pessoa normal, um ado­les­cente. Bem, essa mãe des­cobriu que não era tarde demais. Na minha in­fância, antes de fazer uma bes­teira, a gente sabia que pre­ci­sá­vamos testar a bes­teira antes e depois fazer. Ao invés de morrer, só que­brá­vamos um braço.

A se­gunda e mais hor­renda parte da atual edu­cação está na subs­ti­tuição do papel edu­cador dos jovens. Hoje, ninguém mais pode dar uma lição nas cri­anças, nem pro­vocar uma. Brigar é abuso físico, brigar é abuso emo­cional. No passado, a escola era o campo de ex­pe­ri­ência das cri­anças e jovens. Ali apren­díamos como lidar com a au­to­ridade, tanto em res­peitar (ir na aula e fazer prova) quanto burlar a mesma (matar aula e colar na prova). Eu não sei quantos animais eu matei na minha vida. Só usando o es­ti­lingue já seria um crime ina­fi­an­çavel. Agora, um jovem de 17 anos, branco e bem vestido, vai preso por causa de uma cobra. Já o que mata deve ser educado, pre­servado, en­tendido e perdoado.

Eu brinco que a maior causa de morte evi­tável no mundo não são as pro­vo­cadas pelo ci­garro, e sim aquelas pro­vo­cadas pela fome. É verdade, mas ninguém mais en­tende o ab­surdo dessa re­a­lidade. Não é a toa que hoje o Mi­nis­tério Pú­blico prefere ir atrás da Maísa ao invés de re­solver o pro­blema das mi­lhares de cri­anças aban­do­nadas nas ruas. Uma ide­o­logia edu­ca­cional re­tirou o poder de todos os adultos sobre as cri­anças e o trans­feriu para a mão do estado. Até mesmo na época da es­cra­vidão, nenhum senhor de es­cravo teria a co­ragem de mandar uma criança negra para a tutela do Estado, porque sabiam que ali as con­dições seriam INUMANAS, e não sub-​humanas.

Resta saber onde isso vai dar o futuro. Em algo bom é que não será. Então, o que eu e você fa­remos com nosso filho nessa re­a­lidade tão irreal? Não é apenas criar bem, mas criar um ser para en­frentar um mundo di­fe­rente, com pro­vações tão iné­ditas. A saída mais fácil é comprar um sítio e aban­donar a vida mo­derna para ir pro in­terior e viver em paz. Hoje eu en­tendo per­fei­ta­mente como os feudos e a idade média sur­giram. Imagina a ba­gunça se na­quele tempo já exis­tisse a in­ternet. Nem o exílio é hoje uma opção

Usando OpenId nos Blogs e Sites

IntenseDebate

In­ten­se­Debate

Atenção
O pro­cesso ficou ainda mais fácil para deixar seus lei­tores co­mentar com OpenID. Basta ins­talar o In­ten­se­Debate. Nada mais. Além do OpenId, ele inclui no seu site/​blog fa­ci­li­dades para o twitter e tantas outras redes so­ciais por ai. Faça um teste e deixe aqui no Breves Notas a sua opinião.

O Breves Notas também é uti­lidade pú­blica. E agora, que eu saiba, é um dos pouquís­simos blogs pes­soais que su­porta OpenId. E o que você, leitor, tem com isso? Tudo. Em 2008, o OpenId cresceu muito, vários sites usam essa forma de iden­ti­fi­cação para co­men­tários, ins­crição e tudo o mais. Você que também possui um blog de­veria ter o seu, já que é o meio mais prático de ter sua iden­tidade na web, sem pre­encher for­mu­lários com nome, e-​mail e web site.

O que é o OpenId

O OpenId é um modelo de iden­ti­fi­cação gra­tuito. Uma forma de se iden­ti­ficar na in­ternet. Nada mais que isso. Um manual de ins­trução para a página pegar seu nome e dados au­to­ri­zados por você. Ai, parte das em­presas como o Google, Mi­crosoft, etc., co­locar a dis­po­sição dos cli­entes esse modelo. Fun­ciona mais ou menos assim. Você tem um hotmail. A Mi­crosoft cria um ser­vidor de OpenId para seus usuários. Depois de um monte de coisas téc­nicas, vc pode usar seu hotmail para entrar no Yahoo, por exemplo, co­mentar nos blogs, entrar no Twitter e tudo o mais. Isso sem pre­cisar fazer uma conta se­parada para cada site. E mesmo que vc tenha uma conta em cada site, você pode usar apenas um en­dereço para logar em todos eles, sem pre­cisar lembrar o nome de usuário e senha toda hora.

O bom disso é que vc pode co­locar todos os seus sites num mesmo lugar, como um Cartão Virtual. Há ser­viços como o Me Adi­ciona que tenta uni­ficar todos os seus sites num só local de re­fe­rência. Mas com um OpenId vc também poderá entrar na maioria deles com um clique, sem pre­encher nada.

E como isso funciona?

Bem, nada é assim tão fácil. Pri­meiro você deve aderir a um desses ser­viços. Se você tem um Flickr, um mail do Yahoo, você pode con­fi­gurar sua OpenId aqui. Se você usa o MSN, tem um hotmail, a Mi­crosoft está tes­tando o OpenId nesse en­dereço. Vários outros sites for­necem um “ser­vidor de OpenId” com di­versas características.

OpenId é o meio mais prático de ter sua iden­tidade na web, sem pre­encher for­mu­lários com nome, e-​mail e web site, etc.

Eu, pes­so­al­mente, uso o Ve­risign, porque em ma­téria de cer­ti­fi­cados de se­gu­rança, eles são os melhores.

Bem, es­colha um deles. Qualquer um lhe dará um en­dereço que vc deve co­locar no campo de OpenId do site que vc quer entrar, como nos co­men­tários do Breves Notas. No Ve­risign, o en­dereço é a minha página pessoal (“https://​lsaboya​.pip​.ve​ri​signlabs​.com/”) que tem todos os meus sites. Na pri­meira vez que vc fizer isso no site que quer ca­dastrar no OpenId, bem, vc pre­cisará con­fi­gurar como vc quer apa­recer. Em alguns sites quero que meu nome apareça como “Le­febvre”, noutros “Le­febvre de Saboya”, qual e-​mail, e por ai vai. Depois disso, pronto, sempre apa­recerá assim. Isso é útil, por exemplo, se você quer co­mentar no Blogger com um nome, mas aqui com seu apelido.

Quando se co­nectar na in­ternet e tentar co­locar seu OpenId num site, você vai ser re­di­re­ci­onado para o seu ser­vidor. Co­loque seu nome e senha e pronto. Depois disso, quando quiser entrar num site (como o Twitter, Fa­cebook, Orkut), basta apertar um botão. Nada mais de login e senha. Isso você con­figura no seu OpenID e pronto.

Quando quiser co­mentar num blog, basta co­locar seu en­dereço de OpenId e pronto, seu nome, mail e foto apa­recem au­to­ma­ti­ca­mente, junto com seu site ou blog. Aliás, se tiver um blog, poderá usar esse en­dereço como OpenId, basta associa-​lo com ela.

Como Uso Meu Blog Com Minha OpenId?

É simples, você não precisa nada mais do que editar o html do seu site (e que ele esteja ca­das­trado no OpenId). Se você tem um blog no Word​Press​.com, seu blog já é uma OpenId. Você não precisa fazer nada, só co­locar http://seublog.word​press​.com no campo de iden­ti­fi­cação e pronto. Lógico que vc precisa estar logado e au­to­rizar na pri­meira vez o site que quer co­mentar. Ou qualquer um po­deria usar sua iden­tidade, não é mesmo? Mas depois disso, beleza. Fica tudo automático.

O Yahoo ainda não su­porta esse método. Se quiser usa-​lo, es­colha outro provedor.

Agora, se você usa o blogger ou tem seu próprio site, você deve entrar na edição do tem­plate e co­locar entre as tags <head></head> os có­digos de acordo com o seu pro­vedor de OpenId (ori­ginal aqui).

Então, se você usa AOL, adi­cione as se­guintes linhas:

<link rel="openid.server" href="https://api.screenname.aol.com/auth/openidServer">
<link rel="openid.delegate"href="http://openid.aol.com/seunomedeusuário">

No caso da Ve­risign PIP, que eu uso, seria assim:

<link rel="openid.server" href="http://pip.verisignlabs.com/server" />
<link rel="openid.delegate" href="http://[username].pip.verisignlabs.com" />
<link rel="openid2.provider" href="http://pip.verisignlabs.com/server" />
<link rel="openid2.local_id" href="http://[username].pip.verisignlabs.com" />
<meta http-equiv="X-XRDS-Location" content="http://pip.verisignlabs.com/user/[username]/yadisxrds" />

E o famoso MyOpenID:

<link rel="openid.server"href="http://www.myopenid.com/server" />
<link rel="openid.delegate" href="http://youraccount.myopenid.com/" />
<meta http-equiv="X-XRDS-Location" content="http://www.myopenid.com/xrds?username=seunomedeusuário.myopenid.com" />

Fácil, né?

Como Eu Coloco OpenId Nos Comentários Do Meu Blog?

Simples, também. Se você usa Word​Press​.com ou Blogger, basta au­to­rizar nas con­fi­gu­rações do seu blog. Agora, se você tem um site próprio e usa o Word­Press, basta ins­talar o plugin Openid. Além de per­mitir o OpenId nos co­men­tários, essa ex­tensão tem a opção de trans­formar seu site num ser­vidor de OpenId. Se seu blog tem vários co­la­bo­ra­dores, eles também podem usar o site como OpenId deles, se qui­serem. Claro, se você é o Dono do Blog e o único ser que ali es­creve, nem precisa habilitar.

Essa é a dica. Con­si­de­rações, ob­ser­vações, cor­reções ou pi­tacos, usem os comentários…

Cala a boca, Beltrame!

Em qualquer outro lugar do mundo ci­vi­lizado (o Brasil não per­tence a esse grupo) o Se­cre­tário de Se­gu­rança do Rio de Ja­neiro já es­taria com sua car­reira pú­blica en­terrada. Já falei aqui da morte do João, e hoje mais um ino­cente é morto em ti­roteio com a po­lícia. O mais in­crível por cá são as im­be­ci­li­dades pro­fe­ridas pela au­to­ri­dades. A da vez é o Bel­trame afir­mando que “em qualquer lugar do mundo a po­lícia res­ponde a esmo quando é al­vejada”. Sr. Se­cre­tário, re­co­mendo as­sistir aos Vídeos In­críveis, no People + Arts. Quem sabe ali você aprende algo sobre se­gu­rança e ações da polícia.

Em qualquer lugar do mundo ci­vi­lizado, Sr. Se­cre­tário, a po­lícia antes zela pelos ino­centes en­vol­vidos nas con­fusões. Os po­li­ciais, Sr. Se­cre­tário, são pagos para isso. A in­te­gridade física dos homens da lei vêm depois da in­te­gridade física dos ino­centes no local. Eu nunca vi um caso nos Es­tados Unidos que o po­licial pegou uma das ví­timas e a usou como escudo humano. Alguém ai já ouviu ou leu algo do tipo? Hein? Hein? Agora, se o mar­ginal usa a vítima como escudo, a força po­licial nor­mal­mente faz a se­gu­rança do local até a chegada da SWAT. Não atira em carros sem saber quem dentro dele é bandido ou vítima.

O Rio de Ja­neiro é re­al­mente um re­a­lismo fan­tástico. O que acontece na­quela cidade precisa de um ca­pítulo próprio nos livros de an­tro­po­logia. Vai ver, sei lá, não é apelas cul­tural a di­fe­rença da­quele povo. Talvez en­volva hormônios, algo já bi­o­lógico, que faça o ca­rioca ver um si­mu­lacro da realidade. 

Fatos não são tão fáceis de ma­ni­pular como as versões. O que o Bel­trame quer é mudar a re­a­lidade mundial para salvar a própria pele e o cargo. Eu digo para ele não se pre­o­cupar. Quem foi a última au­to­ridade con­denada pelos crimes de res­pon­sa­bi­lidade? Não me lembro. Mas por amor ao mínimo de hu­ma­nidade e in­te­li­gência que nos resta, o Se­cre­tário de Se­gu­rança do Rio de Ja­neiro po­deria cultiva o si­lêncio. Cala a boca, Beltrame!

Atu­a­li­zação: Diz a Constituição:

Art. 144. A se­gu­rança pú­blica, dever do Estado, di­reito e res­pon­sa­bi­lidade de todos, é exercida para a pre­ser­vação da ordem pú­blica e da in­co­lu­midade das pessoas e do pa­trimônio, através dos se­guintes órgãos: (entre eles a po­lícia militar)

Bom, só depois disso que todas as outras dis­po­sições da Po­licia Mi­litar vêm. Elas pre­cisam res­peitar o pa­rá­grafo a cima. Já que os po­li­ciais mi­li­tares do RJ tem de­fi­ci­ência pra en­tender o que está es­crito, vamos lá:

In­co­lu­midade
Da­tação
1713 cf. RB

Acepções
■ subs­tantivo fe­minino
1 qua­lidade ou con­dição de in­cólume
1.1 isenção de perigo, de dano; se­gu­rança
1.2 Ru­brica: di­reito penal.
si­tuação do que está pro­tegido e seguro (fa­lando de bens que se quer proteger)

Mais:

In­cólume
Da­tação
1702 cf. NumVoc

Acepções
■ ad­jetivo de dois gê­neros
1 sem lesão ou fe­ri­mento; livre de dano ou perigo; são e salvo; intato, ileso
Ex.: voltou da ba­talha i.
2 que per­manece igual, sem al­te­ração; bem con­servado, inal­terado
Ex.: saiu do ne­gócio com a re­pu­tação i.

Bom… vamos ver como o Bel­trame escapa dessa.